quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Porque podias estar a precisar de uma justificação.

Porque a paz e o desejo não costumam dar a mãos, a não ser que se deseje paz e paciência, algo que não abunda nos meus desejos emotivos, estou em constante luta.

Não é uma luta violenta, pelo menos em termos marcantes, ou pesadamente emotivos ou físicos, pode ser violento em termos de persistência, violento para a fé que deve ser inabalável.

Nunca consegui entender a fé como algo incontestável, completamente ilógico e puramente espiritual. Serei obrigado a usar outros termos? Não posso resumir a fé ao simples acto de acreditar com esperança, afincadamente como quem se agarra a um derradeiro reduto de compaixão pelos seus desejos e ideias? Tenho de destingir fé de crença, distinguir fé de credo, de convicção, de acreditar, não podem ser sinónimos, tenho mesmo de os graduar? Porque não ser simplista e meter tudo no mesmo saco?
Afinal de contas é algo que diz respeito aos meus sentimentos, às minhas emoções, desejos e alterações da mente. Porque não posso ser eu a determinar as definições daquilo que sinto? Determinar o conteúdo das minhas acções, delinear o sentido, o propósito, cartografando os meios e para que fins?

Não se trata de tomar o controlo do nosso destino, nem das nossas mentes, ou dos outros, nem tão pouco do que sinto. Sei que por muitas vezes não sou capaz de um controlo totalmente lógico e racional, mas apenas das definições daquilo que penso.

Não vou discutir se o céu é azul ou branco, apenas contento-me que entendam o que acho mesmo que não concordem.

Por vezes bastava essa compreensão na resolução de conflitos. Não é preciso que ambos adiram à mesma solução, desde que pelo menos entendam o que faz reagir a outra parte, o que os leva a pensar assim, e tudo se podia resumir a um tão simples acto como ouvir, escutar, atentamente.
E poucas desculpas têm o homem para não adoptar tal comportamento. O ser humano que é curioso por natureza, aplica uma certa dormência de raciocínio quando não demonstra o mínimo de curiosidade para entender a outra parte. Ou somos muito fúteis, e a curiosidade é uma banalidade que só nos leva a revelações menores, ou tudo o que se cria e inventa, nunca teve a contribuição da curiosidade, a vontade da experiência, ou de saber o que está mais além.
É quase absurdo como a naturalidade dos seres pode ser ridiculamente ignorada pela impaciência, ou pela pura ignorância do nosso âmago.

Eu como ser curioso que sou, com esta fé que não se motiva num credo cego, mas puramente racional, baseado na esperança que tenho pelo experimentalismo, pela curiosidade de saber se é possível, é todo esse misto de sentimentos aliado ao facto de ver em ti características irresistíveis, que me mantém à tua espera.

Tudo isto apenas porque pensei que pudesses precisar de um motivo, porque tudo terá uma razão de ser, até os meus comportamentos.

2 comentários:

Dexter disse...

Devias ter autorizado commentar o último post (posterior a este). Está muito bom mesmo.

Pedro disse...

Eu autorizei, o problema foi que não apareceu a caixa de comentário, tenho de o apagar e inserir de novo.
Foi erro do blogger.

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