O último blog do ano.
Adeus 2003. De ti manterei apenas algumas lembranças... Umas porque são boas e não quero esquecer, outras, porque más, não consigo esquecer...
Ao entrar em 2004 vou deixar para trás o que não presta. Vou renovar o espírito e viver uma nova vida. Algumas pessoas ficarão esquecidas, confesso, mas é assim... Ano novo vida nova. O que não tem força para sobreviver morre.
Posso parecer fria, mas é assim... É como sou... Este meu mau feitio permanecerá...
Bom ano para todos vós!
terça-feira, dezembro 30, 2003
terça-feira, dezembro 16, 2003
Atestado de estupidez!
Eu sou suspeita para falar do Natal, porque eu detesto o Natal, mas não me consigo conter!
Temos de admitir que ou andamos a passar atestados de estupidez às crianças ou simplesmente falta a coragem de dizer que lhes andamos a mentir desde que nasceram...
Parece impossível, vamos a um centro comercial ou ao Jardim Zoológico e encontramos pelo menos uns 3 Pai-Natais diferentes...
E queremos nós que o mundo melhore quando, desde cedo, começamos a corromper as novas gerações!
Temos de admitir que ou andamos a passar atestados de estupidez às crianças ou simplesmente falta a coragem de dizer que lhes andamos a mentir desde que nasceram...
Parece impossível, vamos a um centro comercial ou ao Jardim Zoológico e encontramos pelo menos uns 3 Pai-Natais diferentes...
E queremos nós que o mundo melhore quando, desde cedo, começamos a corromper as novas gerações!
domingo, dezembro 14, 2003
Algo para ocupar espaço, ou talvez só um conselho, uma dica, uma luz.
Desorientação é algo terrível, principalmente a desorientação dos pensamentos, não saber o que pensar ou sentir. Quantas vezes na vida nos baralham por dentro com simples palavras, com jogos de palavras, com jogos de intenções.
É terrível não saber o que sentir, aí começamos a pensar o que fica melhor sentir, acaba por ser como escolher o que vestir, e acabamos por fazer a pergunta do que vamos sentir hoje.
Normalmente até sou uma pessoa inteligente, pelo menos prudente em maioria dos casos, costumo variar os sentimentos, mas raramente me engano naquilo que devo sentir em determinado momento.
Sei que ainda não vivi o suficiente, mas sei que já vivi muito para poder julgar, para poder aconselhar, para poder dizer disparates.
Se fosse a julgar diria que as pessoas que agem mal, deviam ser as primeiras a tentar mudar e resolver a situação.
Se for a aconselhar, aconselho que se de uma oportunidade, que se de uma oportunidade ao dialogo e à frontalidade, que se resolvam as coisas a falar, mas que isso parta da pessoa com mais interesse, o que em alguns casos é difícil de definir, noutros é bem evidente.
Se for a dizer um disparate, digo que acredito nas pessoas piamente, ou então digo que devemos desconfiar de todos, quando o mais certo é contrabalançar, devemos dar sempre uma oportunidade, mas manter sempre um pé atrás, pois de quem pouco sabemos tudo esperamos.
Eu sinceramente nem sei para que escrevi isto, ou porque ponho isto aqui, duvido que tenha o mínimo de interesse para alguém, o mais provável é ser um desabafo.
As pessoas teem o direito a mudar, têm o direito a que os outros lhes ajudem e dêem uma oportunidade, mas são essas pessoas que devem mudar o comportamento, devem procurar falar, devem procurar mudar e não esperar que sejam os outros a esquecer ou mudar por elas.
Não adianta ser vítima num mundo de injustiçados.
Somos todos vitimas de algo, ou de conformismo ou de estupidez, ou de calculismo até à discriminação, todos temos defeitos, apenas temos de mudá-los e adaptá-los as pessoas com quem queremos estar.
Uma coisa é certa as pessoas estão sempre dispostas a ouvir, podem não responder ou nem ligar, mas ouvem, é preciso é que alguém esteja disposto a falar, a mudar, e a encontrar os sentimentos certos para se adaptar ao mundo que quer abraçar.
Ninguém espere que o tempo mude a situação, é preciso tomar a iniciativa, e parte sempre do lado mais necessitado.
É terrível não saber o que sentir, aí começamos a pensar o que fica melhor sentir, acaba por ser como escolher o que vestir, e acabamos por fazer a pergunta do que vamos sentir hoje.
Normalmente até sou uma pessoa inteligente, pelo menos prudente em maioria dos casos, costumo variar os sentimentos, mas raramente me engano naquilo que devo sentir em determinado momento.
Sei que ainda não vivi o suficiente, mas sei que já vivi muito para poder julgar, para poder aconselhar, para poder dizer disparates.
Se fosse a julgar diria que as pessoas que agem mal, deviam ser as primeiras a tentar mudar e resolver a situação.
Se for a aconselhar, aconselho que se de uma oportunidade, que se de uma oportunidade ao dialogo e à frontalidade, que se resolvam as coisas a falar, mas que isso parta da pessoa com mais interesse, o que em alguns casos é difícil de definir, noutros é bem evidente.
Se for a dizer um disparate, digo que acredito nas pessoas piamente, ou então digo que devemos desconfiar de todos, quando o mais certo é contrabalançar, devemos dar sempre uma oportunidade, mas manter sempre um pé atrás, pois de quem pouco sabemos tudo esperamos.
Eu sinceramente nem sei para que escrevi isto, ou porque ponho isto aqui, duvido que tenha o mínimo de interesse para alguém, o mais provável é ser um desabafo.
As pessoas teem o direito a mudar, têm o direito a que os outros lhes ajudem e dêem uma oportunidade, mas são essas pessoas que devem mudar o comportamento, devem procurar falar, devem procurar mudar e não esperar que sejam os outros a esquecer ou mudar por elas.
Não adianta ser vítima num mundo de injustiçados.
Somos todos vitimas de algo, ou de conformismo ou de estupidez, ou de calculismo até à discriminação, todos temos defeitos, apenas temos de mudá-los e adaptá-los as pessoas com quem queremos estar.
Uma coisa é certa as pessoas estão sempre dispostas a ouvir, podem não responder ou nem ligar, mas ouvem, é preciso é que alguém esteja disposto a falar, a mudar, e a encontrar os sentimentos certos para se adaptar ao mundo que quer abraçar.
Ninguém espere que o tempo mude a situação, é preciso tomar a iniciativa, e parte sempre do lado mais necessitado.
quinta-feira, dezembro 11, 2003
A publicidade 2 em 1.
Após o delírio febril ontem à noite, decidi que hoje iria escrever sobre algo menos interessante e mais enfadonho.
Decidi que queria partilhar a minha opinião sobre a publicidade. Devem perguntar “porque raio vai este gajo partilhar opiniões, ainda não percebeu que não estamos interessados?”.
Eu apenas partilho as opiniões mais inúteis e que me ocupam espaço neste cérebro diminuto, as boas opiniões guardo à espera do momento prefeito para surpreender o mundo.
Como esta opinião não tem utilidade pública, e é matéria que me ocupa o cérebro decidi partilhar.
Pois é, a publicidade, belo tópico de conversa.
Decidi abranger a publicidade por duas vertentes, fazer uma espécie de opinião dois em um, e enveredar tanto pelo lado comum da publicidade como o lado mais formal e legal da publicidade. (o legal não é sinónimo de show de bola em brasileiro, é legal de legalidade, na vertente jurídica.)
Começo por definir publicidade no termo jurídico. Publicidade é qualquer forma de comunicação feita por entidades de natureza pública ou privada no âmbito de uma actividade comercial, industrial, artesanal ou liberal, com o objectivo directo ou indirecto de promover, com vista à sua comercialização ou alienação, quaisquer serviços ou bens, ou promover ideias, princípios, iniciativas ou instituições.
Também é considerado publicidade qualquer comunicação da Administração Publica que tenha por objectivo promover, directa ou indirectamente, o fornecimento de bens ou serviços.
Apenas a propaganda política não é considerada publicidade segundo os tramites legais da lei nº 24/96 de 31 de Julho, alterada pelo decreto-lei nº 67/2003, de 8 de Abril, anexo sobre o código da publicidade.
Após definir o que é a publicidade para o mundo jurídico, quebro a corrente e faço uma pequena compilação de anúncios odiosos da televisão portuguesa.
Em primeiro lugar fica com certeza o anuncio da Netcabo, o anuncio referente ao concurso do Ferrari em que aparece um pobre jovem a imitar a rotação de um motor do Ferrari, sendo que o anuncio baseia-se apenas na produção de um som (NAAAAAAAAAaaahhhNaaaaaaahhh), o que é extremamente irritante.
Em segundo lugar nomeio o anuncio do Mon Cheri, em que o suspense final é asfixiante, como será que vão dividir o último Mon Cheri? Aposto que a se o homem fosse a comer o último sozinho a mulher rogava-lhe a praga do intestino incontinente.
Outro anuncio é o anuncio do shampoo Herbal Essences (julgo ser este o nome), em que metem uma mulher a ter um orgasmo sempre que usa o shampoo. È claramente publicidade enganosa, o shampoo não provoca aquele estado de excitação, como sempre o mais provável é o orgasmo ser falsificado, logo a publicidade é enganosa.
A publicidade de telemoveis, por vezes deixa um pouco a desejar, principalmente o anuncio da geração tipo “Duh”, este anuncio além de falso e estúpido viola os pontos b, c e f do nº 2 do artigo 7º da lei referida anteriormente neste artigo, esses pontos versão sobre a estimulação ou apelo à violência, atentado contra a dignidade da pessoa humana e utilização de língua obscena.
Posteriormente farei uma continuação da compilação de anúncios degradantes, mas confesso que ultimamente não tenho assistido o numero de horas de televisão suficiente para poder ter um conhecimento geral da publicidade feita hoje em dia.
Agora falando de coisas mais sérias gostava de referir um numero irrisório de normas que são violadas hoje em dia pela publicidade.
Começando pelo artigo 7º da lei já referida, que versa sobre o principio de ilicitude da publicidade vem logo dois ou três anúncios à cabeça que violam mais de dois pontos daquele artigo. Logo a seguir no artigo 8º sobre o principio da identificabilidade no ponto n.º 2 esta claro que a publicidade feita na televisão ou rádio tem de ser claramente separada da restante programação, através da introdução de um separador no inicio e fim do espaço publicitário, eu acabo de assistir a publicidade feita a meio de um programa, publicidade clara a uma marca de electrodomésticos de cozinha.
O artigo seguinte, o artigo 9º sobre a publicidade oculta ou dissimulada no pontos n.º 1 e 2 refere que fica vedada e proibida o uso de mensagens subliminares ou outro meio dissimulador que explore a possibilidade de transmitir publicidade sem que os destinatários se apercebam da natureza publicitária da mensagem, ou que na transmissão televisiva ou fotográfica de qualquer acontecimento real ou simulado, é proibido a focagem directa e exclusiva da publicidade existente, quando já foi alvo de comentário em algumas revistas de informação o caso de alguma da produção nacional ser patrocinada por marcas que patrocinam certas novelas e depois durante a sua transmissão são focados os produtos patrocinadores, como o caso do patrocinio de uma novela de produção nacional, por parte da água suja do imperialismo americano, expressão aplicada por Salazar.
Publicidade enganosa encontra-se explicita no artigo 11º da lei referida anteriormente, e em muitos dos seus pontos podemos inserir o telemarketing ou a publicidade dos mestres de serviços milagrosos que alem de violar o artigo da publicidade enganosa, viola também o artigo 22º-B sobre a proibição de publicidade sobre produtos e serviços milagrosos, quando todos os dias em qualquer jornal, panfleto, e até já na televisão vemos publicidade à prestação de serviços destes.
Versado no artigo 17º está o assunto da publicidade de bebidas alcoólicas, e no n.º 2 deste artigo está expressamente proibida a publicidade de bebidas alcoólicas na televisão e rádio, entre as 7 horas e as 22 horas e 30 minutos, por acaso nunca ninguém reparou nos anúncios de marcas de vodka.
O n.º 4 deste artigo diz que é proibido associar a publicidade de bebidas alcoólicas aos símbolos nacionais, consagrados no artigo 11.º da Constituição da República Portuguesa, julgo que a bandeira da República Portuguesa é um símbolo nacional, e julgo que a cerveja é uma bebida de teor alcoólico. Será que alguma vez foram associadas uma marca de cerveja e um símbolo nacional?
No artigo 23º onde consta a publicidade domiciliária diz no n.º 1 que a publicidade entregue no domicilio do destinatário, por correspondência ou qualquer outro meio, deve conter, de forma clara e precisa certos pontos, como elementos para identificação do anunciante, este é geralmente respeitado, indicação do local onde o destinatário pode obter as informações de que careça, este também é respeitado maioria das vezes, já os últimos dois pontos quanto à descrição rigorosa e fiel do bem ou serviço publicitado e as suas características, como também o preço e formas de pagamento, bem como as condições de aquisição, de garantia e de assistência pós-venda sobre um bem ou serviço, isso raramente é respeitado.
Apenas irei referir mais um artigo porque o tempo também escasseia, o artigo 24º no seu ponto n.º 3 refere que os telejornais e programas televisivos de informação não podem ser patrocinados, peço que reparem no fim dos telejornais se não há publicidade, e muito menos cumpre o ponto n.º 2 do artigo 8º sobre a identificabilidade da publicidade.
Há mais dois casos que sem basear de momento na lei, por conhecimento geral sabemos que não é legal, o caso da duração do tempo de publicidade na televisão que ultrapassa de longe o tempo especificado por lei, e o caso da publicidade em canais pagos, que supostamente por serem pagos não deveriam de ter publicidade.
No fundo como conclusão ficamos todos a saber, que as leis que versão sobre a publicidade são das mais violadas em Portugal.
A titulo de curiosidade o artigo 34º estabelece as sanções da violação dos artigos anteriormente referidos, as sanções variam entre os 200 e os 9 mil contos em moeda antiga. Se por cada violação fossem as sanções aplicadas muita mais gente andava mal de finanças.
Bem por tanta exposição sobre o mundo jurídico da publicidade arrisco-me agora a apanhar alguns processos, mas o mais provável é ninguém ligar a isto.
quarta-feira, dezembro 10, 2003
GRIPE FASE II
A Gripe contra ataca.. Snif SNif
E pinga o nariz.. SNif Snif
A garganta está inchada... Snif Snif
Doi toda e qualquer articulação ... SNif Snif
O Reumatismo não ajuda .. Snif SnIf
Se a demência e a poesia fossem sempre assim, louvados sejam os céus.
Um pouco de amor próprio para variar.
Ontem além das muitas horas de estudo dediquei uma parte do meu tempo a relembrar um filme que já tinha visto anteriormente. Por volta das 23:45 a RTP passou um filme intitulado de Flatliners ou Linha Mortal em português. Este filme conta com a participação de Kiefer Sutherland, Julia Roberts e Kevin Bacon nos principais papeis.
O filme tem por assunto principal o facto de um grupo de estudantes de medicina que se sujeitam a morrer clinicamente por alguns minutos, correndo o risco de não conseguir a reanimação, para experienciar a morte, e poder voltar para partilhar a experiência.
Não duvido que seja uma curiosidade geral, acho que toda a gente em alguma altura da vida se questionou se há vida para além da morte, ou como será o paraíso, como será a reencarnação, como será apagar, como será viver em espírito, ou qualquer outra crença possível, não há duvida que a morte e tudo o que a rodei é um dos maiores mistérios da humanidade.
Se calhar muita gente já perdeu um ente querido e ficou curiosidade de para onde é que esse ente foi parar, ou quis ir ter com ele nem que fosse por breves momentos, alguns mais excêntricos gostariam de encontrar alguém famoso do outro lado, alguns os seus ídolos, a morte engloba muitos tipos de curiosidade, e o motivo dessa curiosidade pode ser do tipo mais diversificado possível.
Acredito que muita gente era capaz de se expor a tal experiência, alguns diriam aventura, mesmo sabendo que corriam o risco de não serem reanimados e não voltar para este mundo dos vivos. Talvez muita gente ao equacionar o experimentar ou não, pense que se fosse provada alguma segurança tentava, já desde os primórdios dos tempos que a curiosidade e a vontade de saber, move o homem e dá largas à sua evolução.
Eu digo que nem que me garantissem a segurança da experiência eu era capaz de experimentar, não por medo ou falta de curiosidade, medo é pouco, já aprendi à algum tempo a não ter medo da morte e aceitá-la como uma casualidade de estar vivo, a curiosidade não falta com certeza, mas algo convence-me a não arriscar.
O motivo é simples e acho que válido.
Apesar de este mundo não ser aquilo que eu e se calhar muitos esperavam, mas acho que isso será sempre assim com o mundo e com tudo, o inconformismo da nova sociedade urbano depressiva, nunca nada irá ser como queremos, mas apesar disso sou apegado à vida, principalmente à minha vida neste mundo, porque nunca era capaz de trocar os amores e amizades que cultivei neste mundo por qualquer sede de conhecimento, mesmo sendo esta gigantesca, admito que sou extremamente curioso e calculista, imaginativo q.b, mas nada vale mais que as amizades e amores que cultivei nesta vida, e por todas as pessoas que me fazem sentir bem em viver, todas as pessoas que me apóiam, acho que não vale a pena arrisca.
Quando morrer, quero que na minha lapide seja esculpida uma lágrima por cada pessoa que deixei no mundo a amar-me.
Isto é muita pretensão.
Será?
Só espero que se forme um oceano.
Iraque e as suas crianças...
Hoje ao passear por outros blogs resolvir passar uns minutos a pensar em problemas da actualidade, em problemas mundiais... Em problemas que indiscutivelmente ultrapassam a esfera da minha vida pessoal.
A situação do Iraque é algo que sempre me perturbou, de resto como qualquer guerra. Sou contra, sim. Não por ser no Iraque, não por estarem envolvidos os Estados Unidos, mas por ser uma guerra. Talvez seja limitada a minha visão sobre o conflito em causa, talvez não deva criticar já que não tenho planos ou soluções para apresentar. Mas não posso negar o que sinto, o que vejo.
Acima de tudo, não acredito que a violência preventiva de violência seja a melhor solução.
Não acredito que se devam pagar preços tão altos como aqueles que se têm cobrado.
Há muito que me questiono sobre o que é a Justiça... Oh Aristóteles, Oh Álvaro Pais: não consigo acreditar que Justiça exista!
As crianças, meu Deus, as crianças... Não acredito que um dia nos venham a agradecer... Matamos as suas famílias, destruimos as suas esperanças, apagamos os seus sonhos... O que ouvem é o barulho ensurdecedor de armas. Armas diferentes daquelas que vemos nos filmes. Armas a sério que matam o corpo (e a alma dos que sobrevivem). É sangue, não é molho de tomate. É dor, são lágrimas... É um sobreviver indigno! E há quem fale na dignidade da pessoa humana...
As crianças, meu Deus, as crianças... Como explicar a uma criança a guerra?
Tanto às que a vivem como àquelas que a descobrem aqui deste lado, do lado de cá, pela televisão? Como explicar que não é um filme, que é real, que os heróis morrem, que não se vive feliz para sempre.
E como explicar a um filho que o pai morreu na guerra?
Dizer-lhe que o pai é um herói?... De que serve um pai herói se não está cá para o salvar da solidão, da tristeza, da desesperança.
Se calhar nunca viram, mas eu já vi crianças chorarem porque o pai está na guerra. Se calhar nem sabiam porquê, nem onde era a Bósnia. Sabiam que era longe... Que poderia não voltar... Que havia guerra!
Felizmente voltou, hoje vivem bem. Mas poderia não ter voltado, como muitos não irão regressar a casa.
Pergunto-me se se luta por um ideal ou por dinheiro. Pergunto-me se se sabe porque se luta.
Pergunto-me se vale a pena.
Pergunto ao mundo «quem somos nós para impor condutas!».
Os direitos do homem, os direitos das crianças são só para alguns?
Não tenho resposta, admito que não sou ninguém para falar.
Mas se tivesse soluções para apresentar como aquelas que foram tomadas, também não me orgulharia.
As crianças, meu Deus, as crianças... As nossas crianças vão crescer neste mundo?!... Os nossos filhos...
Simplesmente... um desabafo.
Porque nada sei... De política nada percebo... Porque simplesmente penso como um ser humano que vê a angústia nos olhos das crianças e a cara de entrada num caminho de revolta do qual não terão volta...
A situação do Iraque é algo que sempre me perturbou, de resto como qualquer guerra. Sou contra, sim. Não por ser no Iraque, não por estarem envolvidos os Estados Unidos, mas por ser uma guerra. Talvez seja limitada a minha visão sobre o conflito em causa, talvez não deva criticar já que não tenho planos ou soluções para apresentar. Mas não posso negar o que sinto, o que vejo.
Acima de tudo, não acredito que a violência preventiva de violência seja a melhor solução.
Não acredito que se devam pagar preços tão altos como aqueles que se têm cobrado.
Há muito que me questiono sobre o que é a Justiça... Oh Aristóteles, Oh Álvaro Pais: não consigo acreditar que Justiça exista!
As crianças, meu Deus, as crianças... Não acredito que um dia nos venham a agradecer... Matamos as suas famílias, destruimos as suas esperanças, apagamos os seus sonhos... O que ouvem é o barulho ensurdecedor de armas. Armas diferentes daquelas que vemos nos filmes. Armas a sério que matam o corpo (e a alma dos que sobrevivem). É sangue, não é molho de tomate. É dor, são lágrimas... É um sobreviver indigno! E há quem fale na dignidade da pessoa humana...
As crianças, meu Deus, as crianças... Como explicar a uma criança a guerra?
Tanto às que a vivem como àquelas que a descobrem aqui deste lado, do lado de cá, pela televisão? Como explicar que não é um filme, que é real, que os heróis morrem, que não se vive feliz para sempre.
E como explicar a um filho que o pai morreu na guerra?
Dizer-lhe que o pai é um herói?... De que serve um pai herói se não está cá para o salvar da solidão, da tristeza, da desesperança.
Se calhar nunca viram, mas eu já vi crianças chorarem porque o pai está na guerra. Se calhar nem sabiam porquê, nem onde era a Bósnia. Sabiam que era longe... Que poderia não voltar... Que havia guerra!
Felizmente voltou, hoje vivem bem. Mas poderia não ter voltado, como muitos não irão regressar a casa.
Pergunto-me se se luta por um ideal ou por dinheiro. Pergunto-me se se sabe porque se luta.
Pergunto-me se vale a pena.
Pergunto ao mundo «quem somos nós para impor condutas!».
Os direitos do homem, os direitos das crianças são só para alguns?
Não tenho resposta, admito que não sou ninguém para falar.
Mas se tivesse soluções para apresentar como aquelas que foram tomadas, também não me orgulharia.
As crianças, meu Deus, as crianças... As nossas crianças vão crescer neste mundo?!... Os nossos filhos...
Simplesmente... um desabafo.
Porque nada sei... De política nada percebo... Porque simplesmente penso como um ser humano que vê a angústia nos olhos das crianças e a cara de entrada num caminho de revolta do qual não terão volta...
sábado, dezembro 06, 2003
Todos somos guerreiros...
Tenho tido pouco tempo e também não tenho tido muita inspiração. Mas depois de uma fase deprimente e stressante cá estou eu de novo a escrever :)
Obrigado Master_Zica pelo apoio! Sabes sempre o que dizer nestas fases chatas.
As tuas palavras fizeram-me lembrar um excerto do livro «Manual do Guerreiro da Luz» de Paulo Coelho (lá estou eu com a mania dos livros :p ):
«O guerreiro da luz - sem querer - dá um passo em falso e mergulha no abismo.
Os fantasmas assustam-no, a solidão atormenta-o. Como procurou o Bom Combate, não pensava que isto fosse acontecer-lhe; mas aconteceu. Envolto pela escuridão, comunica com o seu mestre.
"Mestre, caí no abismo", diz. "As águas são fundas e escuras."
"Lembra-te de uma coisa", responde o mestre. "O que afoga alguém não é o mergulho, mas o facto de permanecer debaixo d'água."
E o guerreiro usas as suas forças para sair da situação em que se encontra.»
Uma lição para todos esses guerreiros que deram o mergulho... Não se deixem afogar... Não permaneçam debaixo de água... Há concerteza tanta coisa bela na vida para descobrir e para ser vivida! Debaixo de água os sons ecoam distorcidos... Quanto mais fundo se cai, menos luz se vê, mas isso não significa que o mundo seja escuro... Lutem contra a pressão, lutem para sair debaixo de água e vislumbrem o arco-iris, a praia... Não desistam... O nadador salvador pode estar distraído, mas está algures. Tentem, pelo menos, chamar por ele...
Obrigado Master_Zica pelo apoio! Sabes sempre o que dizer nestas fases chatas.
As tuas palavras fizeram-me lembrar um excerto do livro «Manual do Guerreiro da Luz» de Paulo Coelho (lá estou eu com a mania dos livros :p ):
«O guerreiro da luz - sem querer - dá um passo em falso e mergulha no abismo.
Os fantasmas assustam-no, a solidão atormenta-o. Como procurou o Bom Combate, não pensava que isto fosse acontecer-lhe; mas aconteceu. Envolto pela escuridão, comunica com o seu mestre.
"Mestre, caí no abismo", diz. "As águas são fundas e escuras."
"Lembra-te de uma coisa", responde o mestre. "O que afoga alguém não é o mergulho, mas o facto de permanecer debaixo d'água."
E o guerreiro usas as suas forças para sair da situação em que se encontra.»
Uma lição para todos esses guerreiros que deram o mergulho... Não se deixem afogar... Não permaneçam debaixo de água... Há concerteza tanta coisa bela na vida para descobrir e para ser vivida! Debaixo de água os sons ecoam distorcidos... Quanto mais fundo se cai, menos luz se vê, mas isso não significa que o mundo seja escuro... Lutem contra a pressão, lutem para sair debaixo de água e vislumbrem o arco-iris, a praia... Não desistam... O nadador salvador pode estar distraído, mas está algures. Tentem, pelo menos, chamar por ele...
quarta-feira, dezembro 03, 2003
Uma madrugada mais vazia do que o costume.
Tenho estado ausente do mundo cibernáutico por motivos de força maior.
A minha ultima semana foi maravilhosa, fui mesmo feliz, estive seguro e confiante, fui acarinhado por uma pessoa que significa muito para mim, a minha outra parte, a cara metade, a minha alma gémea, ou como ela diz, o meu mais que tudo.
Foi uma grande semana, onde me diverti, e fui feliz, mantive um sorriso na cara em todos os momentos, senti-me acompanhado como se alguém me desse a mão por todo o caminho que antes faria no escuro, senti-me seguro, não me senti clandestino na terra de ninguém.
Esta madrugada, fria e escura, depois de me despedir dela, vaguei um pouco pela rua deserta, pelos sítios onde mais passei com a sua companhia, podia ser do tempo, mas era tudo mais frio e mais sombrio.
Não gosto muito de despedidas, o abraço da despedida é muito mais amargo que o da chegada, no momento da despedida nunca se diz o que se quer, e muito menos o que se sente.
Depois de a ver partir constatei que somos separados por três semanas, não é muito tempo, pelo menos quando estamos juntos três semanas nunca parecem muito, já quando separados três semanas, estas teem tendência a estender-se, mas são bem ultrapassados, pelo menos penso eu.
Cheguei a casa fui buscar um copo com água e refugiei-me no quarto, com o propósito de dormir mais umas horas, visto que as ultimas horas foram passadas praticamente em branco, sempre atento ao momento de a ver partir, pedido ao tempo para se expandir e se perder no infinito, para que fosse possível observá-la no sono sereno por mais uns momentos.
Entrei no quarto e deitei-me na cama muito mais vazia, mas ainda quente de ambos os lados, o cheiro dela na almofada ao lado da minha, uma peça de roupa esquecida, o candeeiro acesso, o seu perfume pelo quarto, a toalha dobrada na cadeira, um quarto vazio cheio de pequenas recordações.
Já me separei das pessoas várias vezes, nem sei quantas vezes já me despedi, vezes sem conta foram bem piores, situações e pessoas diferentes, algumas com um adeus invés de um até logo, muitas delas com um sorriso conformado, outras com felicidade, esta foi diferente.
Todas as despedidas em geral são diferentes, quase todas teem características idênticas, são pessoas diferentes, situações diferentes, perspectivas de futuro variadas, mas sempre com traços em comum.
Tal como outras vezes tive a sensação de não me ter despedido correctamente, de não ter exprimido bem o que sentia, e deixar a outra pessoa levar os meus pensamentos consigo durante a viagem, mas desta vez foi diferente, senti que não disse nada, nem bem nem mal, nem um adeus nem um até logo, nem um adeus triste nem alegre, foi um adeus conformado com o ciclo da vida, e com o que ela me tem para oferecer.
Nunca gostei de me despedir, sempre foi doloroso, por um ou outro motivo, mas desta vez nem é dor o que sinto, nem é tristeza, não é saudade, é conformismo com a situação, um conformismo mal encarado, um aceitar das circunstancias da vida insabido, um encolher de ombros e cruzar os braços, aceitar como se tivesse de ser algo que a vida me tinha preparado, mas como não sou muito crente no destino, revoltei-me em ter de aceitar mais uma despedida de animo leve.
No fundo não sei bem o que sinto, sinto tristeza e solidão, mas não em grande escala, não é a tristeza da despedida, apenas já não me sinto tão seguro, apenas sinto que não vou ser tão feliz como fui na passada semana, apenas sinto que tenho de me conformar com o que a vida dá e com o que a vida tira, sinto que vou envelhecendo, mas fico contente por saber que não estou a crescer, mantenho aquele espírito infantil, e questiono o porquê de a vida ser assim, e não ser como eu quero, sendo que posso dar inúmeras razões para me convencer a mim mesmo do contrario, acho que a vida pode ser como quero, mas continuando nos porquês, gostava de saber a razão do meu conformismo, da despedida resignada.
O motivo que me leva a não procurar a resposta não é o ter de aceitar a vida como ela é, mas sim o facto de no meio de tanto querer saber sobre varias questões da vida, há perguntas que mais vale não serem feitas, há coisas que nem sempre queremos descobrir sobre nós e sobre os outros, por isso mais vale deixar andar a vida, do jeito que ela quer.
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