terça-feira, fevereiro 27, 2007

Não me enganes, o meu desejo está certo.

Que amor não me engana?


Enganei-me eu com sonhos e ilusões que só um desejo enorme de ti levou-me a criar.

Haverá esperança?

Porque sou descuidado com aquilo que desejo, e se o meu desejo viesse a tornar-se realidade, arcava com as consequências como quem embala a vida de mãos erguidas ao sol.


Vou continuar a sonhar, a desejar, e a querer-te num silêncio aflito.

domingo, fevereiro 25, 2007

Eu não tenho é voz.

Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite para passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar
Na aventura dos sentidos

Tu estás só e eu mais só estou
Tu que tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar
Nessa tua mão deserta

Vem que o amor
Não é o tempo
Nem é o tempo
Que o faz
Vem que o amor
É o momento
Em que eu me dou
Em que te dás

Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer
Ser o fim de mais um dia

Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
E a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém
E eu sou melhor que nada

António Variações - Canção do Engate

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

A partilha do momento.

Vejo-te sentada a escrever, não sei o que escreves, para quem escreves, ou sobre o que escreves, apenas vejo-te concentrada como que perdida no profundo interesse do que fazes.
Aproximei-me devagar, passo a passo, num ritmo embalado pela curiosidade do que estarias a fazer.
De cabelos soltos jogados para o lado, cabeça baixa e pescoço desnudado, ombros desvendados e braços prostrados na tarefa, era assim que te via daquele ângulo, e assim fui-me aproximando sem querer dar de mim.
Estava perto, e apoderou-se de mim uma afasia simplesmente por inalar o teu doce aroma. Com a fala trancada no desejo, fiquei em silêncio e apoderei-me dos teus ombros com as minhas mãos e encostei o meu queixo à tua cabeça e sorri.
Percorri com as mãos a suavidade dos teus braços como mãos que escorregam em cetim, cheirei o teu cabelo, fechei os olhos e esperei aquele arrepio de prazer.
Senti que sorrias em reconhecimento do meu gesto meigo e apaixonado, senti a tua mão a erguer-se em busca do meu rosto. Que carícia mais leve. Gesto simples de agradecimento, gesto simples de carinho, gesto simples de quem procura, espelhado na grandeza a quem recebe.
Beijei-te a mão e agarrei de maneira gentil o teu pescoço, sem dar aviso não resisti à tentação de te beijar o pescoço.
Que vil desenvoltura essa, que castigo de prazer, que vontade chicoteada no momento, como se perdiam os meus lábios no teu pescoço, como romantismo em elegância, como fogo no aço, ardendo e soldando os meus lábios à tua carne.
Fechei-me nos meus sentidos, onde aliei-me aos teus, entrando num puro estado de ataraxia, nada mais aconteceu naquele momento que não um beijo meu em corpo teu.
Soltavas um gemido de baque surdo, o teu corpo soltava-se nas minhas mãos, empurravas-te para trás contra mim, como quem forçava a junção dos corpos num só.
Deixando cair a caneta foste virando-te para mim, prendeste-me com um beijo que fez cativo um suspiro meu.
Senti os teus lábios a morder os meus ao mesmo tempo que os teus dedos percorriam os meus cabelos. Agarrei-te no queixo com o indicador e o polegar, apenas para parar por breves segundos todos aqueles beijos apaixonados, onde me viria a perder segundos mais tarde. Nessa breve pausa olhei para ti e sorri, mostrando a minha felicidade, o meu deleite, vendo a tua felicidade, o teu prazer.
Foram nesses segundos também, que ganhei noção de onde estavam as folhas e a caneta em cima da mesa. E enquanto beijava-mos, a minha mão descia do teu queixo, pelo teu peito, pela tua cintura, até à mesa.
Com uma mão a segurar-te o pescoço e tecendo nos teus cabelos, aproveitei a mão livre para escrever algo numa folha.
Larguei a caneta logo após o último traço. Agarrei-te na cara com as duas mãos enquanto te dava um derradeiro beijo apaixonado.
Vidrado em ti, pedi-te que olhasses para aquela folha.
Depois de olhares, reparei numa lágrima solta no teu rosto, que ia de encontro com um sorriso cadente na tua boca.
Sorri de volta e limpei a tua lágrima com os meus lábios. Pedi-te então que me lesses o que lá tinha escrito.
“A minha paixão por ti são todos estes momentos onde me perco em tudo aquilo que me és.”
Fechaste o caderno, demos as mãos e fomos até a varanda olhar o sol.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Não apontes que é feeeeeiii...ai jesus.


Porque existem sempre excepções na vida, este é um caso em que apontar não é feio, é até bem catita.

Ainda sem estar sobre o efeito do Olcadil.

Eu sei o que é a amizade, tenho uma noção que vem sendo concebida ao longo do meu tempo de vida, uma noção formada em massas iguais de um dualismo empírico e ideológico.
Sei que a amizade é uma concepção volátil no seu todo, é alvo de vários entendimentos, e mutações constantes em vários estádios da vida.
Paulatinamente à amizade é acrescentado ou descontado algo, é conceito refém do estojo de química da humanidade e da sua vivência.
Porque a amizade e o seu conceito, pode ser tão diferente de pessoa para pessoa, acredito ter descoberto recentemente algo que me deixou fascinado.
A amizade pode ter um conceito fixo, uma ideia base, uma premissa de partida onde todos podem beber dessa fonte, onde todos podem ver reflexo o que é a amizade.
Esse conceito pilar de amizade encontrei-o nos entendimentos da filosofia, o que é a amizade para a filosofia.
Dizem os filósofos que na amizade encontra-se uma abertura de cada um ao outro como uma espécie de extensão do eu.
Dizia Aristóteles que “a pessoa excelente relaciona-se com o seu amigo da mesma maneira que se relaciona consigo mesma, uma vez que um amigo é outro eu; e, assim, tal como o seu próprio ser é digno de ser escolhido por si, o ser do seu amigo é de igual modo semelhante, digno de ser escolhido por si.”
Já por seu turno, Kant a esta ideia acrescentava os sentimentos quando dizia que apesar de tudo não existe uma importância moral nesses sentimentos, a amizade é um assunto meramente pessoal, que embora exigindo grande parte de virtuosismo, vai contra o requisito universalista do tratamento imparcial para todos, pois um amigo é uma pessoa que é tratada de modo diferente das outras, sendo muitas das vezes imperativo que se dê este primeiro passo para se atingir estágios seguintes de paixão e amor.
No fundo a amizade aparenta ser uma acção racional egoísta, mas que na verdade desta foge. O alargamento do eu feito pela abertura de cada um aos outros, na consumpção de interesses afasta uma ideia de egoísmo, a procura é de um interesse que dando benefícios a nós próprios se irá estender aos outros por inerência do alargamento do eu aos outros, abarcando uma espécie de ser único.
No fundo a amizade é parte de nós que não sendo reflexa nos outros, é parte de nós nos outros e parte dos outros em cada um de nós.
Em suma, um amigo, uma amizade ou várias amizades, não são mais que partes de nós próprios, e demais a mais, partes que sendo nossas devemos amar e preservar em qualquer altura e todo o momento.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Para quem não vê, eu apenas sinto.

Perdido à deriva na minha janela, olho para a rua, vislumbro a lua, e não penso nela.
Mais uma vez pensava em ti, que martírio, que castigo, que vil e cruel momento de prazer, pensar em ti, só em ti e nada mais.
Um sorrisinho doce que vejo em saudade, um cheiro harmonioso que de ti inala, movimentos traçados em pura beleza, que vaidade esta a minha de te vangloriar como parte dos meus sonhos.
Encostado ao parapeito da minha janela, deito a cabeça sobre os braços e suspiro, um suspiro cansado, gasto e usado em tantas outras vezes com o teu nome.
Escondo os olhos por baixo dos braços, estilhaça-me a alma, pouso o queixo na laje fria, penso em tudo que por ti faria.
Isto não é vida para mim, não é a vida que eu quero, mas é a vida que eu levo por não agarrar o que quero com medo de deixar escapar ao de leve por entre dedos, por fraqueza dos braços, por ilusão da alma, por grandeza do sonho.
Levo as mãos à cara, penso na dor, penso no medo, penso nos passos que vou dando, e quantos deles são um passo atrás, o desespero instala, o desejo aperta, a noite fica calma quando sorrio ao pensar no teu ar encoberto por uma aura tão linda como a tua.
Não acredito na minha satisfação saloia e simplista, e ao mesmo tempo tão apaixonada, tão regrada de mim mesmo, onde vou enunciando tudo o que em ti adoro.
Prendes-me ao de leve com breves laivos de ternura, com suaves momentos que se alongam no meu espírito que absorve-te e catalisa como química necessária para cada dia.
Respiro por mim, suspiro por ti, acordo por mim, sonho por ti, não te tenho e já partilho parte da minha existência contigo como quem se entrega nos braços de um anjo sem asas, um ser terreno digno de ser iluminado de forma especial, e assim enquanto andas para mim, mais anseio que não me passes ao lado.
Depois de pensar tudo isto levantei-me da cadeira e nem me lembrava que era cego.
Dei um passeio pelo parque e perguntei-me como era capaz de criar estes sonhos apenas por penitência de uma incapacidade que nunca foi minha.

Esclarecimento.

Venho por este meio informar que tanto este blog (www.naoqueremouvir.blogspot.com) como o blog Vícios Perfeitos (www.viciosperfeitos.blogspot.com) são da minha autoria e do Zica.

Porque muita gente tem vindo a colocar essa questão.
Para o Carlos Barbosa que não é capaz de puxar a barra de navegação para baixo, os últimos post's teem sido do Zica, mas também encontras por ai abaixo post's meus.

Esclarecimentos feitos.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

O rosto e o resto de Eulália.


Na esteira do post anterior do Zica, e é mentira quem disser que lhe ando sempre a cheirar o rabo, a culpa é dele que o põem perfumado, decidi também meter uma foto de quem me presta serviços…de limpeza doméstica.
Esta é uma foto razoavelmente fiel ao aspecto da Sra. Eulália a minha empregada doméstica que cá vem de semana a semana para dar uma mãozinha…na roupa e limpezas.
Ao contrário do Zica eu conheço um pouco melhor aqueles que me são servis, sei que a Sra. Eulália não gosta de esparguete com berbigão, e é fã da novela da noite da TVI.
Ao contrário do Sr. Carlos que o Zica mencionou, a Sra. Eulália não tem um olhar nada esgazeado.
A Sra. Eulália é daquelas mulheres que tem um rosto e o resto muito eterno e pegando em letrinhas da palavra eterno diria que se tirava o primeiro “e” e metia o “n” antes do “r”.
Infelizmente a senhora em questão cobra e bem, e tendo sempre a pagar-lhe um extra pelo bom serviço…doméstico.

O mal afamado Nº5.

Depois do Nº 4 viria indubitavelmente o Nº5, e como sei que o Zica não teve tempo nem paciência para o Nº 5, decidi ser eu a escrever o Nº 5 em sua homenagem.

Qual a importância do Nº5? Qual o significado do Nº5? Qual a sua relação com o seu antecessor Nº4 e com um possível vindouro Nº6?

Pois bem, o Nº5 como se sabe, encaixou-se entre o Nº4 e o Nº6, assim foi decidido pelos antigos.
Sem o Nº5, entre o Nº4 e o Nº6 não haveria nada mais que a pausa entre o Nº4 e o Nº6, pausa essa a que chamam de Bilhinhékes.
O significado do Nº5 é ainda nos dias de hoje um mistério. O misticismo deve-se muito ao facto das religiões não ligarem muito ao Nº5, ora bem o Nº3 é a conta que Deus fez, o Nº6 repetido 3 vezes é o símbolo do belzebu, os mandamentos eram no Nº10, e não seriam divisíveis. O Nº5 era apenas o número no qual multiplicado por dois teria algo sentido, ou seja só teria significado à custa do Nº2 e em prole de se tornar no Nº10, dez dedos nas mãos, nos pés, só na sua indivisibilidade é que o Nº5 teria sentido, e mesmo assim muita da doutrina prefere não proceder desse modo arcaico.

No fundo o Nº5 é um elo perdido, mas ao mesmo tempo pode ser um desobstrutor de consciências, pode ser um desinibidor a vários níveis, ou pode ser a quantidade de gramas de ópio que acabei de consumir à 5 minutos atrás.

sábado, fevereiro 03, 2007

Não me larga esse teu cheiro...

No escuro, sentado ao teu lado ia-me deixando ficar quieto simplesmente a olhar.
Perdido no momento alcancei o teu olhar, que momento distante, que tormento o não poder tocar.
Sentia o teu calor, o marcar da presença, já não aguento sentir os grilhões da contemplação a marcarem-me os pulsos, como me prendes com sorrisos.
Encostei-me para trás de forma a suspirar desapercebido, como ar disperso em fumo de tabaco, fugia de mim correndo para ti.
Porra… dizia eu calado, voltei a olhar, o mesmo sorriso suave que ataca-me a alma e leva de mim a dignidade de um homem rendido aos encantos de… sei lá.
Que alguém me peça para descrever-te e sorrindo fixo o olhar no chão perdendo-me no tempo em vastos pensamentos, como explicar?
Fica! Por favor só mais um pouco, deixa-me olhar-te mais um pouco, nem sabes o que significa esse bocado, por favor senta-te, deixa-me olhar-te e não sorrias senão mais bocados peço.
Já acabou o nosso tempo, e até me riu porque quem disse que passou depressa foste tu.
Quanto a mim, nem sei, eu deixo-me levitar por entre o tempo de cada vez que te olho, não faço ideia se consegues apanhar-me muitas vezes cativado na tua expressão.
E esse riso, que será de mim se não o ouvir pelo recriar da mente, mas que perfeito tom melódico, que não embala nem agita, que comoção enorme encontro no segredo do teu riso.
Não me encontro, e nem estou perdido, apenas fui esquecido quando as escolhas foram feitas.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

A minha candidatura a imagem de fundo do Windows Vista, bem mais interessante que moinhos no horizonte.


Digam lá que não é uma grande imagem de fundo para o Windows Vista?
Se a meterem no fundo do vosso ambiente de trabalho, e por acaso forem utilizadores do sistema operativo Windows, ficam com uma bela vista, ou seja, um Windows Vista.