segunda-feira, setembro 22, 2008

Se calhar tens razão, falhei com a minha vida.

São momentos destes em que vejo que a fragilidade não tem sexo, a dor não tem piedade, a mágoa existe e é patente quando choramos, no meio de uma súbita vontade em desaparecer que não nos dá tréguas.

Não sei quem sou, nem quer o que seja, quem vou ser é segredo, e tenho medo dessa caixa de pandora. Não revelo os meus segredos, guardo em paz a minha alma podre com pensamentos violentos contra mim próprio. Tenho medo de abrir portas por onde saia e me perca, sem nunca poder voltar atrás.

Fosse tudo tão óbvio, e tão certo, tudo tão claro e fácil, e eu saberia responder o quanto vale esta vida.

Vale o que vale, para quem lhe dê valor, vale o que se sabe e não se teme, vale pela candura e pelo sossego, pela paz de espírito sem revolta, sem ciume de outras vidas, sem estar mergulhado em incertezas sobre as provas de um destino.

Balbuciando é que vou vendo, em choro miudinho e resguardado, o quanto é fácil , quando se pretende, forjar em alguém tal culpa, tal derrota, em que ninguém tem de nos odiar pelo que somos, nós próprios cultivamos o nosso ódio por nós mesmos.

Desilusão biológica, produzido com a terra do nosso corpo, a pobreza do nosso espírito e os arados das palavras duras que nos ferem.

Se não fosse por saber o quanto custa, o quanto doí e o sofrimento que causa, já tinha desistido faz muito tempo, de plantar esperanças para um futuro, e tinha optado pela cobardia que parecem querer plantar em mim.

Magoa.

Sei que sou uma daquelas pessoas que não se importaria que me chamassem de falhado, mas isso só seria assim tão simples, se apenas não me sentisse como um.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Coisas que também podem irritar o Dexter.

De repente comecei a escrever aqui no blog, algo que já não fazia faz tanto tempo. Para ser honesto já fazia muito tempo que não escrevia na internet em português. Admito que sabe muito bem.

Eu gosto de falar e escrever em inglês, mas repetir tal tarefa como se tivesse crescido nessa realidade torna-se assustador.

Certas vezes tenho uma sensação estranha, até pode ser embaraçoso admiti-lo, uma sensação de quem se quer perder pelas palavras da nossa língua, dar a volta por todo o vocabulário possível e cuspir dois ou três caroços dessa nossa língua.
Gosto muito da maneira tradicional de certas coisas, não me oponho a mudanças, não sou um saudosista como muitos que ocupam os nossos jardins mentais dando opiniões pelos media ou bradando nas ruas. Sou conservador no que penso que me convêm, mas também no que penso que me dá gosto em manter.
Quando falo com uma data de pessoas em inglês por vezes sinto, e de facto tenho, algumas dificuldades em expressões, não falo apenas de regionalismos, mas a malta nova têm tendência em inventar palavras, expressões e maneiras de falar. Estes dias mandaram-me um e-mail a reclamar de qualquer coisa a respeito do meu cargo num fórum, e vinha escrito no que vim depois a descobrir que é o lolz catz, uma linguagem atribuída a fotos de gatinhos a fazerem palhaçadas naturalmente, como a saltar em pleno ar, etc.

Mais uma que foram inventar, não os recrimino, em Portugal aconteceu o mesmo com os sms, com o escrever como as pitas, com a linguagem usada nos irc's e internet. Não os recrimino. São modas, tendências, mesmo uma verdadeira epidemia.
Sou conservador quanto à linguagem, e apesar de não recriminar quem a altera, sofro e tenho pena pela nossa língua. Não os recrimino, mas admito que não gosto deles. Não gosto do bué, do tasse, do bacano, do achandra ai, do dá uma beca, bué da nice bué da baril, do brotha, do chavalo, do baita, etc. Não gosto. Não gosto porque não me convêm, sou capaz de usar um pah admito, mas não aprecio a falta de suavidade de um "yo tasse bacano".

Para ser sincero em certas alturas já me apeteceu esmurrar esses assassinos, esses pulhas que andam sempre a causticar a nossa língua, abomino interjeições inventadas, vocábulos ordenhados em saliva de boçais gentes, bandidos.

Mas não são os piores, pobres diabos, falam como lhes convêm, nisso não os recrimino, e a mentalidade "sem esforço sabe melhor", não admiro mas aplaudo tal destreza de pensamento. Porque raio haviam de fazer um caminho longo quando se tem atalhos. Sim senhor. A esses pobres diabos que se sentem alumiados pelo facilitismo, não lhes desejo nenhum mal.

Agora aqueles que se intitulam de conhecedores, de sábios, intelectuais nobres, anciãs da sociedade moderna. O guru da aldeia no tempo das altas tecnologias, o que sabe mais que os outros, que aponta e ri. A essa gente que recrimina a boçalidade dos pobres diabos, jovens e inconscientes na maioria das vezes, e de repente arremessa uma jarda com uma catrefada de asneirada, de palavras amassadas e pisadas pela plebe, a essa corja de sabichões, não recrimino, mas desejo-lhes boa sorte na sua busca por uma personalidade sem hipocrisia.

Direito a dizer baboseirinha e protegido legalmente.

De acordo com a Universal Copyright Convention, uma convenção internacional sobre direitos de autor, para obter direitos de autor basta escrever um texto que encaixe num trabalho digno de ser material para direitos de autor, e eventualmente assinar, para automaticamente ter direito ao copyright sobre essa obra.

Apesar de não concordar com isto, eu devo ser uma das pessoas com mais direitos de autor sobre baboseirinhas escritas. Sei que é assustador mas é assim que funciona.

Como funcionam as coisas.

Para os que falam e não ouvem
Passar bem e boa noite.
Para os que apontam e ficam quietos
Passar bem e boa noite.
Para os que riem e nunca choram
Passar bem e boa noite.
Para os que pedem e nunca dão
Passar bem e boa noite.
Para os que se esqueceram de quem são
Passar bem e boa noite.
Para os que tentam mudar tudo isto
Boas sorte este mundo não é o teu.