Com as mãos gélidas agarradas ao lavatório de uma casa de banho imaculada, sinto os pulsos a prensar a loiça fria, cravo os dedos enquanto sinto o pulsar do sangue.
Sinto-me fraco, sinto-me sem fôlego, no meio de tudo por aquilo que estou a passar ainda tenho preocupações estúpidas.
Olho para várias toalhas espalhadas no chão, tento entender o propósito de estarem por ali jogadas de maneira tão pouco aleatória, mas quem as terá colocado à minha volta.
Não consigo pensar, dói-me o corpo, sinto-me fraco. Sinto os braços hirtos como barras de aço banhadas em raiva.
Parece que o ódio consome mais oxigénio que o normal, é como uma chama voraz e descontrolada a roubar toda a vida no meu corpo.
Eu não sou assim, eu não sou esta pessoa, sinto-me vulnerável, sinto-me exposto a mim mesmo, sou alvo dos meus ataques, alvo do meu ódio.
Estou a destruir-me, é a tristeza que me consome, o que quer dizer que sou eu quem a alimenta.
Consegui trair-me depois de tanto tempo simplesmente a enganar-me, a mim e a todos os outros.
Todos os dias a disfarçar as emoções, a tentar misturar-me no meio das pessoas normais, a sorrir com vontade, a rir com gosto, a dizer as verdades na sua forma mais pura sem sequer saber que no meio de tudo isso apenas mentia, a mim e aos outros.
Sou o logro humano, com a sua alma fraudulenta e todos os seus sentimentos eram mentiras, todos menos aqueles que eram escondidos.
E de maneira ardil evitava que fosse revelado o verdadeiro amor, a verdadeira amizade, a mais pura lágrima, ou o mais quente sorriso, tudo o que tinha de bom em mim guardava-o, distribuía o placebo por todos, vendia baratas as emoções criadas por uma mente afogada em medo.
Já não consigo estar em pé, começo a sentir os espasmos no meu corpo, o que é que se passa comigo, tenho medo.
Começo a ter espaços em branco, a perder a noção das coisas, não consigo pensar direito, tenho flashes do que sou, da minha vida, e do que desejo, mas a única imagem fixa és tu, como se fosses um papel de fundo.
É a primeira vez que me vejo ao espelho desde há muito tempo, é a primeira vez que me atrevo a olhar nos olhos, e apenas vejo um mentiroso, uma falsidade crua, à viva força quero ser cego, quero evitar olhar para mim, odeio descobrir o que sou, não quero ser fraco, não me quero render aos mais baixos desejos humanos.
Vejo uma lágrima a cair pelo meu rosto, percorrendo lentamente a minha face, é fria, deve vir do coração.
Pinga do queixo e cai no lavatório como se fosse uma pedra num tambor, o barulho é indescritível ao simples ouvido humano, mas a mim criatura envolta em tristeza que consome e que me tolda o espírito, é igual ao barulho de um corpo morto a cair em cima de uma mesa, um baque surdo e rápido.
Olho para o sitio onde caiu a minha lágrima, no meio de tanto vermelho espesso, parece tinta atirada a uma tela branca e deixada a escorrer, parecem dois pequenos afluentes de um só rio de dor, um rio que antes fervilhava pelo teu amor, pela tua doce existência.
Apercebi-me que já não tenho muito tempo, o corpo começa a não responder e ainda tenho de marcar todo o cliché com um texto a explicar o porquê das minhas acções, só assim vou poder descrever os meus últimos momentos de vida.
Cambaleando e aos encontrões contra as paredes e portas, lá cheguei ao computador.
Despedidas escritas em papel seria demasiado romantismo, e foi o amor que me trouxe até este estado moribundo de alma seca e coração petrificado.
Como explicar ao mundo cientifico que um coração de pedra consegue bombear sangue que flúi e jorra como o fazem os verdadeiros.
Acho de novo incrível o cuidado que tenho em não querer sujar nada em demasia com o meu sangue, são daquelas preocupações imbecis que vêem com a personalidade, é melhor meter papel por baixo do teclado, não quero deixar a mesa marcada com sangue.
Tudo na minha vida é premeditado, apenas escapa aquela grande parte que não controlo que são as falhas dos meus calculismos. Seria de prever que já tinha o blog aberto e pronto para escrever.
Sinto um enorme formigueiro nas mãos e em volta dos pulsos, fiz algo de mal, está a doer mais do que devia, e a dar-me mais tempo do que eu queria.
A minha incompetência espelha-se em todo o lado, só é incrível como por vezes vem a calhar. Foi por um erro de cálculo que consegui ter tempo para escrever tudo isto, e se calhar ter ainda tempo para ler.
Achei por bem descrever os últimos minutos da minha vida.
Nunca pensei ser capaz de chegar a este ponto apenas por não te ter comigo, é assim tão grande o meu desejo e a minha vontade de te ter? Ou será maior o meu desespero por saber que tudo não passa de um sonho impossível?
Nem quando estou prestes a fechar os olhos pela última vez sou capaz de dar uma resposta a uma vida cheia de questões insignificantes do ponto de vista daqueles que não viviam a minha dor e a minha sede por te amar.
Espero conseguir partir e assim fazer com que notes a minha presença neste mundo, para além da simples existência que sempre tive para ti, assim deixo de ser apenas mais uma pessoa com quem te cruzas todos os dias, para ser aquela pessoa que deixaste de ver. E como a pior coisa que conheço da vida é saber do teu sofrimento seja qual for a razão, decidi fazer-te sofrer uma única e derradeira vez, para que posso morrer a odiar-me por isso, e saber que se calhar só com um estúpido esquema trágico, não te fui tão indiferente ao ponto de ser apenas mais uma pessoa na tua vida.
Foi este o caminho que encontrei para ir ter contigo.
Só falta carregar no botão que diz publish e recostar-me na cadeira à espera das ultimas memórias que levo desta vida, e sempre lá no meio a tua cara, com o teu melhor sorriso e o teu mais belo olhar, sinto-me privilegiado por conseguir guardar-te tão real na minha memória.
E assim parto com a certeza que como nunca leste nada do que escrevo, também não irias ler este texto, nem mesmo o teu nome escrito com o sangue numa qualquer folha de papel.
(texto ficcional)
sexta-feira, março 30, 2007
segunda-feira, março 26, 2007
E foi preciso desperdiçar minutos da minha vida para vir cá escrever.
Como sempre tive algum desprezo pelos críticos de televisão, talvez por terem um trabalho bestial para quem apoia actividades amorfas, e eu sempre fui menino de ter alguma inveja de profissões que pagam bem a inércia intelectual e física, decidi experimentar enquadrar o papel.
Na RTP1 depois de ver um programa muito fraco dos Gato Fedorento, e finalmente acertaram, fiquei indeciso entre deixar a TV ligada na TVI ou na RTP1.
Como sou uma pessoa sem amigos, e que costuma lidar com a vida de um modo muito solitário, lamento dizer que a TV acaba por ser um dos poucos estímulos sonoros que tenho perto da minha área de trabalho, até porque por vezes farto-me um bocado de ouvir música.
Então já que tinha de ligar a TV, qual seria o bendito canal que iria fazer-me companhia?
Pois bem, na RTP1 estava a começar os Grandes Portugueses a grande finalíssima, sem danças, sem cantos, e sem cuspidores de fogo, pelo menos em sentido literal.
Na TVI, o programa A Bela e o Mestre já estava a dar e a minha irmã bate entusiasticamente à porta para chamar à atenção para algumas calinadas.
Como bom cidadão de uma sociedade urbano depressiva, poder aliar o vislumbre de mulheres com bons dotes físicos, e juntar a isso um chorrilho de impropérios que demarcam a incapacidade intelectual humana, mudei logo para a TVI.
Primeiro porque fui chamado à atenção pela minha irmã que me garantiu ser divertido poder constatar uma data de asneiradas, e essa ideia já tinha sido reforçada no programa dos Gato Fedorento, segundo porque as asneiradas seriam supostamente ditas por mulheres apelidadas de belas, e terceiro porque tinha uma forte ideia que na RTP1 o Salazar podia ganhar alguma coisa sem envolver dança e isso causa-me alguma confusão, embora eu ache que o senhor tem todo o direito.
A verdade é que ouvi mais o programa da TVI do que realmente prestei atenção, e isto porque realmente estava a trabalhar, em segundo lugar porque afinal elas não eram assim tão belas, terceiro porque todo o cenário consegue ferir a vista a qualquer um que não tenha visão monocromática, e para finalizar o apresentador tinha de ser credenciado pela TVI.
Pelo que vi do programa, sendo que ouvi mais do que vi, consigo agora tecer uma panóplia de comentários.
Para começar, as raparigas não me parecem assim tão ignorantes como já me tinham dito, é verdade que têm falhas graves de cultura geral, mas também aposto que 70% da população portuguesa tem o QI naquele especifico plafond, e muitas das perguntas não são de uma simplicidade linear. A título de exemplo uma das partes mostrava dificuldades na realização de operações matemáticas como divisões feitas à mão, verdade seja dita que conheço muita boa gente licenciada, e com grande nível de cultura que também não as sabem fazer.
Quanto aos mestres nada a apontar, o típico cromo, o mais que rotulado geek, uma espécie humana com quem não sou capaz de me associar, embora consiga admitir alguma inveja por serem capazes de gerir melhor a vida que eu, mesmo até quanto ao nível de sociabilidade.
O melhor do programa, e a única coisa de valor é a Iva Domingues, mas mesmo assim já me pareceu melhor do que se mostra naquele programa.
Guardo um especial “ódio” ao apresentador, um pequeno palhaço que se exibe com orgulho como criança hiperactiva com dois pregos cravados num dos lóbulos cerebrais.
Agora é aquela parte em que vou cascar no júri, e que medo e traumas conseguem eles causar num ínfimo espaço de minutos. A Clara Pinto Correia é a porta-estandarte da hipocrisia pseudo-intelectual. Assassina por completo a imagem da mulher, chega mesmo a profanar a minha imagem do que é uma mulher, é uma mistura de druida hippie que se injecta com grandes doses de estupidez e capaz de comer anormalidade às colheres para arrotar pelo ouvido. Tem a mania que é letrada, que é má e com autoridade, que é uma voz do conhecimento e sapiência, quando na verdade é a cara da frustração, insegurança, e falta de amor próprio, porque ninguém anda naquele estado de apanhadora de bolotas.
O Rui Zink seria o único que merecia da minha parte alguma compreensão, mas o tempo adulterou-o, e agora consegue aliar a si uma sibilante idiotice, e uma alarvidade de quem se acha seguro o suficiente do seu estatuto (seja ele qual for) para poder fazer e dizer o que quiser. É um gajo com claro mau gosto, e pensa que ser diferente é que é porreiro, mas não consegue ser diferente, apenas entra naquele grupo de pessoas que não se consegue inovar para o mundo, mas também não quer largar um foco de luz.
A Marisa Cruz, por muito estranho que pareça, ali naquele programa é adorável, muito beneficiada da companhia que por lá tem.
O argentino que não sei bem o nome, suponho que seja Quevedo, é daqueles seres humanos que ainda não apanharam com dois ou três tiros de caçadeira, vá-se lá saber porque razão. Prima por ser estúpido, odioso, malcriado, incoerente, inútil. Na verdade é um perfeito protótipo de incapacidade humana, perfeita inutilidade, um autêntico desperdício de matéria.
Depois de ter chegado a todas estas simples conclusões, gostava muito de saber como recuperar todos aqueles minutos da minha vida? A quem peço indemnização? E que danos podem provocar tamanha alarvidade, a uma impressionável massa encefálica?
No meio disto tudo quase que apetece salvar a Floribella de ser prensada por um comboio.
Na RTP1 depois de ver um programa muito fraco dos Gato Fedorento, e finalmente acertaram, fiquei indeciso entre deixar a TV ligada na TVI ou na RTP1.
Como sou uma pessoa sem amigos, e que costuma lidar com a vida de um modo muito solitário, lamento dizer que a TV acaba por ser um dos poucos estímulos sonoros que tenho perto da minha área de trabalho, até porque por vezes farto-me um bocado de ouvir música.
Então já que tinha de ligar a TV, qual seria o bendito canal que iria fazer-me companhia?
Pois bem, na RTP1 estava a começar os Grandes Portugueses a grande finalíssima, sem danças, sem cantos, e sem cuspidores de fogo, pelo menos em sentido literal.
Na TVI, o programa A Bela e o Mestre já estava a dar e a minha irmã bate entusiasticamente à porta para chamar à atenção para algumas calinadas.
Como bom cidadão de uma sociedade urbano depressiva, poder aliar o vislumbre de mulheres com bons dotes físicos, e juntar a isso um chorrilho de impropérios que demarcam a incapacidade intelectual humana, mudei logo para a TVI.
Primeiro porque fui chamado à atenção pela minha irmã que me garantiu ser divertido poder constatar uma data de asneiradas, e essa ideia já tinha sido reforçada no programa dos Gato Fedorento, segundo porque as asneiradas seriam supostamente ditas por mulheres apelidadas de belas, e terceiro porque tinha uma forte ideia que na RTP1 o Salazar podia ganhar alguma coisa sem envolver dança e isso causa-me alguma confusão, embora eu ache que o senhor tem todo o direito.
A verdade é que ouvi mais o programa da TVI do que realmente prestei atenção, e isto porque realmente estava a trabalhar, em segundo lugar porque afinal elas não eram assim tão belas, terceiro porque todo o cenário consegue ferir a vista a qualquer um que não tenha visão monocromática, e para finalizar o apresentador tinha de ser credenciado pela TVI.
Pelo que vi do programa, sendo que ouvi mais do que vi, consigo agora tecer uma panóplia de comentários.
Para começar, as raparigas não me parecem assim tão ignorantes como já me tinham dito, é verdade que têm falhas graves de cultura geral, mas também aposto que 70% da população portuguesa tem o QI naquele especifico plafond, e muitas das perguntas não são de uma simplicidade linear. A título de exemplo uma das partes mostrava dificuldades na realização de operações matemáticas como divisões feitas à mão, verdade seja dita que conheço muita boa gente licenciada, e com grande nível de cultura que também não as sabem fazer.
Quanto aos mestres nada a apontar, o típico cromo, o mais que rotulado geek, uma espécie humana com quem não sou capaz de me associar, embora consiga admitir alguma inveja por serem capazes de gerir melhor a vida que eu, mesmo até quanto ao nível de sociabilidade.
O melhor do programa, e a única coisa de valor é a Iva Domingues, mas mesmo assim já me pareceu melhor do que se mostra naquele programa.
Guardo um especial “ódio” ao apresentador, um pequeno palhaço que se exibe com orgulho como criança hiperactiva com dois pregos cravados num dos lóbulos cerebrais.
Agora é aquela parte em que vou cascar no júri, e que medo e traumas conseguem eles causar num ínfimo espaço de minutos. A Clara Pinto Correia é a porta-estandarte da hipocrisia pseudo-intelectual. Assassina por completo a imagem da mulher, chega mesmo a profanar a minha imagem do que é uma mulher, é uma mistura de druida hippie que se injecta com grandes doses de estupidez e capaz de comer anormalidade às colheres para arrotar pelo ouvido. Tem a mania que é letrada, que é má e com autoridade, que é uma voz do conhecimento e sapiência, quando na verdade é a cara da frustração, insegurança, e falta de amor próprio, porque ninguém anda naquele estado de apanhadora de bolotas.
O Rui Zink seria o único que merecia da minha parte alguma compreensão, mas o tempo adulterou-o, e agora consegue aliar a si uma sibilante idiotice, e uma alarvidade de quem se acha seguro o suficiente do seu estatuto (seja ele qual for) para poder fazer e dizer o que quiser. É um gajo com claro mau gosto, e pensa que ser diferente é que é porreiro, mas não consegue ser diferente, apenas entra naquele grupo de pessoas que não se consegue inovar para o mundo, mas também não quer largar um foco de luz.
A Marisa Cruz, por muito estranho que pareça, ali naquele programa é adorável, muito beneficiada da companhia que por lá tem.
O argentino que não sei bem o nome, suponho que seja Quevedo, é daqueles seres humanos que ainda não apanharam com dois ou três tiros de caçadeira, vá-se lá saber porque razão. Prima por ser estúpido, odioso, malcriado, incoerente, inútil. Na verdade é um perfeito protótipo de incapacidade humana, perfeita inutilidade, um autêntico desperdício de matéria.
Depois de ter chegado a todas estas simples conclusões, gostava muito de saber como recuperar todos aqueles minutos da minha vida? A quem peço indemnização? E que danos podem provocar tamanha alarvidade, a uma impressionável massa encefálica?
No meio disto tudo quase que apetece salvar a Floribella de ser prensada por um comboio.
segunda-feira, março 19, 2007
Feliz Dia do Pai
A paternidade pode ser espelhada no sorriso do seu filho e no encanto do seu pai.
Para o meu pai, um feliz dia do Pai, uma feliz vida como pai, e o meu muito obrigado como filho.
quarta-feira, março 14, 2007
Com a qualidade Não Querem Ouvir à qual já vos habituamos.
Tomei a liberdade, com a devida autorização do conselho de administradores, de alterar a playlist por uma que levei muito pouco tempo a criar, e mesmo assim conta com 282 músicas.
Optei por fazer uma playlist diferente daquela que se encontra no Vícios Perfeitos, onde a música é toda dos anos 90 para a frente, e sempre numa onda rock.
Nesta nova playlist, que mesmo não tendo sida concebida em especial para o blog, tentei manter uma coerência temporal que fosse dos anos 80 e regredindo até aos anos 50.
Neste espaço de 30 anos, temos bandas históricas e as progressões dos seus intervenientes, temos os Cream, e temos Clapton no seu trabalho a solo. Temos Jeff Beck e temos The YardBirds.
Temos o melhor dos clássicos.
Uma verdadeira lista de grandes músicas de fazer inveja a qualquer alinhamento de uma estação de rádio, se estivesse tudo numa colectânea de cd's (não pirateados como é óbvio) digo-vos com sinceridade que era menino para comprar.
Espero que gostem de uma das melhores selecções de música alguma vez feitas, dentro destes parâmetros pelo menos.
Optei por fazer uma playlist diferente daquela que se encontra no Vícios Perfeitos, onde a música é toda dos anos 90 para a frente, e sempre numa onda rock.
Nesta nova playlist, que mesmo não tendo sida concebida em especial para o blog, tentei manter uma coerência temporal que fosse dos anos 80 e regredindo até aos anos 50.
Neste espaço de 30 anos, temos bandas históricas e as progressões dos seus intervenientes, temos os Cream, e temos Clapton no seu trabalho a solo. Temos Jeff Beck e temos The YardBirds.
Temos o melhor dos clássicos.
Uma verdadeira lista de grandes músicas de fazer inveja a qualquer alinhamento de uma estação de rádio, se estivesse tudo numa colectânea de cd's (não pirateados como é óbvio) digo-vos com sinceridade que era menino para comprar.
Espero que gostem de uma das melhores selecções de música alguma vez feitas, dentro destes parâmetros pelo menos.
quarta-feira, março 07, 2007
Tive um dia mau e acusei-me.
Todos os dias a ansiedade invade-me o corpo, e a mais leve perspectiva do teu rosto aborda-me a alma com violência, agrilhoando-me à tua memória.
O meu quarto escuro embala-me a tristeza, pequenos feixes de luz rasgam a escuridão de uma alma cada vez mais entregue às sombras de uma esperança defunta.
Nos cantos da boca tenho frases perdidas, afirmações ou declarações menos certas que teria para fazer-te a ti num momento certo, já nem sei ao certo se estava mais perto do que longe de abrir o jogo.
Tento encher a noite com memórias futuras de um sonho precavido do seu final inexistente, foi bom enquanto durou a memória falsa de um desejo real.
Vou preenchendo os espaços vazios de uma noite que nunca foi-me propriamente fiel ou conselheira, nunca tive na figura da noite reflectiva uma grande companheira, não era amiga e digamos que o facto de ser minha conhecida só o era porque não me deixava ignorá-la.
Diria que vivo, embora o mais correcto fosse dizer sobrevivo, evadido de um sonho que tento alcançar, mas com medo que este me alcance e os moldes sejam outros.
Consciente da mais provável verdade, fabriquei nas teias do engano a minha própria verdade, uma verdade piedosa para comigo mesmo, assassinei a sinceridade com dois golpes de esperança, esperança que pudesse enganar-me sem denunciar o meu crime.
Pergunto a todos que se cruzam comigo, quem quer viver a verdade, quem quer a realidade tão perto com sabor árido a deserto de pálida solidão decadente.
Tento fechar-me em mim, nas minhas criações ilusórias de vida, na minha abençoada e ignorante fé de ver o sonho tornar-se em realidade.
Agora olhem para mim, vejam como fujo de tudo isso, como enfrento a vergonha de admitir que sou uma farsa, burlei a minha vida com promessas, trafiquei esperança para cá e para lá, assassinei pervertidamente toda a nobreza de viver na lucidez.
Não sou um oprimido da dor e da desgraça, não sou uma vítima das vicissitudes da vida, não sou um pobre desgraçado que se alimenta de falsas realidades, sou apenas um refugiado em ilusões, sou um renegado da verdade crua.
No meu intimo conheço-me, sei quem sou, consigo traçar o perfil e identificar-me em qualquer situação, mas se cruzar-me comigo mesmo opto por ignorar-me.
Numa timidez envergonhada olho para mim de maneira retrospectiva e abano a cabeça com pesar, que triste ser este que se julga a si mesmo, que aponta as suas fraquezas, que faz pouco da sua falta de sorte.
Que ser vil e desgraçado, que pobre coitado atormentado por si mesmo, que canibal emocional, sozinho…
Estás sozinho a meio do mundo, pareces perdido num ponto de encontro em que tudo se cruza contigo e nada nem ninguém se assume perante os teus olhos.
Apetece-te correr e deixas-te ficar, apetece-te gritar e mordes a língua, queres quebrar o reflexo do modo que o teu ser perplexo enfrenta uma vida que não quer, estás rendido a uma luta que começaste contigo próprio.
Como me arrombam a mente e corrompem o espírito todas estas dúvidas, todo este julgamento sem culpados, eu sei que sou inocente, e foi a minha inocência que me pronunciou, talvez mais que a inocência a própria ingenuidade foi considerada procedência suficiente para não ser absolvido por mim mesmo.
Sou culpado, confesso, fiz-me acreditar que as coisas poderiam ser diferentes se apostasse na esperança, admito que arrisquei, joguei tudo nesse conceito inventado por quem espera sentado pelo aquecer do sol.
Por fim regurgitei os meus pecados, todos os atentados contra mim mesmo, e jurei levar por arrasto todos aqueles que numa cumplicidade ausente formaram toda esta trama para comigo.
Tanto sou eu culpado por obrigar-me a acreditar num sonho, como é culpado aquele que me deixou sonhar, como aquele que não me disse qual era o placebo para o amor, como ainda o outro que se omitiu em fazer-me ver que a estupidez arrastou-me para o fundo.
O meu quarto escuro embala-me a tristeza, pequenos feixes de luz rasgam a escuridão de uma alma cada vez mais entregue às sombras de uma esperança defunta.
Nos cantos da boca tenho frases perdidas, afirmações ou declarações menos certas que teria para fazer-te a ti num momento certo, já nem sei ao certo se estava mais perto do que longe de abrir o jogo.
Tento encher a noite com memórias futuras de um sonho precavido do seu final inexistente, foi bom enquanto durou a memória falsa de um desejo real.
Vou preenchendo os espaços vazios de uma noite que nunca foi-me propriamente fiel ou conselheira, nunca tive na figura da noite reflectiva uma grande companheira, não era amiga e digamos que o facto de ser minha conhecida só o era porque não me deixava ignorá-la.
Diria que vivo, embora o mais correcto fosse dizer sobrevivo, evadido de um sonho que tento alcançar, mas com medo que este me alcance e os moldes sejam outros.
Consciente da mais provável verdade, fabriquei nas teias do engano a minha própria verdade, uma verdade piedosa para comigo mesmo, assassinei a sinceridade com dois golpes de esperança, esperança que pudesse enganar-me sem denunciar o meu crime.
Pergunto a todos que se cruzam comigo, quem quer viver a verdade, quem quer a realidade tão perto com sabor árido a deserto de pálida solidão decadente.
Tento fechar-me em mim, nas minhas criações ilusórias de vida, na minha abençoada e ignorante fé de ver o sonho tornar-se em realidade.
Agora olhem para mim, vejam como fujo de tudo isso, como enfrento a vergonha de admitir que sou uma farsa, burlei a minha vida com promessas, trafiquei esperança para cá e para lá, assassinei pervertidamente toda a nobreza de viver na lucidez.
Não sou um oprimido da dor e da desgraça, não sou uma vítima das vicissitudes da vida, não sou um pobre desgraçado que se alimenta de falsas realidades, sou apenas um refugiado em ilusões, sou um renegado da verdade crua.
No meu intimo conheço-me, sei quem sou, consigo traçar o perfil e identificar-me em qualquer situação, mas se cruzar-me comigo mesmo opto por ignorar-me.
Numa timidez envergonhada olho para mim de maneira retrospectiva e abano a cabeça com pesar, que triste ser este que se julga a si mesmo, que aponta as suas fraquezas, que faz pouco da sua falta de sorte.
Que ser vil e desgraçado, que pobre coitado atormentado por si mesmo, que canibal emocional, sozinho…
Estás sozinho a meio do mundo, pareces perdido num ponto de encontro em que tudo se cruza contigo e nada nem ninguém se assume perante os teus olhos.
Apetece-te correr e deixas-te ficar, apetece-te gritar e mordes a língua, queres quebrar o reflexo do modo que o teu ser perplexo enfrenta uma vida que não quer, estás rendido a uma luta que começaste contigo próprio.
Como me arrombam a mente e corrompem o espírito todas estas dúvidas, todo este julgamento sem culpados, eu sei que sou inocente, e foi a minha inocência que me pronunciou, talvez mais que a inocência a própria ingenuidade foi considerada procedência suficiente para não ser absolvido por mim mesmo.
Sou culpado, confesso, fiz-me acreditar que as coisas poderiam ser diferentes se apostasse na esperança, admito que arrisquei, joguei tudo nesse conceito inventado por quem espera sentado pelo aquecer do sol.
Por fim regurgitei os meus pecados, todos os atentados contra mim mesmo, e jurei levar por arrasto todos aqueles que numa cumplicidade ausente formaram toda esta trama para comigo.
Tanto sou eu culpado por obrigar-me a acreditar num sonho, como é culpado aquele que me deixou sonhar, como aquele que não me disse qual era o placebo para o amor, como ainda o outro que se omitiu em fazer-me ver que a estupidez arrastou-me para o fundo.
sábado, março 03, 2007
Para o Carlos uma mensagem de apoio.
Estranho é o sono que não te devolve.
Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreende
e por fora é
apenas peso de ser tarde.
Como é amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.
Daniel Faria
de Explicação das Árvores e de Outros Animais
1998
Escolhi este poema como forma de homenagear e respeitosamente apresentar os meus pêsames ao Carlos e à sua família pela perda do seu avô.
Em ti Carlos reconheço-te a força para ultrapassar toda a situação, em ti reconheço o respeito para homenageares o teu avô com a tua vida, em ti reconheço a bondade e carácter para com saudade recordar e guardar no fundo de ti a memória de um grande homem, assim como o homem que se já não és, não duvido que o serás.
Um grande abraço e podes contar comigo para o que for preciso.
Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreende
e por fora é
apenas peso de ser tarde.
Como é amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.
Daniel Faria
de Explicação das Árvores e de Outros Animais
1998
Escolhi este poema como forma de homenagear e respeitosamente apresentar os meus pêsames ao Carlos e à sua família pela perda do seu avô.
Em ti Carlos reconheço-te a força para ultrapassar toda a situação, em ti reconheço o respeito para homenageares o teu avô com a tua vida, em ti reconheço a bondade e carácter para com saudade recordar e guardar no fundo de ti a memória de um grande homem, assim como o homem que se já não és, não duvido que o serás.
Um grande abraço e podes contar comigo para o que for preciso.
sexta-feira, março 02, 2007
Rendido entretanto...
De olhar malandro olhei para o teu lado, no teu jeito mimado fui-me equilibrando fui logo cativado.
O teu sorriso balançado entre carinho e simpatia, deixa me vidrado numa suave melancolia, esse olhar rodeado de brilho e encanto faz me suspirar um outro tanto, pensando como me perdia em todos os teus gestos.
Fascinado vivo eu na tua presença, quase que uma crença, ilusão paladina de um desejo de rompante.
Dás-me tanto na tua simplicidade que até temo um gesto sentidamente dirigido a mim, que ardor não terá na sua abrupta memória.
Fico à espera, dedilhando no joelho, num nervoso corrosivo, perdido, desorientado, entre o impulso do que sinto, e a verdade que não tenho presente em mim.
És desconcertante, e incoerentemente fascinante, és brilho, és sombra de um sonho vivo, és todos os sons e figuras que tomam de assalto a mente, és sinal de fogo em pele ardente.
Quero tocar-te como gelo, sentir-te a queimar-me as mãos, cravar em ti os meus dedos, passar para ti segredos, viver envolto nos teus risos, e fundir-me no teu significado.
És sujeito, e predicado, frase feita para o mal amado, és cliché de arte pura, musa reluzente em luz latente e dura que me queima a vista.
Manda-me calar com os teus dedos nos meus lábios, deixa-me cheirar o teu cabelo, beijar-te o queixo, ser jogado e agarrado por ti, pegar-te ao colo, agarrar-te nos ombros dormir encostado na tua nuca.
Acaricia-me a cara, promete-me conforto, garante a segurança dos teus afagos, salva-me de uma existência sem ti.
Agarra-me e não me largues, não me conduzas mas atrai-me, chama-me ao teu encontro, esconde-te e eu encontro forma de me esconder contigo.
Sopra-me ao pescoço, canta-me uma canção, dorme de mão dada comigo e faz de tudo um deja vu, porque tudo o que viver contigo prefiro que sejam duas vezes.
Repete-te, inventa-te de novo, quero descobrir-te todos os dias, quero saber como te recrias e me constróis a mim pedaço solto de ti.
Leva-me pelo teu caminho guiado pelo teu sorriso, perdido no juízo crente e profundo que saberei ser feliz contigo e mais ninguém.
És tu quem eu escolhi, és tu quem eu quero, agora e sempre até que a boca mente não dizendo o que sente, nunca te largarei a mão nem te negarei um sorriso, porque a ti rendi-me entre tantas outras soluções.
O teu sorriso balançado entre carinho e simpatia, deixa me vidrado numa suave melancolia, esse olhar rodeado de brilho e encanto faz me suspirar um outro tanto, pensando como me perdia em todos os teus gestos.
Fascinado vivo eu na tua presença, quase que uma crença, ilusão paladina de um desejo de rompante.
Dás-me tanto na tua simplicidade que até temo um gesto sentidamente dirigido a mim, que ardor não terá na sua abrupta memória.
Fico à espera, dedilhando no joelho, num nervoso corrosivo, perdido, desorientado, entre o impulso do que sinto, e a verdade que não tenho presente em mim.
És desconcertante, e incoerentemente fascinante, és brilho, és sombra de um sonho vivo, és todos os sons e figuras que tomam de assalto a mente, és sinal de fogo em pele ardente.
Quero tocar-te como gelo, sentir-te a queimar-me as mãos, cravar em ti os meus dedos, passar para ti segredos, viver envolto nos teus risos, e fundir-me no teu significado.
És sujeito, e predicado, frase feita para o mal amado, és cliché de arte pura, musa reluzente em luz latente e dura que me queima a vista.
Manda-me calar com os teus dedos nos meus lábios, deixa-me cheirar o teu cabelo, beijar-te o queixo, ser jogado e agarrado por ti, pegar-te ao colo, agarrar-te nos ombros dormir encostado na tua nuca.
Acaricia-me a cara, promete-me conforto, garante a segurança dos teus afagos, salva-me de uma existência sem ti.
Agarra-me e não me largues, não me conduzas mas atrai-me, chama-me ao teu encontro, esconde-te e eu encontro forma de me esconder contigo.
Sopra-me ao pescoço, canta-me uma canção, dorme de mão dada comigo e faz de tudo um deja vu, porque tudo o que viver contigo prefiro que sejam duas vezes.
Repete-te, inventa-te de novo, quero descobrir-te todos os dias, quero saber como te recrias e me constróis a mim pedaço solto de ti.
Leva-me pelo teu caminho guiado pelo teu sorriso, perdido no juízo crente e profundo que saberei ser feliz contigo e mais ninguém.
És tu quem eu escolhi, és tu quem eu quero, agora e sempre até que a boca mente não dizendo o que sente, nunca te largarei a mão nem te negarei um sorriso, porque a ti rendi-me entre tantas outras soluções.
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