O que ao início podia ter sido uma música agora são palavras ditas em loop com sentido só para quem sente.
Desculpa se as minhas mãos estão trémulas, nunca aprendi a gostar, e estou demasiado habituado a perder.
Não te quero causar insegurança, desculpa se penso demasiado, desculpa se falo de mais, é o nervoso que faz vibrar as cordas vocais.
Nunca pensei que pudesse me agarrar assim, nunca pensei que tivesse tanto medo de fechar os olhos, é a diferença entre o rapaz e o homem, ainda sou rapaz.
Desculpa se não te quero largar a mão, se quero manter o teu odor bem perto do meu peito, com medo que não volte a cheirar o teu perfume que a minha mente cria todas as manhãs.
Soltei-me, larguei sem querer amarras que me prendiam a um fundo negro, e ainda me estou a habituar a ver a luz.
Abro as pálpebras devagar e vejo um sorriso, fico logo com o olhar preso, fixado nos teus olhos profundos que me gastam o pensamento.
Não sei lidar com o tempo, sou mau a dar-me com vontades, não consigo matar desejos, e evitar saudades, ensina-me o que fazer.
Sem querer entregar-me, já me encontro jogado aos teus pés, não sei andar, não sei dar os passos de que falas, ajuda-me.
Tudo parece tão escuro a não ser aquela luz ao fundo, está de braços abertos e sorriso rasgado, caminho para ela, mas preciso que me guies, guia-me até ti.
Já não sei o que diga, não sei o que escrever e repito-me até a exaustão, cala-me com um beijo, segura a minha face com as tuas mãos e diz-me com o teu olhar que tudo vai correr bem.
Olho para ti como uma criança que descobre o mundo, passo a vida a sorrir para ti com a tua paixão como fundo.
Sem comentários:
Enviar um comentário