domingo, julho 24, 2005

O som do teu ser tem muitos tons graves.

Ecos dos teus passos parecem uma dança flamenca na minha mente, sinto-te a chegar tão perto em passo acelerado que ecoa tão distante.

Os meus sonhos parecem dançar um tango com a insónia que sofro, a violência das lembranças, os momentos em que estou desperto, o facto de o sono não pesar.

Oiço um saxofone a tocar tons melancólicos ao mesmo tempo que observo o teu vulto por uma porta iluminada, acompanha o piano cada passo que dou até abrir a porta, espreito e vejo que é tudo imaginação, mas sinto o teu pé a bater no chão, sinto as tuas mãos a percorrer-me a face, sinto-te bem perto e desperto ao som de um violoncelo que marca mais uma corrida em busca de ti.

Que som é este, que tom nostálgico tem aquele trompete, será a saudade? Serão estes instrumentos figurinos de sentimentos, serão eles os mais básicos elementos de uma noite de verão a ouvir jazz, a sentir o calor e a luz da lua reflectida na parede e não no tecto.

Afundo o meu olhar que está focado num ponto solto do pensamento, desenho a perspectiva ao som de um baixo acompanhado a piano, um som que se torna frenético como o som de alguém a subir e a descer umas escadas em busca de algo ou alguém que não sabe onde se encontra.

Abro a porta e fecho a porta para outro pensamento, rasgo um sonho e desenho outro, e o piano sente-se mais intenso, não consigo acompanhar a partitura, tento escrever mentalmente o mais depressa que posso, escrevo-te dezenas de cartas onde repito sempre a mesma coisa, tenho saudades tuas.

O tom grave do violoncelo começa a baixar o ritmo, sinto-me cansado, procuro-te e só te encontro na mente, onde te abraço sem mais largar, dali não foges tu, dali não sais de maneira alguma, nem que te prenda com o entrelaçar das mãos ao som de notas musicais que te embalem nos meus braços.

Que saudade de um sorriso teu, do teu beijo, do teu olhar, que saudades tenho eu de ti, volta para mim no espaço de um breve compasso.

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