Depois de rever mais do que uma vez os seus recentes comentários e acutilantes observações pejadas de uma inabalável crença em que tem razão no que diz, este distinto cidadão afastado do mundo político de uns anos para cá, teve uma intervenção que me deixou estupefacto.
Achei interessante a sua análise aos anteriores e posteriores Bastonários, o anterior seguia as minhas ideologias, e não eu as dele, o meu sucessor foi absolutamente irrelevante no cumprimento dos deveres de Bastonário e nos objectivos formais da Ordem como ainda foi uma nulidade na busca dos objectivos materiais da prossecução das máximas da justiça e moral. Em parte até concordo no que diz respeito ao sucessor. E por fim faz a sua análise inchada com argumento de autoridade, deste legítimo defensor do que deve ser um Bastonário, quase como que a dizer, isso do Bastonário fui eu que inventei.
Antes de mais nada quero deixar claro que sempre tive uma opinião sobre Marinho e Pinto, porque sim eu também sou opinativo quando quero.
O actual Bastonário da Ordem dos Advogados, é uma pessoa que me causa um misto de ideias por vezes contraditórias. Partilho da opinião de muita gente que tenho ouvido, é sem dúvida um homem terra a terra, que se consegue ver no meio do povo, e até quem sabe ser o povo.
Uma espécie de Carvalho da Silva com uns palmos de testa, e com noção do que está a dizer, sem medo de apontar o dedo mesmo sabendo que é feio, diz o que se supõem muitas vezes ser a verdade que ninguém expõem ao claro, levanta as suspeitas que todos fazemos no dia a dia sobre a corrupção e a forma de funcionar deste país. Basicamente se formos interrogar um cidadão comum, o que Marinho e Pinto faz é dizer o que todos sabem, mas não falam.
Quanto a isso não tenho nada contra a pessoas que sejam terra a terra e se sintam próximos do cidadão comum, até é de louvar e quase refrescante que alguém com algumas verdadeiras responsabilidades neste país se sinta capaz de aproximar-se do povo e constatar que algo está mal em certas áreas da justiça. Eu como cidadão comum quase que fico agradecido por não serem ignoradas as dúvidas e suspeitas que partilho com milhões de outros cidadãos como eu, pelas entidade com algum poder de as questionar publicamente, fazendo alguma pressão para que algo mude.
Seja como for apesar de achar que Marinho e Pinto fez parte do seu papel, para além das formalidades de Bastonário, eu pessoalmente tenho em mim a convicção de que o deveria ter feito de maneira mais subtil, bem mais subtil que o Manuel Subtil, e muito mais subtil que o Bernardino Soares. Devia lançar as dúvidas, dizer que as conhece, pegar nas suspeitas e encontrar a verdade, e fazer alguma pressão para que se tomem medidas, como se estivesse a dizer, estou a vigiar-vos e é bom que se mexam. Apontar o dedo acusador é menos subtil e pode ser alvo de criticas como veio a ser o caso.
O Dr. José Miguel Júdice, foi um dos críticos a essa tomada de atitude. Na entrevista que deu disse que Marinho Pinto era inteligente, "populacho", forte, gordo, demagogo, que levantava acusações infundadas, que era como o Mussolini ou o Hugo Chavez, que não tinha a voz de cana rachada do Louçã, que o dever do Bastonário não é falar ou envolver-se na política, e que não gostava dele.
Para ficarmos desde logo esclarecidos, não existe um curso no ensino especificamente para nos tornar-mos políticos, temos cursos que são mais propensos, e têm maior ligação com o universo político, como o curso de ciência política, direito, e mais um ou outro. Se o Bastonário da Ordem dos Médicos se envolve na política, como representante de uma ordem profissional, mais sentido faz que o Bastonário da Ordem dos Advogados o possa fazer, até porque o direito, as leis, a política estão naturalmente ligadas, dai existirem legisladores e tudo, mas se calhar em vez de leis deveríamos fazer implantes e cirurgia estética a torto e direito nesse nosso mundo político.
Continuando, denominar Marinho Pinto como inteligente e forte não compensa o facto de ter dito que era também um demagogo que levanta acusações infundadas, sem presumir a inocência das partes que acusa, que apenas o faz para cair nas graças do povo, sem sequer ser magro e mesmo assim pretender ser como o esbelto Hugo Chavez.
Evidências à parte quanto à estrutura física do homem, acho que ser comparado a Mussolini ou Hugo Chavez é ainda em Portugal algo ofensivo. Acho que o Mussolini não era muito popular no seio das suas gentes, quer dizer não no sentido que se pretende, e o Marinho Pinto não é nem de perto nem de longe capaz de se tornar num Hugo Chavez.
Com tudo isto dá claramente para retirar algumas premissas. José Miguel Júdice está nervoso, tanto tempo ausente da política por opção e sem deixar saudades, e agora vem politicar e falar de politiquices. Com que autoridade? O Bastonário da Ordem dos Advogados não pode falar de política, mas o cidadão Júdice pode falar porque não desempenha um cargo que este acha que devia imiscuir-se de opiniões políticas? Sinceramente não vejo razão nenhuma para que o Bastonário não possa envolver a política ao de leve, se isso ajudar a cumprir os objectivos formais e materiais do seu cargo. Marinho e Pinto apenas apontou alguns problemas que todos sabemos existir e aos quais se mostra alguma inércia
Preocupa a José Miguel Júdice que Marinho e Pinto se venha a candidatar ao cargo de Presidente da República, ficou claramente nervoso, mas a razão é que não entendo. Estaria Júdice a pensar fazer o mesmo percurso? Não faria sentido estando tanto tempo ausente do mundo político. É pelo facto de Marinho e Pinto ser um homem do povo e logo apontado como a grande ameaça da esquerda política que incomoda José Miguel Júdice? Segundo mentes mais entendidas nestas lides, José Miguel Júdice é mais papista que Paulo Portas. Não sei se é mais devoto que este, mas está mais à direita que Paulo Portas. Será que Marinho e Pinto incomodou algum amigo de José Miguel Júdice?
Sinceramente não sei. Sei é que muito tempo sem observar grandes participações de José Miguel Júdice nos media, vem este agora aparentando grande irritação e mostrando-se incomodado com o papel desempenhado por Marinho e Pinto enquanto Bastonário da Ordem dos Advogados.
Parece quase aqueles meninos que não deixa mais ninguém brincar com certo brinquedo, porque tem a mania que só ele é que sabe como se faz.
Em jeito de balanço final, achei que as declarações de Marinho e Pinto não foram nada subtis, mas as de José Miguel Júdice foram bem piores nessa matéria. Talvez impulsionadas por uma clara irritação, talvez porque caiu num claro mau gosto no modo como falou de Marinho e Pinto, sem grande classe e com um claro intuito de atingir a imagem de Marinho e Pinto a todo o custo, de fazer com que fiquem desacreditadas as palavras de Marinho e Pinto através de "insultos" quase a roçar o estilo oratório de Joe Berardo sem a aparente iliteracia.
Acho que José Miguel Júdice esteve mal, pareceu e soou mal, além de que não foi na altura mais oportuna nem com o sentido mais conveniente.
Eu já adivinhava que Marinho e Pinto iria pagar a falta de subtilidade com ataques e criticas, mas nunca pensei que usurpassem as criticas mal construídas e de mau gosto ao Joe Berardo.
Só espero que o Louçã se mostre homenzinho suficiente para não utilizar uma expressão do tipo "coçado como o Júdice" na Assembleia da República quando se dirigir para atacar alguém.
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