segunda-feira, março 27, 2006

Chuva em mês de Agosto.

A chuva tépida que sinto
Escorrer-me pelo rosto
Apanho-a com o gosto
De quando me minto

Não são gotas de chuva
São lágrimas de muita dor
E como vinho vem da uva
Da lágrima penoso é sabor

Cai pela face tão triste gota
Como solidão dos teus dedos
Que penetram minha alma rota
E remexem em meus medos

Verte fria e brumosa mágoa
Exalas um cheiro a chaga
Podre está a minha alma
Despedaçada de tanta calma

Quero guerra não quero paz
Quero guerra pura contigo
Saber do que sou capaz
Para te conquistar comigo

Para te ter pela força do desejo
Tu nem sabes como almejo
O teu tão doce e sereno ser
E como para mim é vital ter
Tua atenção e o teu carinho
Sem o qual estou sozinho
Na companhia da minha dor
E que necrófago e negro odor
Exala a esperança de um crente
Em tudo aquilo que sabe e sente

Quando me fechas a janela
Onde entra o ar da vida
Sinto o embaciar daquela
Que era a porta mais querida
Por onde entrava o sol quente
Que mantinha vivo o coração
Mas agora nem mesmo que tente
Se consigo dar volta à razão
Que me diz ter sido vitima
Do teu bem-querer sonhando
E a minha intenção legitima
Foi viver sempre amando.

Petr Ganz

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