São lágrimas de absinto
Que choro quando sinto
Se disser que por ti não foram
Minto
E ninguém mente o que sente
Não conscientemente
Quando sente verdadeiramente
E foi sempre na mesma pele
Que a tinta de papel
Escrevi o teu nome
Num pensamento que some
Pelo teu odor a mel
De tão doce que pareces
E sinto que mereces
Mais do que o mero sentimento
Que de mim conheces
Faço passar o tempo
Lembrando-me de ti
Peço por um sentimento
Que não fui eu que o escolhi
Luto contra o tempo
Enquanto espero por ti
Pensando se em algum momento
Para ti eu existi
Faço para que repares
Que de ti me aproximo
Sem nunca tu mandares
Um sorriso ou um mimo
Sinto-me invisível
O cansaço e a demência
Começam a atingir o nível
Do amor em decadência
Desistir não é remédio
Em doença do coração
Mesmo que por muito tédio
Seja a simples solução
De esperar pacientemente
Por algo melhor
Por algo que eu tente
Que lute e consiga
E na esperança menor
Encontre o que persiga
Aquilo que se sente
Não tem o que se lhe diga
Não procuro uma cura
Só acalmar o desejo
A minha vontade é pura
Sempre que te vejo
Querer cuidar e proteger
Tudo aquilo que tu és
Que me fez enternecer
E jogar-me a teus pés
Com parca esperança
De uma hipótese à vista
Mantenho na lembrança
Que não há como resista
A sonhar contigo acordado
Não há lágrima ou suspiro
Que por ti não haja dado
Se de mim nada queres
Aviso-te que jamais retiro
Que és a única das mulheres
Que me sufoca o respirar
E não tenho outra escolha
Senão agarrar o que me deres
E por algo mais esperar.
Petr Ganz
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