Gosto de ouvir o teu riso. Mesmo que fosse por uma coisa tonta, que nem entendi bem, adorei ouvir-te rir com vontade.
Acho piada que fiques incomodada quando tento ser meigo contigo, como se isso te assustasse mais do que tudo. Não me importo de fazer a conversa solta do costume, com as ordinarices pelo meio, os insultos a picar, tudo na brincadeira e descontraído, mas de cada vez que sinto em ti, na tua voz, no teu gesto, algo que me diz que não estás bem, quero tanto abraçar-te dar um beijo na cabeça e dizer que vai ficar tudo bem.
Sei que não sou a pessoa que o pode fazer, e talvez nem a que tu queiras que o faça, eu próprio sei que não o posso, mas não deixo de sentir essa vontade.
Não te quero passar a ideia que quero cuidar de ti, mas é mais forte do que eu preocupar-me com as pessoas, principalmente aquelas que fazem parte do meu dia.
Gosto da tua companhia, mesmo quando me deixas calado a ouvir o que fazes, enquanto sou obrigado a olhar para a relva a ser regada, quase como se fosse a imagem que melhor reflecte a minha inutilidade. Tenho pena de não te arrancar mais sorriso, mais risos, mais suspiros, bons momentos durante o dia.
Não pretendo nada com isso. Só fazer parte do teu dia, parte da tua vida. Só quero aquele espaço em que seja preciso, em que sintas a minha falta, e eu a tua, e nada mais. Quero ser parte útil da tua existência, um resto de felicidade, uma voz que te embala e acalma, uns braços que te guardam, um sorriso que te estima, um olhar que te valoriza por quem és.
Gosto de tentar ver para lá do que vendes. Caminhar para além do que me mostras. E tantas são as vezes que penso que é ai que te perco, nesta minha insistência de ir mais além na tua vida, de te ver mais como és.
De abrir alguns dos teus segredos, partilhar alguns dos teus medos, segurar-te a mão e ficar ali contigo.
Não quero mais nada. Apenas quero mostrar-te o que vejo, o que vejo em ti. Quero que vejas o brilho, e tudo o que renegas. Que entendas que és melhor do que pensas, mais alguém do que julgas, que és muito mais do que te deixas ser.
Quero afastar os cabelos que o vento manda para a frente dos teus olhos, afastar os cabelos que se prendem nos teus lábios, sorrir, olhar-te nos olhos e deixar que retires da minha alma a imagem que tenho de ti.
1 comentário:
arrepiada....
gostei de tanta sensibilidade :)
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