segunda-feira, outubro 06, 2008

Menos acertivo mas bem comigo mesmo. Poderás dizer o mesmo?

Aqui me tens prostrado à minha insignificância, despojado de alegrias, pejado de melancolias e em silêncio bruto e pálido.
Não perturbo, nem por exacerbado castigo, doença em que me abrigo, ou por ser mesmo assim, não perturbo nem chateio, não caustico por não ser desse tipo de pessoa.
Já deves ter ouvido falar, de ambição, destreza, e saciedade ímpar, tudo arrogância de quem se julga, de quem se toma e vê com um chapéu maior que o dos outros.
É ter a alma vazia de sonhos, mas cheia de gritos medonhos, angustias e insatisfação racional, será isso que te move a ser como és?
Com ponta de lança amolada em língua áspera, vais picando os outros com ocas demonstrações de gente, é assim que ficas contente, numa superioridade bacoca, mais banal e desinteressante do que oca, puramente oval, discutindo quem veio primeiro o ovo ou a galinha.
És esse tipo de gente, que se frustra a demonstrar, eu sou assim, eu sou assado, eu sei isto, eu tenho um passado, planeio um grande futuro, e no entanto estou ausente, do meu presente, onde sou mais gente que morgado amado por pai e mãe.
Que besta bestial em que te transformas de cada vez estalas os dedos e dizes eureka, já sei como os tramar, tirar partido, aprisionar a razão do meu lado como escudo e espada, com que te defendes e esgrimas uma opinião vazia de curiosidade ou reflexão.
Porque tudo é matemático no mundo, tudo é rígido e cientifico, não há margem para iluminismo, humanismo, romantismo, qualquer tipo de movimento que divague um pouco das tuas verdades, ou se calhar das tuas vaidades secretas.
Capaz de afirmar que não é mais que os outros, nem disso tem intenção, não se pretende nobre nem vil, meio termo era o ideal, balanceado nos anais da sua história, desde petiz rapaz envergonhado, nunca superior a ninguém, que altruísmo tão bem dotado. E no entanto, é tanto o esforço que se pode ver, ao tentar alcançar o cume onde se pode exibir com altivez, e gritar em plenos pulmões "louvado seja eu por existir, assim dando significado à vida destes outros infelizes".
Mas que douto ser, mestre da sabedoria, senhor de inigualável sapiência, só é pena que não haja paciência para ouvir tudo e mais alguma coisa que tens para dizer.
Com uma casa cheia de taças e medalhas, símbolos de pequenas batalhas, intelectualmente verbais, ganhas por insistência, por moer até romper a corda dos mais meticulosos, que da persistência fazem sua bondade, numa constante regularidade para com a paciência, aqueles que aturam tudo o que lhes mandas, mas mesmo assim, desesperam por te ouvir calado.
Não fosses tu tão singular indivíduo, mandavam-te passear com falta de modos.
Se calhar não o fazem, por pena, ou por algo mais nobre, talvez amizade ou simpatia, porque pena pode ser considerado um insulto, logo a quem, personagem tão astuto, de magnificência e superioridade sem igual, o homem da palavra transcendental.
Que se faça lei, pois a excelência abriu a boca. Nenhum assunto morre na presença de tal mente, só existe uma solução, toda a razão e certeza a uma só voz, porque este mundo não foi feito com liberdades de interpretação ou pensamento, foi feito para regras e traves mestras erguidas por quem sabe.
Pobre do sonhador, logo abatido se deambular pelos pensamentos, tem de seguir a linha da verdade, única e intolerável, não há espaço para acordar em desacordos, todos pensam igual e acabou.
Bato palmas, ou aplaudo? Qual será a mais formosa forma de apreciar tanta admiração por um ser incomparável.
O mundo foi feito para o sabichão, e eu claramente não pertenço a este mundo.
Não sou crente de tal culto, só quero um canto só meu, onde seja minha a verdade da vontade que me move, sem causar distúrbios ou abalroar alguém. No meu canto quieto, pedra gasta e uma janela, por ela espreito o mundo, feito para todos esses sabichões que vivem a vida como foi descrito. Não é ofensa, não é feio nem bonito, são maneiras de ser. Uns largam, outros brincam, alguns insistem em querer o mundo no seu jeito, de acordo com as regras, com as leis, com as ideias já formadas e conformadas. Não divagues. Eles andam ai.

2 comentários:

Dexter disse...

Post perfeitamente escusado. A partir de agora remeto-me ao silêncio, se é melhor para todos.

Pedro disse...

Lol vós povo nervosinho... não sei porque hades ficar calado.

Tens de relaxar mais e pensar que as coisas que eu escrevo são mais internas do que externas, tem mensageiro, mas não tem remetente.

Atenta que o que escrevi não é para nenhum de vós, se calhar podia ser para todos nós.

Mas não fiques chateado porque eu de certeza que não estou. E fala que falas bem e quem fala como tu, de boca cheia e com a verdade não merece estar calado...a não ser que sejas inconveniente. =)