segunda-feira, setembro 22, 2008

Se calhar tens razão, falhei com a minha vida.

São momentos destes em que vejo que a fragilidade não tem sexo, a dor não tem piedade, a mágoa existe e é patente quando choramos, no meio de uma súbita vontade em desaparecer que não nos dá tréguas.

Não sei quem sou, nem quer o que seja, quem vou ser é segredo, e tenho medo dessa caixa de pandora. Não revelo os meus segredos, guardo em paz a minha alma podre com pensamentos violentos contra mim próprio. Tenho medo de abrir portas por onde saia e me perca, sem nunca poder voltar atrás.

Fosse tudo tão óbvio, e tão certo, tudo tão claro e fácil, e eu saberia responder o quanto vale esta vida.

Vale o que vale, para quem lhe dê valor, vale o que se sabe e não se teme, vale pela candura e pelo sossego, pela paz de espírito sem revolta, sem ciume de outras vidas, sem estar mergulhado em incertezas sobre as provas de um destino.

Balbuciando é que vou vendo, em choro miudinho e resguardado, o quanto é fácil , quando se pretende, forjar em alguém tal culpa, tal derrota, em que ninguém tem de nos odiar pelo que somos, nós próprios cultivamos o nosso ódio por nós mesmos.

Desilusão biológica, produzido com a terra do nosso corpo, a pobreza do nosso espírito e os arados das palavras duras que nos ferem.

Se não fosse por saber o quanto custa, o quanto doí e o sofrimento que causa, já tinha desistido faz muito tempo, de plantar esperanças para um futuro, e tinha optado pela cobardia que parecem querer plantar em mim.

2 comentários:

Dexter disse...

Como é que podes dizer que falhaste na tua vida se ainda só tens 23 anos? Tens a vida toda à tua frente, só tens que lutar com unhas e dentes e n te deixares afundar pelo marasmo. Se te mexeres, mais facilmente alcanças o que desejares.

JP disse...

Ninguém falha na vida quando está na tua posição. Estás com o futuro à frente, com as portas todas abertas para escolher uma e para agarrar um monte de novos objectivos. E subscrevo o que o nosso Dexter diz, não se pode é ficar parado a lamentar a sorte, há que continuar em frente, e lutar para fazer o futuro.