domingo, julho 20, 2008

É a vida pá.

A expressão linguística pá, usada de variadas formas como por exemplo, "então pá por onde tens andado", "é pá isso agora", "pá se lá fores agora", " não é assim pá", é uma das maravilhas da nossa língua.
A expressão pá, não só é a mais polivalente interjeição da nossa língua, pois serve quase para expressar qualquer emoção, como também pode ser um vulgar substantivo.
Vamos ser sinceros pá, a expressão pá é como que uma espécie de muletas para o apoio de outras palavras ou para a formação de frases, sendo o alicerce de todo um raciocínio que ficaria incompleto e coxo sem a palavra pá. A frase "não faças isso, não estás a ver que ainda afogas o puto" é neste momento uma frase nua, despojada de sentido, sem qualquer apelação, e com uma grande dose de insucesso. Colocada deste modo, é mais do que óbvio que o puto acabou por se afogar, porque a pessoa que estava a exercer a brincadeira inconsequente, não prestou devida atenção aos avisos quanto à normal reacção do corpo humano a uma situação adversa à sua fisionomia, porque como é óbvio maioria de nós não possui guelras.

Se tivesse sido inserido o pá ali naquela frase de modo a ficar algo como, "não faças isso pá, não estás a ver que afogas o puto pá", de certo não teria acontecido esta tragédia com o João Vítor na praia da Lomba em Gondomar.

Verdade seja dita que o vocábulo pá é de importância fundamental, impõem-se em qualquer situação, é chamativo, e constitui um fundamental apoio a qualquer conversa. Temos de convir que quando usamos a expressão pá, as pessoas começam logo a levar-nos a sério. Denota o vigor, a seriedade da situação, é imponente e intemporal. Desde dos tempos do D. Afonso Henriques que se usa tal brochura da nossa linguística, "Vamos dar porrada aos Mouros pá", "A minha mãe anda-me a moer os cornos pá", "Que merda é essa pá? Algarve?", não sabia ele que seria uma das melhores zonas do nosso Portugal.

Isto vem a propósito por ter reparado num destes dias que os advogados têm uma reacção diversa à expressão pá, é quase como uma vulgaridade, certamente porque não tem tradução para o latim e acaba por ser demasiado agressivo para os meios pacifistas praticados por tal horde de profissionais. Posso sinceramente dizer que notei um certo ar de asco na cara do advogado quando o cliente usava e abusava da expressão linguística pá.

Desafio um qualquer advogado a ir à lota de Leixões falar com um homenzinho do povo que use a palavra pá a torto e a direito, e no meio da conversa repita vezes sem conta a expressão quid pro quo.
Algo me diz que o cheiro a atum não sai com facilidade do colarinho.

1 comentário:

Chantinon disse...

Aqui no Brasil existem várias palavras para cada região ou estado que servem de "As", como um coringa.
Mas a mais versátil é "trem", usada pelo mineiros (moradores do estado de Minas Gerais).

Eles podem usar "trem" em qualquer frase, substituindo qualquer palavra. Basta uma visita de 24 horas a esse estado e você estará chamando qualquer coisa de "trem".

:)