quinta-feira, abril 26, 2007

Não foi preciso café nem perguntas.

Não posso dizer que me sinto enganado, não me deves nada, e mais depressa deixei-me ser levado. Não pediste para acreditar, eu próprio abri a porta e deixei-me entrar, sentei-me a sorrir para ti confiante no que me dizias, e enquanto lia o manifesto ficava confuso sem saber a quem querias.
Não te perguntei para quem eram as mensagens naquele bloco prostrado em cima da mesa, se calhar não sendo para mim não as devia ter lido. Erro meu em toma-las como minhas, pequenas mentirinhas de gosto tão raiado.
Não tinham dono, eram desejos soltos à espera de encontrar remetente, e eu tão ingenuamente meti selo e dei morada, para sentimentos que a meu respeito não diziam nada.
Tu não escrevias para mim, tu não escrevias sobre mim, nunca foi intenção ou plano que eu lê-se o que dizias, o que sentias, o que querias tornar realidade no ressuscitar das palavras.
Aquela mensagem não era para mim, nenhuma delas, todas tinham dono, ele era a tua vida, foi ele que a marcou, e ela tinha toda a razão quando dizia que eu era sombra onde só ele era luz.
Falamos por falar, pelo menos tu, e eu já sem certezas do que disse. Nem perto ou ao longe se consigo dominar o que sinto, nem delapidando emoções.
Tenho medo de te mandar pedrinhas ao pensamento, como quem pede para abrir a janela, e eu com medo de entrar por ela, apenas para sair logo pela porta.
Nem me preocupa se entendi tudo mal, entendi o que reparei, percebi o que consegui ver, as palavras não eram para mim, as verdades não eram minhas, e os sentimentos eram todos teus, para teu uso pessoal.
Só te peço uma coisa, quando fizeres a tua casa, mete tabuleta à porta a dizer quem deve entrar, não me quero enganar de novo e pensar que estou a mais em equações de outros lados numa linguagem que só vocês falam.
Adivinha quem voltou ao covil do anjo.

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