Eu sei o que é a amizade, tenho uma noção que vem sendo concebida ao longo do meu tempo de vida, uma noção formada em massas iguais de um dualismo empírico e ideológico.
Sei que a amizade é uma concepção volátil no seu todo, é alvo de vários entendimentos, e mutações constantes em vários estádios da vida.
Paulatinamente à amizade é acrescentado ou descontado algo, é conceito refém do estojo de química da humanidade e da sua vivência.
Porque a amizade e o seu conceito, pode ser tão diferente de pessoa para pessoa, acredito ter descoberto recentemente algo que me deixou fascinado.
A amizade pode ter um conceito fixo, uma ideia base, uma premissa de partida onde todos podem beber dessa fonte, onde todos podem ver reflexo o que é a amizade.
Esse conceito pilar de amizade encontrei-o nos entendimentos da filosofia, o que é a amizade para a filosofia.
Dizem os filósofos que na amizade encontra-se uma abertura de cada um ao outro como uma espécie de extensão do eu.
Dizia Aristóteles que “a pessoa excelente relaciona-se com o seu amigo da mesma maneira que se relaciona consigo mesma, uma vez que um amigo é outro eu; e, assim, tal como o seu próprio ser é digno de ser escolhido por si, o ser do seu amigo é de igual modo semelhante, digno de ser escolhido por si.”
Já por seu turno, Kant a esta ideia acrescentava os sentimentos quando dizia que apesar de tudo não existe uma importância moral nesses sentimentos, a amizade é um assunto meramente pessoal, que embora exigindo grande parte de virtuosismo, vai contra o requisito universalista do tratamento imparcial para todos, pois um amigo é uma pessoa que é tratada de modo diferente das outras, sendo muitas das vezes imperativo que se dê este primeiro passo para se atingir estágios seguintes de paixão e amor.
No fundo a amizade aparenta ser uma acção racional egoísta, mas que na verdade desta foge. O alargamento do eu feito pela abertura de cada um aos outros, na consumpção de interesses afasta uma ideia de egoísmo, a procura é de um interesse que dando benefícios a nós próprios se irá estender aos outros por inerência do alargamento do eu aos outros, abarcando uma espécie de ser único.
No fundo a amizade é parte de nós que não sendo reflexa nos outros, é parte de nós nos outros e parte dos outros em cada um de nós.
Em suma, um amigo, uma amizade ou várias amizades, não são mais que partes de nós próprios, e demais a mais, partes que sendo nossas devemos amar e preservar em qualquer altura e todo o momento.
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