Apontei o teu nome inúmeras vezes num pedaço de papel rasgado, fui somando palavras de desejo no ensejo de um sonho que perdura e divide partes de mim.
E é multiplicando quem tu és numa soma de quociente determinado pela subtracção de uma fé que se dissipa como a tinta em papel de pó.
E a música embala um ritual estranho, não me canso de escrever o teu nome nesta folha rasgada, não me canso nem paro de o multiplicar em desejos, em querer de teus beijos, na doçura das palavras que um dia quero ouvir de ti.
Dizem ser doença sem cura, pelo menos assim entendo eu ser a esperança, uma fé que não alcança uma racionalidade de espírito muito menos uma valoração do desespero que provoca tanta dor.
Sempre fui talhando em mim uma ideia do ser crente e do ser que quer, saiu uma escultura aparvalhada com forma de nada onde tudo se encontra representado, e é assim num paradoxo que mantenho a fé na loucura para me guiar na busca das incertezas que tanto procuro evitar.
O ser humano tem o dom de pisar os caminhos que escolhe coagido por uma vontade alimentada a medo e sonho que enfastia aqueles que cheios dessa vontade desesperam em cada passo que é dado em direcção a algo envolto em penumbra, onde possivelmente ficará a catacumba daquele desejo ansioso de ser somado a uma realidade menos dolorosa.
E é a pressão de um objectivo, a espera por um resultado positivo, é essa a força anímica que de si tanto tem no ridículo da sua existência que procuramos um motivo para esbater mais umas barreiras, umas quantas antes de tocar com as palmas no chão em busca de um respirar libertino inspirando um ar pesado que sufoca como quem atiça para mais uns passos a ver no que dá tão arriscada e infame caminhada.
Nesse momento tiro as mãos da cara, seco os dedos molhados das lágrimas contra a roupa, pego na caneta e volto a escrever o teu nome naquele papel mais umas quantas vezes, para lembrar-me que só querendo e insistindo na esperança, é que resta qualquer tipo de luz que ilumine o teu rosto e mantenha em mim o desejo de te ter.
Sem comentários:
Enviar um comentário