quinta-feira, setembro 25, 2003

Aproveitando a deixa.

Após ler o post anterior escrito pelo Master_Zica, posso dizer que sim a ideia agradou, e sim é possível concretizá-la, e por fim por acaso já tinha pensado em algo semelhante a essa da TDMC, Teoria Dos Males Comuns.
È uma boa ideia e a partir dessa ideia podemos descortinar uma dúzia de outras teorias ainda a serem levadas a cabo, tal como a teoria de afinfar (expressão utilizada como sinónimo de impingir ou enfiar) um pastel de nata após um bom cozido confeccionado e consumido no restaurante Painel de Alcântara, ou a teoria de como a escolha de um telémovel pode ser influenciada pelas teclas, a teoria que prova a sensação de alivio das pessoas ao chegarem à saída do Aeroporto da Portela, ou teorias sobre o uso excessivo da buzina por parte dos taxistas, ou teoria de encher um texto de palha tentando torná-lo maior e pouco mais interessante, mas nada como a Teoria Dos Males Comuns.

Ao explorar essa ideia lanço uma teoria já um pouco conhecida, mas ainda não tratada e divulgada, a teoria do ser Português é igual a ser mal dizente.

Durante um almoço surgiu a discussão sobre o hábito do português falar mal de todos e uns dos outros. È verdade que é um mal geral desta nossa sociedade portuguesa, mas e não é de todas as sociedades? Podia levar a cabo um estudo sociológico, recolher através de uma amostra dados a analisar e interpretar através de cuidadosos trabalhos de pesquisa e interrogação, mas não é preciso porque naquela mesa onde decorria a discussão já as pessoas provavam e dotavam a teoria de veracidade, pois de facto conseguiam falar negativamente sobre o que é ser português, a capacidade de concordar e não concordar ao mesmo tempo, a capacidade de ser do contra apenas com o objectivo de ser diferente ou de lançar uma discussão ou apenas por provocação. Mas porque raio isso é apenas português?

Não será esse um mal do ser humano em geral seja ele de que nacionalidade ou cultura for? É obvio que o português enquanto ser humano é assim, mal dizente (passando a expressão), mas não acho que seja típico do povo português, acho que é um pouco parte de sermos seres humanos dotados de opinião, e se em muita coisa concordamos uns com os outros em muita coisa discordamos. Mas claro que podem dizer que o português condena o estilo de vida de Portugal, culpa mais o governo do que grita com o cão, que diz que em Portugal nada funciona tudo está mal, mas eu pergunto e nos outros paises não será assim?

Não será a insatisfação por não ter mais do que se tem, ou a ambição de ter mais e melhor, o egoísmo de ter o que mais ninguém tem, não será essa uma característica da mentalidade humana? Não digo que concordo, porque até não posso concordar nem discordar, porque normalmente essa pratica de dizer mal de algo é quase como involuntária hoje em dia, tal como ninguém conseguir ter um dia perfeito por muito mais que queira é a sociedade de hoje em dia, mas não é a sociedade portuguesa, é a sociedade universal.

As teorias são mais que muitas, e muitas mais são as opiniões divergentes ou convergentes sobre todos os assuntos, e tudo o que aqui escrevo pode ser contrariado com mais ou menos razão com outros argumentos, mas tudo é valido enquanto pensamento, enquanto pensamento quer interiorizado ou exteriorizado, pode não ser valido em acção, mas enquanto ideologia, enquanto teoria tudo pode ser aceite quer por uns ou refutado por outros, mas não deixa de existir, tal e qual como qualquer outra crença, ou como qualquer aura em que alguém ainda tenha uma réstia de fé.

Tanto é possível fazer teorias de males comuns como teorias de bens comuns e se formos ver o que pra um é mal para outro pode ser bem, mas a mim essa teoria não me interessa, ou até pode interessar, continuo a achar que tudo se faz um pouco do momento, se calhar sou mais actualista do que historicista, e se me perguntarem a mim o que penso agora sobre determinado assunto, dou a minha opinião, mas sem certeza, sem razão fundamentada, porque de um momento para o outro posso vir a discordar de mim mesmo, pois as ideias são feitas numa dada altura especifica, e mesmo que perdurem no tempo, e se transmitam de geração para geração, o que conta mesmo é a sua aplicação no momento, na actualidade.

Para mim, mesmo com duvidas, mas muito poucas, os males podem ser de um podem ser de todos, mas o mal de agir de acordo com o modo como a mente humana foi designada a funcionar é um mal geral da sociedade, da sociedade universal, talvez ate nem seja da sociedade, mas sim da mentalidade universal, talvez os males ainda sejam mais do que comuns, mas tudo é feito de vocábulos como talvez, a incerteza que reside em cada palavra, em cada ideia, em cada tentativa de expressão, fica sempre uma réstia de duvida e incerteza quanto ao modo da sua aplicação e quanto ao estar ou não correcto. Por isso digo que a vida é mais regida por instintos do que pela razão, ou se calhar pelo instinto da razão, porque certezas irrefutáveis não tenho, apenas tenho opinião de como acho que são ou devem ser as coisas, apenas sei que nada sei, mesmo quando sei que agi do melhor modo que pude.

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