quinta-feira, maio 14, 2009

Já não me ria assim ...



Fartei-me de rir, e nesta personagem, revi um misto de muitos dos meus amigos.

quarta-feira, maio 13, 2009

Estragado.

Deliciada nas tuas vontades, és mimada por quem te tomas fazer teu sem intenção de soltar o mais estúpido prisioneiro que se deixou fazer cativo no teu doce relato das palavras.
Fico sem ar. Perco-me no ser. Vem devagar o que espero ver.
Não sei mais. Não sei mais nada. De mim ou de ninguém. Quem me quer, quem me tem.
Não sei. Recuso-me a querer saber, e no entanto agarro pelas pernas quem desejo ver partir.
Sou um paradoxo ambulante, um romântico pedante, sem leito de morte, pois fui morto pela esperança de ver em ti algo mais que não queria, quase que por magia, deixei-me morrer.
Desliguei-me. Suicidei-me amorosamente, como quem põem termo ao que era, e saúda o que será feito do meu corpo, pois a alma abandonou a residência e jaz agora nas mãos de quem pegou e largou.
Sou tão paradoxal que o asco que sinto em ser assim, é de si dicotómico e em nada encaixa no orgulho por sentir da forma que sinto.
Sou inconformado, estragado, usado, abusado, sabido, vendido, entregue a ti, e a quem me quer bem, ou quem bem me quer, mesmo sem pensar que não aguento mais tudo isto.
Quero ver-te ir embora, sentir o salto agulha a sair de cima do meu espírito, onde andavas para trás e para a frente calcando o que restava de mim mesmo.
Desejo intimamente ver-te partir para outros lados, e ainda assim dou por mim a segurar-te na mão impedindo que vás. Não quero ser eu a fugir, quero que sejas tu, não me quero esconder a não ser que seja por baixo de ti.
Não quero que vás, ainda não, não estou pronto para ficar sem ti, mas não aguento estar ao teu pé, tão ausente e indiferente ao que eu não quero que me sejas, mas que corres o risco de ser.
O triste é que no fim, depois de tanto disparate, de tanto escrito sem senso, esta mensagem é para todos e para ninguém.

Que se parta a mesa.

E é no tenebroso silêncio da noite, que bato três vezes com o punho na mesa, e três vezes revelo com o punho batido a minha insatisfação.
É na bruma de uma ausência sentida, que grito duas vezes profundamente, por duas vezes ecoam os gritos mudos de quem se sente só.
Com o pesar da verdade sobre os ombros, por uma vez disse o teu nome, e só por uma vez o amaldiçoei.
Não são os números ou ciclos que me atraiçoam, nem as contas que me baralham, sou capaz de calcular tudo na minha vida. O meu problema são os nomes, que nome dar a quem, quando e porquê?
Levas daqui o meu recado, que em teu nome não cometerei pecado, o maior pecado que me lembro, a alienação de quem sou, por um pouco de quem és. O tão pouco que tens para dar.

domingo, maio 10, 2009

Leram-me o mapa astral, e eu não entendo nada.

SOL EM ÁRIES, ASCENDENTE EM LIBRA - A LUTA POR CAUSAS SOCIAIS



De acordo com a sua hora de nascimento, Pedro, você nasceu com o ascendente em Áries e o Sol em Libra, condição típica de quem nasceu por volta do pôr-do-sol. A projeção do astro-rei para a zona oeste do mapa lhe garante uma compreensão natural do seu próximo, uma condição especial chamada alteridade, que lhe permite reconhecer o outro como outra pessoa com desejos e quereres próprios, e não como uma extensão sua. Tudo isso lhe torna uma pessoa hábil para relacionamentos, que tem um grande respeito pelos processos alheios. Esta é uma qualidade especial e desejada em terapeutas, em pessoas que atendem os outros.
*A poderosa qualidade guerreira de Áries se conjuga ao espírito de justiça libriano, e o resultado é um profundo compromisso com uma ética pessoal e, sobretudo, a coragem de lutar por causas que você considere justas. Cuidado apenas para não descambar para um estilo teórico demais, pois Libra - seu ascendente - é demasiadamente idealista, e Áries tem um lado ingênuo, de modo que nem todos os seus sonhos encontram eco na realidade mundana. Você pode inclusive se desapontar, não entendendo como as pessoas não conseguem "ver a beleza" das suas idéias e motivações, e termina se sentindo como um gênio incompreendido.

Seu anseio por justiça é grande, mas pode ser exagerado, a ponto de você terminar manifestando um lado "Dom Quixote", lutando contra moinhos de vento. Cabe a você aprender a lidar com metas realistas e observar o que é prático e efetivo. Não estou sugerindo que você abdique de seus ideais librianos, mas apenas que saiba esperar o tempo certo. Paciência, afinal, é sempre uma virtude importante a se aprender quando se nasce sob o signo de Áries.


Leram-me o mapa astral, mas como não levo jeito para estas coisas, interpretem vocês e deixem na caixa de comentários as vossas interpretações.

sábado, maio 09, 2009

Por quem procuro, sei o teu nome, e não sei quem és.

O simples ecoar do teu riso, cria em mim as mais orquestrais saudades.
Os teus insultos eram como unhas cravadas nas costas durante o êxtase, nem bom nem mau, eram parte dos nossos jogos, das brincadeiras.
Imaginar as tuas pernas entrelaçadas nas minhas, os pés que brincam, as mãos que se conhecem, dois olhares que se enternecem.
E por gentil toque dos meus dedos nas tuas costas, e caloroso sorriso na tua boca, apelando aos meus lábios o saciar da fome, do desejo mais carente.
Foi decalcando o teu rosto com a ponta dos dedos, que desenhei de ti uma imagem que não tenho, foi no puro ar que me rodeia, naquele que tomou o teu lugar, foi nele que esculpi toda a tua forma, e todos os meus suaves toques, desde o sentir a pele dos teus braços, ao calor das tuas coxas, o ofegar do teu peito, e o teu colo, é nele que imaginariamente deito e repouso a minha cabeça, numa subserviência que pede mimo.
Numa voz doce descrevo-te os meus desejos para contigo, as minhas intenções menos próprias, mas profundamente justificadas, pretendidas e até esperadas.
Alguém ficou de me ligar a noite passada. Alguém ficou de ir comigo ao cinema a noite passada. Alguém ficou de mexer no meu cabelo enquanto sentados olhávamos a lua.
Onde andas tu?

sexta-feira, maio 08, 2009

Começar de novo.

Lavar a cara, e tirar a terra das mãos, enterrar o que era, e esperar que em mim nasça alguém mais forte, diferente, talvez uma pedra assente sob o regime dos outros.

Sangrar a alma, e acalmar a mente.

Vampirismo social, é um fenómeno onde durante o dia somos aceites, e à noite feridos por qualquer luz que brote do comportamento daqueles a quem queremos a voz, o toque, a simples companhia.
Não peço muito, mas por certo vou cada vez dar menos, porque de nada me serve ser como sou.
Fiquei cansado e baixo os braços. Quero voltar às origens, e desaprender a ser como acabei por me tornar. Quero fechar em copas, e guardar toda a luz cá dentro. Se sentir dor, que seja a dor de me ter por companhia, que seja a minha alma a rasgar o dia, a quebrar as paredes de um pranto daquele menino que noutros dias sabia viver sozinho, e hoje em dia, não sabe, não quer, nem sente.
Hei de gelar até que nada mais me doa, e quebrar a incessante vontade de fugir quando me apertam o coração com as mãos.
Já dizia quem me conhece, que sou fraco, e que a minha fraqueza está em não conseguir deixar de ser quem sou.
Resta-me sorrir para o espelho e tapar a cara com a mão. Melhores dias hão de vir.

Palhaço de gelo.

Colidiu. Foi um choque entre duas vidas, onde não se ouviram despedidas, apenas o violento embate entre o que ele era, e no que se tornou.
Foi o cansaço que o venceu, a paciência que esmoreceu, e a incompreensão de como funciona o mundo. Sentiu-se incompreendido mesmo quando lhe acenavam com a cabeça em sinal de concordância. Perdeu-se a crença na esperança e a fé nos melhores dias.
Deixou-se levar para algo que não é, negligenciou quem teve, e falhou com quem não tinha.
Era assim a sua vida. Noites a fio no mesmo ciclo. Nunca entendeu porque sentia aquela insatisfação, porque tantas vezes lhe estendiam a mão apenas para o empurrar e nunca para o puxar. Não pedira nada a não ser uma oportunidade de ser aceite, de olharem para ele como era, mesmo que fosse alguém já raro e estimado, não era apreciado, não mais que um palhaço.
Inverteu os papeis. Era uma espécie de ser estranho, um palhaço sem mascara, um palhaço sem graça, um palhaço que não escondia o rosto, e abria o peito rasgado, dando de si o melhor que tinha. Pegaram-lhe fogo no seu peito, atiraram-lhe as tintas para a cara, com o dedo desenharam-lhe uma boca triste, como se fosse mais um boneco de porcelana que apenas servia para brincar em alguns momentos. Ataram-lhe cordéis à volta dos membros, os estigmas que os outros sofreram, eram agora os fios que puxavam para fazer dançar este boneco. Eram fios de aço que lhe cortavam a pele, que lhe laceravam a carne, como um fio pálido e metálico onde escorria o sangue vermelho dor. Vermelho dor era a cor com que lhe pintaram a boca, o sorriso triste com que o presentearam, e quase que em tom de troça gritavam, "Dança! Dança! Porque quem és diverte mais do que encanta.".
O mais triste, foi descobrir que no fundo, era vitima de si mesmo. Já por vezes tinha pensado em borrar a cara, esquecer as regras e viver para si mesmo, mas o palhaço, que outro nome não se lhe ajeita, era aquilo que mais se enaltecia, e ao mesmo tempo aquilo que mais despreza em si mesmo.
É errado sermos como achamos que temos direito de ser, o mundo é frio e poucas dúvidas disso mesmo restam em cada noite que se via calado pelas vozes que a ele apelavam conforto, carinho, e compreensão.
Cada vez que lhe dizem que é bonita a forma como ele é, e depois lhe demonstram o que isso trás, é uma chapada de mão aberta, uma angustia que se aperta, e um coração que mirra, pouco a pouco, até se tornar num pequeno cubo de gelo para refrescar a bebida amarga que um dia foi obrigado a beber.
Muitos lhe apontaram que não era nenhuma vítima, e de facto só seria vitima de si mesmo, e da maneira como se entrega.

segunda-feira, maio 04, 2009

Diário de Bordo na vida de um matrapilho.

Estou indeciso se a minha vida neste momento parece uma novela, ou um filme muito rasca, mas vai dar quase ao mesmo.
Gostava de procurar estabilidade para a minha vida, companhia, até uma certa rotina, e viver a vida de modo mais descansado.
Nestes últimos tempos tido sido tudo menos isso, e a minha cabeça nunca se sentiu tão cansada, a minha alma tão gasta e o meu corpo tão violentamente pontapeado.
Tenho comido pouco e a más horas, e é quando como, por exemplo neste momento a última coisa que comi foi à 24 horas atrás. E muitos dos dias teem sido assim.
O telemóvel tem ficado sem bateria mais vezes, quando noutros tempos só o metia a carregar de 3 em 3 dias, nesta semana não houve dia que não tivesse de ser ligado à corrente.
Tenho andado para cá e para lá a tentar descobrir as coisas que quero, o que está destinado a completar-me mesmo que por tempo indeterminado.
Tenho prioridades desreguladas, vontades animalescas por domar, não sei que passo dar primeiro, e onde cair depois. Eu sei que vou cair não tarda, e vou cair não de um estado de graça ou do altar dos aventurados, mas vou cair do chão, vou cair mais abaixo de onde cai da última vez.
No meio disto tudo tenho pena de muita coisa. Tenho pena de não ter coragem para enfrentar mais desafios, porque sei que volta e meia iriam atormentar-me, tenho pena de me ter desligado de muitas coisas que gosto de fazer, porque passei a dedicar o meu tempo a outras coisas que se calhar não merecem esse tempo. Tenho pena de me ter desligado e de já não estar com os meus verdadeiros amigos desde sei lá quando, e passo a vida no combina e desmarca por vontade alheia, e porque por algum motivo que ainda não consegui entender surgem problemas que em nada são mais importantes resolver, do que passar tempo com os meus amigos, mas no fim sou forçado a resolve-los para que mais tarde não se propaguem ou aumentem de tamanho.
Eu sou uma pessoa simples que não tem problema nenhum em viver uma vida complexa, mas que no entanto começa a ficar farto de gente complexa que pensa que a vida deve ser levada como algo puramente simples.
De facto as coisas podem ser muito mais simples, mas de modo algum será a vida que tem de ser simplificada, tão somente será preciso que as pessoas simplifiquem o que sentem, os seus desejos e anseios.

segunda-feira, abril 27, 2009

Coisas que nunca fiz, e coisas que tenho de fazer.

Nunca o fiz, e foi uma realidade nova.
Nunca tinha tido um dia bonito que depois da meia noite se tenha tornado em algo completamente diferente.
Nunca tinha entrado num bar ou café e pedido um copo de whisky, bebido de uma assentada, posto uma nota na mesa e sair de seguida em tão poucos segundos, sem olhar para uma única cara presente, num sitio cheio de gente.
Nunca tinha tido vontade de deixar de ser quem sou, e ser quem eu tenho de ser.
Nunca me passou pela cabeça que a minha maneira de ser fosse tão má para mim, ao ponto de pensar seriamente que se me tornar num cabrão frio e desgostoso, fosse realmente aquilo que preciso para a minha vida.
Foi a primeira vez que apeteceu-me chorar e não chorei, e recuso-me a chorar, a desabafar com alguém, quero usar este amargo que tenho, quero com ele criar uma distância do que sou, perder noção disso, e pensar que se não me conseguir livrar da maneira que sou com os outros, ao menos que desconheça isso, e passe a culpar algo que não eu.
Nunca tinha pensado em evitar conhecer a realidade, nem que a verdade era tão cabrona, acho que vivia bem com uma mentira demasiado boa para se notar, ou suficientemente aceitável para me fazer ignorar a realidade que sou.
Tudo isto em menos de meia hora.
E amanhã para mal dos meus pecados, mesmo daqueles que podia ter cometido e não cometi, amanhã talvez acorde para a infelicidade de continuar a ser quem sou e como sou.
Nada muda, só o facto de ter visto mais uma vez a minha realidade.
Não quero ser crescido, não quero ser o homenzinho das situações, só quero que por uma vez as coisas fossem como eu lutei para que fossem, e que um dia alguém me compreenda, e aceite, que alguém um dia veja em mim o que realmente diz ver.
Amanhã se calhar volto ao mesmo, mas até ir dormir, serei uma pessoa diferente.

A dor daqueles que lutam.

Não vou desistir de uma felicidade que nasceu em mim, mas hoje certamente senti a amargura de tentar ser eu mesmo.
Maldito o dia em que nasci como sou, e tentei dar o melhor de mim a quem quis, mas sabe tão bem fazer alguém, feliz, sabe bem a felicidade que dai retiro.
Depois de dois dias com o melhor sabor na boca, de sentir na pele os melhores e mais felizes toques, agora uma amargura invade-me a boca, um sentimento envenena-me o corpo.
Não vou desistir, mas sei que agora estou coxo.

terça-feira, abril 21, 2009

Começo a sentir o calor de uma certa luz sobre o meu rosto que sorri, por ti.

Conversa do tipo..

A - Fico feliz por ver que estás bem, tenho lido os teus textos, e pareces feliz.

Eu - Pois mas aqueles textos não passam de criação minha, de imaginação, uma forma de exorcizar aquele demónio que em mim existe, que não me permite ligar o desejo e a vontade.

A - Mas ao imaginares isso tudo, não vives já um bocado desse mundo? És tu que crias a tua própria realidade naquilo que escreves e descreves.

Eu - Acaba por não passar de imaginação criatividade e uma vontade de viver tais anseios, mas daí a ser uma base sólida da realidade que eu vivo, não me parece.

A - Tudo é criado, e no teu caso uma fantástica criação, que poderias querer mais?

Eu - Queria uma realidade, crua e pura. bruta e nua.



Sou como sou e sei que vivo o que digo, seja de que forma for, e se calhar nos últimos posts, vivo uma realidade bem mais perto do que algum dia esperei, e em criações mais antigas, onde idealizava alguém com quem as viver, pode se ter dado o caso de encontrar a pessoa certa. Acho que não está assim tão longe a materialização do sonho, só que tenho uma enorme necessidade de lhe dar um beijo, encostar a minha testa na dela, suspirar e dizer que finalmente encontrei aquela pessoa que foi capaz de me tirar o chão por debaixo dos pés, de me encantar profundamente, alguém que acima de um enorme carinho que sinto, tenho uma grande admiração por quem é, pelo que já viveu, e a forma linda que tem nos seus jeitos de ser.
Talvez comece a dar razão a A. quando me diz que um dia serei feliz, e que está tudo mais perto do que imagino. Começo a acreditar nisso, e a resposta aos meus anseios, pode estar para breve.

Recordar textos antigos, e hábitos que perduram.

A beleza perdida na rua das putas

Tundra do silêncio entre gentes que se perdem e jamais se encontram apenas no olhar de quem procura.
Noite de breu onde o frio recorta silhuetas sem sombras, onde o brilho se faz pelos olhos felinos dos amantes espalhados nessa rua batida por passos sem rumo.
Mãos que desapertam a roupa enquanto outras apertam a carne de quem desejam, o beijo no corpo e o entrelaçar das línguas, o ofegante riso de quem espera prazer muito em breve.
Paredes caiadas de gente encostada ao cimento e tijolo onde se apoiam os desejos carnais de toda aquela gente que se envolve em brutos embates.

Sem beijos ou afagos, matam-se as fomes de anseio por um gozo barato, mas não gratuito. Perna alçada e calça no chão, sem suspiros ou sinais de paixão, é acalmado o sedento sentido de deleito carnal.

Gemidos ao de leve não irrompem o forte silêncio de uma clandestinidade descoberta, num ar que se desperta carregado de cheiro a tabaco e álcool que afoga a necessidade de calar a consciência.

Lábios que percorrem o corpo e nunca se tocam, olhares que não se cruzam quando os corpos se penetram, mãos frias que agarram sem carinho.

Não é lugar para a paixão, é um sítio onde se satisfazem as vontades básicas sem delícia, um amor comercial como tudo mais o que os acompanha.

Começa a chover levemente, não é o suficiente para lavar a rua dos seus pecados, e os pecados daquelas gentes que se consomem em fogo no meio da calçada da libido.

Não se trocam conversas, bocas cheias embora mudas, sem nada que dizer. Parcos gemidos e suaves esbaforidos de prazer, o roçar dos corpos e demais toques, a chuva que cai, de resto tudo o mais era silêncio.

No meio de todo aquele ambiente onde as almas burlescamente eram símbolos mórbidos e ausentes, debaixo de uma das únicas luzes que funcionavam naquela rua estava sozinha uma rapariga com ar de anjo perdido nos gritos e suplícios de almas perdidas em dor.

A chuva que lhe cai no rosto não deixa perceber se ali se agregavam lágrimas, naquele lindo rosto triste e distante, dava a entender que não pertencia aquele lugar.

De pele morena e lábios ruborizados por um fogo que lhe vem da alma, ao contrário das outras não tinha um olhar vazio, tinha um olhar perdido, totalmente confiante que não deveria fazer parte daquele meio.

A tremer ligeiramente com o frio, procurava qualquer coisa na sua bolsa, talvez cigarros ou o isqueiro. Tirou de lá um espelho, mas talvez já muito fustigada pelo cansaço daquela vida e pelos tremores deixou-o cair no chão, e levou as mãos ao rosto.

Quando se preparava para o levantar do chão molhado e frio, viu uma mão a apanhar o espelho.

Apanhei aquele espelho e dei-lho com um sorriso tímido e gesto brando.

O seu rosto não mudou como esperava, não vislumbrava o mais ténue sorriso, só denotei espanto num rosto ainda mais apreensivo, e da sua boca nem um sopro quanto mais uma palavra.

Voltei a sorrir-lhe e com um leve aceno de cabeça virei costas e voltei a apresar o meu rumo.

Por algum motivo parei, devolvi ao passado os dois ou três passos que tinha dado, voltei-me para a rapariga e disse-lhe.

- Não procures o teu reflexo no espelho, porque não o têm os anjos. Nem tão mais precisam de admirar a sua beleza que dentro do seu ser é tão certa de existir.

- Se te aflige a dúvida de onde é o teu lugar neste mundo, uma coisa tens por certa, não é definitivamente nesta rua.

Acabado o que por impulso tinha de dizer, sorri e voltei a seguir o meu caminho.

- Obrigado. - disse ela.

E num ligeiro olhar por cima do ombro vi que lhe tinha arrancado um sorriso, um dos únicos que tinham sido dados e sentidos naquela rua, onde tinha sempre andado esquecida a mais singela amostra de felicidade.

No dia seguinte como rotina mansa de regresso a casa e por obrigação geográfica, tornei a passar naquela rua. Mais uma vez, e como era costume, avançava a passo célere e a fitar o chão, e num relance oculto tentava dar pela presença da rapariga da outra noite.

Não a vi por lá, nem por ali perto. Não naquela noite nem nas muitas outras que se seguiram.

Assim compreendi que algo no mundo mudou não porque eu falei, mas porque alguém me ouviu.

Pedro - 14 Janeiro 2008

Estive a recordar velhos textos, e de muitos que li, este talvez seja aquele que demonstra mais o que sou, a necessidade de arrancar sorrisos, de dar valor às pessoas, e de viver o mundo com um olhar romântico. Cada vez mais tenho a certeza que fui feito para outras épocas. Volto a rever este texto, passado mais de um ano, e continuo a ser a mesma pessoa, não mudei, não sei mudar, e talvez não queira mudar.
Entrego-me assim a uma vida dependente da compaixão das pessoas, por alguém que não conseguindo deixar de ser romântico, sofre com isso, a descriminação de quem sonha em viver o sonho, e vive para gostar dos outros. Acabo por ter prazer nesse castigo.

Messing with the minds of most of you.

Talvez alguém possa pensar que a loucura invade-me o espírito como se estivesse a alma a ser possuída por outras vozes, e que ando a escrever textos, a escrever com outro nome e a dedica-los a mim.
Talvez seja isso mesmo. Já me vieram perguntar se estive em Praga, porque não acreditam que eu possa criar, imaginando, falando para dentro de mim.
Será tudo um mistério, e ficará tudo envolto em bruma, um segredo que perfuma aquilo que vejo em mim, e que talvez os outros não vejam. Se calhar não passa de publicidade, ou talvez haja alguém que me veja como sou e o que tenho de bom.

Ilusões?

Sonhei algum dia alguém como tu... delineei os teus traços, esperei demasiado tempo pelos teus braços e agora começo a compreender que há sonhos que podem, na realidade, adquirir contornos reais.
O tempo passa, segundo a segundo, minuto a minuto, lento, quase torturante, na ansiedade de te poder tocar, sentir-te mais perto, à distância de sentir a tua respiração no meu pescoço... de sentir o teu cheiro invadir-me o corpo e desnortear-me os sentidos... Será tudo isto um profundo sonho, desejado durante anos e anos, que está cada vez mais perto de tocar a realidade?
Não há ser humano que não sonhe, que não idealize, que não aspire sempre uma realidade superior, porém não é agradável, de todo, vermos cair sonhos por terra, sentirmos que os nossos projectos não têm pernas para andar... Provas-me a cada dia que passa que é possível e será que realmente o é? Quão grande é a possibilidade? Por agora será apenas isso, uma possibilidade, algo que me atrai como um íman a arriscar.
Deixa-me acreditar que ainda tenho dois caminhos e que há sempre aquela escapatória pela qual tanto ansiamos quando vemos que não há mais caminho para andar... Mostra-me que não vou precisar dela!
Permite-me que deixe de sonhar, para passar a viver... sentir cada toque, cada beijo, cada suspiro. Perder-me nos teus braços sem razão ou explicação. Tocar nos teus cabelos, longe de olhares desconfiados e recriminadores. Simplesmente ficar em silêncio quando as palavras não são mais precisas.
Deixa o sonho ganhar asas...
Para ti Pedro, com "aquele" sentimento.

Joana

segunda-feira, abril 20, 2009

Hold me, grab me, take me.

I want to break the flower, counting time hour after hour, waiting, wishing, a sign from you.
I need to feed my mind, with voices i find, jumping all around my head, and then finally break down and fall in bed. I can say i do, i would do it for you, i can make us a dream, and then feed it with a thin, thin peace of hope, every hour every day.
I'm not lost, and i will be fine, i know that some one out there is listening to the same song i am, so i believe i really can, be that one, your ideal man.
Smile to me, do it like you meant to light up my day, please sit next to me and stay, just don't go away, not right now, and not without taking me with you.
Sitting back to back, looking at the same sky, i know that one day your heart will be mine, i just have to keep supporting you, holding you next to me, making possible to live something that became more than a dream, it became a need.
I need, so much, just like air to breathe, or the hope which my soul i feed, i need, your eyes on me, watching closely, making me see, how much i need you to be, my one song, that lovely lullaby.
Reach to me, grab my hand and hold my heart, let's run together for that wanted start, let's be something as one. Drop the fear, come to me, get near my arms, i will hold you tight, because you are my sunlight, my darkness, the scream or the silence, you're my everything, and the empty space in my life. Grab me and i will be yours.

Confissão

É na ternura doida de um beijo e no teu medo em acreditar nele, que ganho toda a minha coragem, e vontade de conquista.
Tens medo que te puxem o chão debaixo dos teus pés, de ser arrebatada, de descobrir que o que parece uma ilusão é uma intensa paixão vivida por quem te quer bem.
Não vou abdicar do teu sorriso, não quero largar as tuas mãos, quero fingir que toco piano nos teus dedos, que mato a sede nos teus lábios, que procuro abrigo no teu regaço, de sorrir de espaço a espaço, vivendo aquela alegria quase de criança que brota dentro de mim.
Gosto de te acordar todos os dias com um beijo, de ouvir o teu sorriso rasgar por mimalhice, adoro todos os sons que tu emites quando a meiguice é compactada num momento de carinho.
Quero-te para mim, para que me alegres o dia, para sentir o teu mimo, a tua força, a tua fé em mim. Quero-te para arquitectar os meus planos, para viver longos anos, ver a vida avançar e nem dar conta com a vista obstruída pela felicidade de algo a dois.
Mas quero-te demais, e para mais do que rir e ser feliz. Quero que me ampares quando estou triste, que me lambas as feridas, que me confortes e ensines a levantar de novo, quero que me aconselhes, quero aprender contigo, viver-te e saber-te tão bem.
Quero falar contigo horas e parecer que foram segundos, cheirar-te o cabelo enquanto dormes, passar os dedos pelas costas enquanto danças, e dizer o quanto me encantas com o teu jeito de ser.
Quero adormecer embalado no sussurrar da tua voz, nos teus braços, entregue pacificamente a um sentimento superior, e sentir ao de leve, que a vida se compõem à nossa volta, que nos carrega para melhor sorte, melhores dias, e talvez conforte, saber que somos unicamente feitos um para o outro.

sexta-feira, abril 17, 2009

Não me aticem com ferros de marcar gado.

Eu ando a ficar muito desinteressante. Desinteressante e vago, ou vazio, tanto faz.
Vago e vazio como este post.
Vão-se lá embora e deixem o moribundo em paz.

terça-feira, abril 14, 2009

Não sei o que fazer

Acho incrível que a frase de engate do vestia-te um pijaminha de cuspo, ainda não tenha tido bom resultado por nenhuma vez. Agora fico a pensar se é pelo sotaque, ou se mando perdigotos quando tento.

Tic Tac the world is coming to an end.

Ando preocupado com o Miguel, vejo mais queixume que o normal. =p
Nem imagino se o FM for com os porcos, e eu sem o bunker acabado.
Próximo fim de semana tenho de ir acabar o bunker pelo sim pelo não, porque ando a prever calamidade para algum lado e eu sou menino para fugir, os bravos e valentes que se quilhem.
Noutra nota a luz do meu quarto foi ao ar, e não consigo arranjar aquilo. Quem quiser cá vir que traga velas, porque de outra maneira fica complicado. Já agora e só por acaso se houver ai uma electricista toda jeitosa, faça o favor de contactar, e venha só de macacão.