terça-feira, março 24, 2009

*Coça a cabeça* E tu és?

Quem será a Bi? Serei só eu que estou curioso?

Já me perguntaram quem é, mas sinceramente não sei.

Existe por ai o mito que sempre que aparece aqui uma mulher a comentar, é amiga minha de certeza. Que maliciosa concepção da realidade.

De facto não sei quem é a Bi, mas fiquei curioso a partir do momento em que me perguntaram e não consegui responder.

Será agora uma altura de tentar interagir? Tem ficado latente a ideia que sou antipático para com as pessoas. Pode não ser a melhor altura para tentar a aproximação.

Sempre me questionei, se existiriam estrategas sociais, alguém a definir quais os melhores passos a dar em determinadas situações. A existir pessoas assim, eu não serei uma delas.

Bi quem és tu?

Janela vista de outro prisma

A estrutura que viverá sempre frustrada por não ter chegado a porta. Que puro engano.
Mais que todas as estruturas de um edifício a janela devia sentir-se a mais prestigiada.
Pela porta passam os corpos num rodopio de entra e sai, pela janela o rodopio é outro, bem mais nobre, o dos sonhos.
Quantos de nós não sonharam no parapeito de uma janela? Quantos de nós temos o hábito de sonhar ao passar uma porta? A porta exige muito mais esperança, expectativa, cria um sentimento mais nervoso e preocupado, o que se esconderá por detrás dela. A janela é clara, transparente, não esconde o que se quer ver. Não esperamos nada do outro lado, temos de imediato a certeza do que lá se encontra. Isto na maioria das vezes é claro.
Normalmente pelas portas não entram raios de luz, e se entrar algum feixe de luz é sempre por baixo. A janela deixa entrar toda a luz, todo o calor de um sol que se quer ou se repele, como que se de repente soubéssemos que a janela não mente, mas uma porta pode trair.
Falo do sol mas posso falar da beleza da chuva a bater na janela e a escorrer por ela, um violento embate e lento deslizar para um fim.
No fundo, é pela porta que se entra e sai, mas a janela, é o principal portal para o mundo, qualquer mundo.

A alquimia do ser humano.

Por vezes as pessoas são demasiado redutoras das realidades em que vivem porque se fecham em copas com as suas ideias pré-formadas sobre determinado comportamento, valor, ou acção.
É algo que acaba por me chatear um pouco.
Porque tudo tem de estar esquizofrenicamente rotulado para algumas pessoas, e tudo o que sejam comportamentos ou palavras dos outros, devem ser prontamente analisados e etiquetados como aquilo que nos convém a determinada altura.
Eu compreendo a parte de optar por aquilo que nos dá mais jeito na altura, e todos têm esse direito, mas os comportamentos das pessoas são acções voluntárias ou involuntárias, e já aqui ponho a hipotese de certos comportamentos serem involuntários ou voluntários, não restringindo a intenção, que produzem um desfecho nem sempre claro ou analítico para os outros poderem de uma assentada e perna cruzada, poder determinar o seu sentido.
Porque dizer que o verde é verde porque não é vermelho, é uma visão do prisma, mas limitar a essência de uma cor a uma percepção, parece extremamente redutor para com a vida.
Aqui também entra a parte do subjectivo. Cada ser humano, terá por certo a sua opinião, produzida pela sua própria mente, e seguindo a ideologia daquele dia, decide determinar as coisas, dando a sua opinião sobre o assunto. O que não se podem esquecer é que é uma opinião, e uma opinião não quer dizer que seja a verdade. Pode ser a sua verdade, mas ai tenham o cuidado de saber e dizer que é a vossa verdade, e não façam passar as coisas como a verdade final e subjugadora de todos os intelectos.
Porque a verdade global existe, como por exemplo a morte, ou os impostos, e se calhar muitas outras, mas de resto maior parte das coisas são verdades alternativas em pensamentos paralelos.
Conheço muita gente para quem a ironia é maliciosa, para mim a ironia é deliciosa, e quem em conhece como uma pessoa brincalhona, a ironia não é usada com desrespeito ou como ofensiva, é uma maneira que tenho de colocar as coisas. Ironia para mim é uma brincadeira, tal como se fosse uma bisnaga argumentativa e vos desse duas bisnagadas a provocar.
Meus amigos tenham em atenção uma coisa, antes de bufarem para o alto, pensem duas vezes que existem mais prismas e ângulos nas coisas da vida, do que aquele que vocês vislumbram, é por isso que vivemos num mundo a 3D. Não se precipitem a julgar o sentido com que as coisas são ditas ou acontecem, formem a vossa opinião, mas mantenham sempre espaço aberto para entender o prisma dos outros, sem falar em verdades.
No fim, é admitir que todos falhem.

Luís o rapaz social.

O Luís? O Luís é um malandro.
O Luigi como eu lhe chamo, é um maroto.
Se soubessem o que eu vi o Luís a fazer, constrangido pelos seus pares sociais, cedendo à pressão do grupo e entrando num mundo de práticas que parece tão desfasado do seu.
Luís...Luís...tu que dizias que até tinhas posts dedicados a ti neste blog, aqui tens mais outro, mas desta vez para apontar-te o dedo e dizer shame on you rapaz. Eu sei o que andaste a fazer, a deixares corromper-te pela pressão do grupo social.
E mais não digo, fica entre nós o facto de seres um malandro.

Naquilo que entendo ser a minha realidade.

EU SOU O SENHOR DA VERDADE ABSOLUTA E INCONTESTÁVEL ....RAAAAWWWWWWRRRRRR... :giggles:

sábado, março 21, 2009

Melancolia filha da mãe



Momento de atrofio a pensar no passado. O tempo não perdoa mesmo, e as recordações também não.

You in the dark
You in the pain
You on the run
Living a hell
Living your ghost
Living your end
Never seem to get in the place that I belong
Don't wanna lose the time
Lose the time to come

Whatever you say it's alright
Whatever you do it's all good
Whatever you say it's alright
Silence is not the way
We need to talk about it
If heaven is on the way
If heaven is on the way

You in the sea
On a decline
Breaking the waves
Watching the lights go down
Letting the cables sleep

Whatever you say it's alright
Whatever you do it's all good
Whatever you say it's alright
Silence is not the way
We need to talk about it
If heaven is on the way
We'll wrap the world around it
If heaven is on the way
If heaven is on the way


I'm a stranger in this town
I'm a stranger in this town
I'm a stranger in this town

If heaven is on the way
If heaven is on the way
I'm a stranger in this town
I'm a stranger in this town

quinta-feira, março 19, 2009

Demência com qualidade.



Estou a partilhar este vídeo com vossas senhorias porque fartei-me de rir com ele. Desde as vozes a certas expressões, fizeram com que me desmanchasse a rir.
É muito subjectivo a reacção que se tem com este vídeo. Admito que possa haver alguém que não ache muita piada. Eu apenas digo que têm de estar descontraídos e com mente aberta para apreciar a maravilhosa aventura de Charlie. E convém ter conhecimentos de inglês ou então não compreendem metade.

Sinceramente espero que gostem, e que algo vos faça rir. Nem que seja uma parte que seja tão irritante que vos faça rir.

C'MON CHARLIE...LET'S GET IN THE SHOE SHOE TRAIN....

quarta-feira, março 18, 2009

Doce demência



SPONGE BOBBBBBBBBB I WANT YOUR BABIES

sexta-feira, março 13, 2009

Get Psyched Song, para quando se sentem mais aborrecidos.

Para todo o pessoal que a estas horas está a trabalhar, e sente que está com sono, aborrecidos, ou a desejar férias, decidi partilhar com vocês a sabedoria de Barney Stinson. O que vocês precisam é da música com o efeito Get Psyched, a boa e velha You give love a bad name. Nem que seja só o inicio, aposto que vos faz acordar um bocadinho e pelo menos esboçar um ínfimo sorriso. Enjoy.

domingo, março 08, 2009

Indeciso

Estou cheio de sono.

É incrível a quantidade de sono com que estou a estas horas.

Cada bocejo é como que um soco nos rins, uma dor inesperada, um suspirar profundo de alguém com tempo para queimar.

Tenho mesmo sono, e as palavras dos outros já me ferem os ouvidos.

Acho que vou dormir, depois de 10 minutos para escrever algo tão curto, tão simples, e insignificante.

Decidi numa fracção de segundo que não vou dormir, vou apenas fechar os olhos e descansar. Talvez apenas repousar o corpo deitado no sofá.

Acho que vou mesmo é beber água porque tenho sede e daqui a pouco o mundo muda outra vez numa inconstância tolerante.

segunda-feira, março 02, 2009

Let the dice roll...

Porque eu sou uma maria vai com as outras, e todos aderem ao desafio também eu não quis ficar para trás.
Como funciona? Pelo que entendi, tenho de elencar 9 coisas sobre mim e 3 delas devem ser necessariamente mentiras, de modo a que o desafio para o leitor seja descobrir quais as 3 mentiras.
Isto acaba por ser preocupante porque muita gente conhece-me bem, incluindo familiares que costumam ler este blog, pelo que desta vez o problema não é uma mentira, mas sim as outras 6 verdades.
Bem vamos lá dar um remate a isto.

1 - Já consumi drogas alucinogénicas enquanto estudava.

2 - Uma vez num funeral desatei à gargalhada por me ter lembrado de uma piada contada nesse dia a propósito do próprio funeral, e toda a gente ficou a olhar para mim.

3 - Já dei um tiro em alguém.

4 - Raptei animais domésticos por forma a fazer chantagem.

5 - Coloquei as mãos a arder durante uma aula.

6 - Cuspi na cara de um polícia durante uma zaragata num bar, por causa dos amigos.

7 - Trabalhei no ramo da construção civil.

8 - Fiz uma pequena intervenção cirúrgica em mim mesmo.

9 - Fui atropelado pelo carteiro duas vezes na minha vida.

sábado, fevereiro 28, 2009

Conversa a que achei piada.

Normalmente é me difícil escrever a ouvir música aleatoriamente, principalmente como a música vem da televisão, mais propriamente pelas vozes de Nucha e Romana em representação do Festival da Canção de 2009.

Bravo capataz da sua vontade, este pobre mas valente escriba tenciona cumprir a sua missão.

Este post bem poderia ser o primeiro golpe para um capítulo de uma incrível saga, um relato de conversas à mesa. Suspeito com um certo grau de segurança no que vou dizer, que as pessoas quando comem sentem-se bem e cria-se um ambiente propício ao natural fluir da simplicidade do ser. Quando estamos satisfeitos, somos naturais, e os pensamentos são expostos com clareza e sem interferências, a não ser que estejam a mastigar de boca aberta e a falar ao mesmo tempo.

O cenário é sempre relevante, dá um certo impacto e profundeza às ideias partilhadas, às conversas lançadas, se assim não fosse o teatro não teria cenários, e os filmes seriam todos realizados pelo César Monteiro ao estilo Branca de Neve.

Mesa de jantar, um prato invulgarmente composto por feijão preto de picanha, uma batata assada com molho especificamente concebido para a guarnecer, e um pequeno soufflé distinto em requinte. Como quem diz, isto não combina, ou é coisa de malucos, mas se sabe bem que havemos de fazer. Os meus pais bebiam vinho por um copo baixo, como se fosse vinho de tasca, mas este saído de uma garrafa de bom valor, tudo num clima semelhante a uma refeição partilhada em mesa clandestina por poetas malditos. Acho que só faltou o absinto e o ópio no fim.

Só ficava a faltar a conversa propícia ao ambiente e ao cenário. Acho que é a conversa que faz o elo de ligação entre o cenário e o ambiente que se vive, é aquela ténue linha de correlação como se fosse a cola entre dois mundos, a cola que liga as acções comportamentais com o espectro linguístico que nos sai disparado da boca em forma opinativa ou argumentativa, podendo mesmo ser sob a forma afirmativa se a pessoa tiver muito segura de si.

Então a conversa começou no congresso do PS, mas o mais estranho foi onde acabou.
Do congresso do PS, viajamos um pouco pela política, pelo bota abaixo dos preferidos uns dos outros, mas em tom saudável e galhofeiro, e de repente pairando no mais leve mistério do Freitas do Amaral rapidamente chegou o meu pai ao Paulo de Carvalho criticando-o por ser um cagão, e dai nasce a afirmação que desse grupo de "gajos" o melhor era o Ary dos Santos, porque era um grande escritor. De repente falou-se um pouco da sua vida, opções políticas, literatura, e opções sexuais, tendo o meu pai dito que era homossexual, algo que parece ser de conhecimento geral.
A minha mãe retorquiu com espanto - Mas ele não era assim forte e meio descuidado? - claramente para a minha mãe os homossexuais têm ou devem necessariamente de ser bem parecidos e de plena forma física. Se calhar é para depois poderem dizer com um sorriso na cara que é um desperdício ver homem bem parecidos como homossexuais.
- Mas a Natália Correia era fufa, certo? - perguntou a minha mãe ao meu pai.
- Ui, essa não era nada fufa, era cá uma cabrita, adorava namorar, e não era com caras famosas, essa gostava daqueles homens normais. - respondeu o meu pai.

Num ápice estava em cima da mesa poemas da Natália Correia, e uma conversa sobre os favoritos, a referência ao poema feito pela escritora contra o CDS, e à parceria entre o poema de Natália Correia e a voz de José Mário Branco que a cantava.

Para muitos de voz pode parecer estúpido o meu espanto, ou descrição, mas obrigatoriamente sorri quando vi os meus pais a utilizarem naturalmente expressões como cabrita ou fufa, de maneira tão leviana e descontraída, de maneira fluída no meio da conversa. Achei piada, talvez por não estar acostumado, ou talvez porque tudo naqueles breves minutos de paz e conversa, tudo parecer tão simples e obscenamente normal.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Em homenagem ao nosso blog.



Para explicar o que fazemos por aqui, pela caneta de um dos melhores poetas portugueses, e na voz do maior declamador de sempre, uma voz única e incomparável.

São artes como esta que conseguem fazer-me pensar que escrever e ler, viver a arte de quem sente é de facto paz e calma.

Faço também deste post uma homenagem ao meu Tio Carlos que me relembrou uma voz singular e maravilhosa de Villaret.

domingo, fevereiro 22, 2009

Ainda sobre o efeito Brasil.



Ainda no espírito carnavalesco, muito baseado na alma brasileira da coisa, lembrei-me hoje de uns desenhos animados que gostava muito de ver em pequeno, onde consta uma das minhas versões favoritas da Aquarela do Brasil. Este vídeo não contem todas as músicas deste desenho animado como os Quindins de YaYa ou o Blame it on the Samba, e ainda o saudoso Tico Tico no Fubá da Carmen Miranda.

Noutros posts irei colmatar essa falhar e postar algumas dessas músicas.

Não sei se mais alguém, se recorda destes desenhos animados, se sim, que se acusem.
Saudades, muitas saudades para estes tempos.

sábado, fevereiro 21, 2009

É Carnaval.



Porque é Carnaval e esta música faz-me lembrar a minha infância.

Enjoy

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Mordendo-te os lábios

Ver a morte de perto, e não te ver a ti, estar de tudo tão certo, sem saber o que escolhi.
Pegar no pouco que sei, e fazer da palavra lema, e saber que dai farei, uma rima sem ser poema.
São as pequenas metamorfoses da vida, que tornam tudo tão indefinido, e com contrastes de quem lida, com texturas de um perdido.
Sinto que estás longe, mas fui eu que me afastei, eu bem sei.
Queria-te mais perto, mas sem um rumo certo, é difícil haver um ponto de convergência, e nem sempre a esperança abunda com paciência, mas não é por isso que deixo de querer, ter aquela vontade de ser, mais uma vez, talvez, apenas mais essa vez, só teu.
Não te dei o que queria, dei mais do que pedias, e tudo foi muito em tão pouco que era preciso, que era querido, desejado.
Por vezes dizemos cedo demais certas palavras, certos gestos e acções, são como precoces versos em canções, que ninguém ouve, porque houve, eu sei que houve ali um momento, em que nos deixamos levar, distraídos pela vontade, perdidos na decadência de um beijo mordido, um suspiro sentido, um olhar travado por um gemido. Foi ai que perdemos o sentido, daquilo que queríamos, do que esperávamos, eu dei-te algo diferente do que me deste, e como não parecia compatível quebrou-se o rumo que havíamos decidido tomar naquelas noites de conversa deitada fora.
Embora, tudo pareça gasto, sem remendo, eu sei que tendo, um pouco de paciência, razão e clarividência, podemos descobrir outro caminho, onde as mãos se cruzem, os beijos se mordem, e olhares que seduzem, sejam a nova ordem.

E repara que de um falar harmonioso, sempre em rima, e melodioso, aumentou a cadência, rebentou a inocência, e nasceu a bestialidade da vontade.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Quem muito te quer perde tempo.

Cantei-te uma canção de louváveis palavras, pedi a tua atenção vezes sem conta. Um olá ou um sorriso, nem que fosse um suspiro de desprezo, um sai daqui, um deixa-me em paz.
Podias magoar-me e ao menos saberia que me ouvias. O que temes tu?
Vou-me embora e nem te despediste de mim.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Sexta-feira 13...hummm ME-DO!!

Hoje é sexta-feira 13, e por tal motivo acho que vou jejuar. Vou jejuar porque olho para os talheres com medo. Facas afiadas, garfos afiados. Hummm, não me sinto seguro. Além do mais corre sempre o risco de me engasgar com a comida, e sufocar com um bocado de lombo no gasganete não é coisa bonita.

Estou aqui a escrever no portátil e penso, isto funciona com electricidade, e se por algum motivo apanho uma descarga?

Acho que o post fica por aqui. Tenho medo.

Espera só até sonhar com uma betoneira.

Das poucas horas de sono que consegui arrancar esta madrugada, lembro-me que sonhei muito. Embora não me lembre com perfeição dos sonhos, tenho quase a certeza que foram sonhos ridículos e sem nexo.

Por vezes tenho pesadelos, outras vezes sonhos agradáveis, sonhos bons, e sonhos muito bons. Desta vez tive um sonho dessa estirpe especial, os sonhos sem sentido e completamente estúpidos.

Vamos juntar as peças que me lembro, e depois pode ser que apareça alguém que saiba interpretar sonhos e faça algo disto.

Em primeiro lugar lembro-me de uma punção lombar, logo em seguida estava num campo de futebol onde os jogadores usavam protecções semelhantes às do futebol americano, e mesmo antes de entrar em campo pensei, "eh pá este jogo é capaz de se tornado mais violento entretanto, queres ver que é por causa do Bruno Alves?".

De repente já estou numa caverna a matar múmias/zombies com um lancha chamas, mas por outro lado eles parecem aterrorizados, só mais tarde vim a descobrir que são mal entendidos, são seres razoáveis, e aplicadores da lógica ao contrário do que se poderia pensar. Eram pacíficos e sentiam-se perseguidos pelo homem devido ao mito que lhes era imposto, como criaturas negras e malditas.

Um dos zombies guiou-me pelas instalações surpreendentemente bem organizadas e tecnologicamente avançadas, e enquanto seguíamos caminho até à sala do líder, explicava-me como tudo funcionava naquela sociedade proscrita. Explicou que não tinham nada contra os humanos porque eles próprios já o haviam sido, explicou que não atacavam nenhum humano que não os atacasse, e tinham por regra só consumir humanos já falecidos ou que estivessem moribundos, incluindo aqueles em situação de limbo que estivessem com dois dedos agarrados a um abismo, atiravam a moeda ao ar e logo viam se o atacavam ou não. Fora isso respeitavam o espaço dos humanos e não os chateavam. Enquanto andava pelas instalações olhei para umas salas mais escuras e senti curiosidade de espreitar, fui prontamente aconselhado a não o fazer porque podia ser visto como um acto agressivo, violar a privacidade daqueles zombies, e podia ser atacado por engano.

Cheguei ao pé do líder que se estava a arranjar, vestia um casaco estilo Napoleão, e eu não resisti fazer um comentário sobre o casaco, do mesmo modo ele não resistiu perguntar-me se tinha usado aparelho nos dentes. Disse que sim. Retorquiu que se notava que os dentes pareciam alinhados menos os dois da frente que não estavam direitinhos, e que demonstrava que me tinha fartado de usar a mordaça nos dentes, não levando até ao fim o tratamento. Acenei com a cabeça afirmativamente.

A partir daqui não me lembro de mais nada, acho que acordei com o telemóvel. Se alguém ligou de manhã com um assunto importante, peço para voltar a ligar porque lembro-me de ter balbuciado qualquer coisa no telemóvel, mas não me lembro do que se tratava, ou quem estava do outro lado.

Passados 10 minutos estava acordado, e assim dormi das 5 da manhã até as 9.
Se hoje parecer meio apagado ou a não fazer sentido, escusam de perguntar porque será.

Reflexões tardias

Este é um daqueles posts que não sei bem como escrever. De certo um dos mais reflectidos em toda a minha vida, e no entanto tão vazio de sentido no que toca a partilha com o mundo. Temos sempre pensamentos nosso, reflexões com sentido, pensamentos bons, maus, vazios, significativos. Este será sem dúvida um pensamento em que se encaixa tudo e nada.

Estava à procura de um livro de poetas russos, que gostava de reler, e ultimamente tenho lido muito, e dentro desses muitos livros, tenho lido um pouco de tudo. Poesia, pequenos contos, livros mais complexos, livros menos complexos, dicionários, livros técnicos. Embora este post não seja sobre literatura, como já tinha enunciado posteriormente, tudo têm relevância neste post.

Enquanto procurava o tal livro de poetas russos, encontrei uma caixinha cheia de cartas antigas. Maioria eram cartas de ex namoradas, mas também tinha cartas de família, especialmente relacionadas com aniversários, como postais de aniversário de alguns amigos, ou cartas a desejar um feliz aniversário enviadas pelos meus irmãos.

Decidi perder uns minutos e passar os olhos por essas cartas, e acabei por ler outras mais que tenho guardadas numa gaveta. Nessa gaveta tenho muitas recordações, maioria com um significado amoroso, mas também muita coisa relacionada com momentos da minha vida que não quis largar.

Em quase todas as cartas ou postais de cariz amoroso, é repetido o mesmo rol de frases, que quase se tornam em chavões de proporção bíblica. Frases como "Quero-te para sempre", "És tudo para mim", "És a razão da minha vida", ou o tão afamado "Amo-te muito para sempre" ou a versão mais soft "Amo-te muito", são uma constante em todas essas cartas.

Depois de passar os olhos por essas recordações, decidi pensar na vida, fiquei um pouco melancólico, e decidi ir para a janela pensar na vida.
Não se vê uma única estrela no céu, não se vê a lua, e o único feixe de luz é completamente artificial, luzes da casa de alguém ainda acordado ou dos candeeiros que iluminam a rua.

Por momentos pensei, que seria uma bela analogia esta da luz artificial com a facilidade com que se diz amar e tudo acaba. Por momentos pensei se não será o amor todo um pouco artificial. Ver o amor como uma luz artificial que nos guia por partes da nossa vida em que temos a necessidade de justificar sentimentos e necessidades com palavras que tenham algum impacto e peso ao ser proferidas.

Se quero ser honesto não podia pensar assim. Eu sei que já amei nesta vida, e não seria justo pensar que foram sentimentos artificialmente criados pelo meu espírito para me agarrar a algo que queria, que necessitava e prezava. Não posso admitir que me sinta bem ao adaptar todo o significado de amar a uma criação puramente artificial por forma a alimentar necessidades de sentir algo.

Sei que não amei em vão, que raras tenham sido as vezes que usei essa palavra de forma desalojada, ou sem sentido, apenas para agradar alguém ou facilitar que se proporcionasse o cumprimento de algum desejo.

Apenas fiquei com dúvidas se vale a pena. Não questiono se vale a pena amar, lógico que vale, mas questiono antes se vale a pena amar de maneira libertina, se vale a pena amar da nossa maneira. Digo isto apenas porque é mais do que claro que existe uma pressão socializada para valorizar o amor, para o quantificar, para o encaixar de alguma forma nas expectativas dos outros. Já fui acusado de amar demasiado, e também de não amar o suficiente. Já tive dificuldades em descobrir o amor, e tive dificuldades em o esconder.

Nos livros que tenho lido, não é frequente falar de amor. Penso que de certa forma, em certos períodos da história literária, o romantismo e o valor do amor perdeu fé, e deixou de ser retratado ou aplaudido, usado com tranquilidade ou mesmo definido em pequenos trechos. É comum encontrar um sentimento como a paixão ou o desejo, mas o amor, é um assunto totalmente diferente, é outro grau de insanidade, e uma espécie de tabu.

Apesar de tudo isso, num dos livros que tenho lido, uma personagem fala de amor. A pior e mais aterradora forma de amor. O amor incondicional por parte de uma só pessoa. No fundo trata da mais aterradora situação, um homem que ama incondicionalmente, é correspondido, mas de uma forma muito leve e tímida, sendo que a mulher não o expressa nem admite sentir no mesmo grau, ou quanto muito admite sequer que sente alguma coisa. No fundo nós sabemos que sente, porque somos o leitor e temos acesso ao sentimento de ambas as personagens, mas o nosso bravo rapaz ama uma mulher que não é capaz de retribuir mesmo que o provoque vezes sem conta para que este lhe diga o que sente, e que de forma quase debochada espirre em sangue aquelas palavras pela boca, e após o desgraçado o ter feito com o maior brilho nos olhos, manda-o embora, porque simplesmente não lhe apetece retribuir, e prefere fechar em si qualquer possibilidade de tudo dar certo, a ceder em ficar naquela posição que considera de vulnerabilidade.

Ora em minha opinião uma pessoa que não ama por medo, quando sente intimamente que o devia fazer, é claramente estúpida.
Não excluo que as consequências de expor um sentimento como o amor não possam ser aterradoras, apenas digo que o medo não devia justificar o sacrifício de uma coisa que pode ser tão simplesmente fantástica e satisfatória.

Temos pessoas que não sabem claramente o que é amar, e utilizam levianamente o significado desse sentimento, a outros tem de ser arrancado a ferros, outros de forma quase herética afirmam num piscar de olhos que amam, sem sequer saber o que sentem.

Podia alongar-me neste assunto, mas retiro já algumas conclusões para este post, porque atingi um ponto em que acho toda esta conversa absolutamente inútil.

Primeira conclusão é que amar não é fácil, nunca será, e o amor é algo que requer demasiada imbecilidade sentimental. Pode ser a coisa mais linda do mundo, mas meus amigos o amor é capaz de ser o maior mal encapuçado de bem que existe neste mundo.

Hoje em dia, o mundo não está feito para românticos, pelo qual me retiro de mansinho desse palco. Prefiro ficar na sombra esquecida de um bastidor, do que na ribalta de uma peça social que não foi feita senão para a tragédia da minha espécie.

O amor é uma doce ilusão que se confunde com realidade, enquanto durar é um feliz sonho. Não digo que não se deva amar, apenas digo que se deve sonhar sempre que possível sem ter medo de um facto quase garantido, que qualquer dia, temos de acordar. Não tenham medo disso. Vale sempre a pena amar, e lutar por isso, mas ninguém me convence que é coisa de débil mental. Como já ouvi dizer, "Love isn't blind, love is retarded".

Pessoalmente, hoje, neste momento, se tiver de pensar numa pessoa, mais depressa penso e sinto falta de quem nunca me disse amar, nunca me mandou uma carta com qualquer coisa do género. Sinto falta de quem me fez crescer, de quem me fez ver a vida por mim mesmo, de quem gostou de mim aceitando-me e compreendendo-me por completo, numa paixão que se complementava enquanto lambíamos feridas de quem nos dizia amar para sempre.

PS. Este post vale o que vale, são quatro da manhã e estou cheio de dores de cabeça, garanto-vos que o pensamento na minha cabeça era muito mais elaborado, chegava a ter piada, e parecia muito mais positivo do que qualquer porcaria que possa ter escrito aqui em cima. É complicado expressar uma opinião sobre uma coisa que pensamos saber muito, e no entanto se revela um complexo mistério em qualquer altura.