segunda-feira, setembro 22, 2008

Se calhar tens razão, falhei com a minha vida.

São momentos destes em que vejo que a fragilidade não tem sexo, a dor não tem piedade, a mágoa existe e é patente quando choramos, no meio de uma súbita vontade em desaparecer que não nos dá tréguas.

Não sei quem sou, nem quer o que seja, quem vou ser é segredo, e tenho medo dessa caixa de pandora. Não revelo os meus segredos, guardo em paz a minha alma podre com pensamentos violentos contra mim próprio. Tenho medo de abrir portas por onde saia e me perca, sem nunca poder voltar atrás.

Fosse tudo tão óbvio, e tão certo, tudo tão claro e fácil, e eu saberia responder o quanto vale esta vida.

Vale o que vale, para quem lhe dê valor, vale o que se sabe e não se teme, vale pela candura e pelo sossego, pela paz de espírito sem revolta, sem ciume de outras vidas, sem estar mergulhado em incertezas sobre as provas de um destino.

Balbuciando é que vou vendo, em choro miudinho e resguardado, o quanto é fácil , quando se pretende, forjar em alguém tal culpa, tal derrota, em que ninguém tem de nos odiar pelo que somos, nós próprios cultivamos o nosso ódio por nós mesmos.

Desilusão biológica, produzido com a terra do nosso corpo, a pobreza do nosso espírito e os arados das palavras duras que nos ferem.

Se não fosse por saber o quanto custa, o quanto doí e o sofrimento que causa, já tinha desistido faz muito tempo, de plantar esperanças para um futuro, e tinha optado pela cobardia que parecem querer plantar em mim.

Magoa.

Sei que sou uma daquelas pessoas que não se importaria que me chamassem de falhado, mas isso só seria assim tão simples, se apenas não me sentisse como um.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Coisas que também podem irritar o Dexter.

De repente comecei a escrever aqui no blog, algo que já não fazia faz tanto tempo. Para ser honesto já fazia muito tempo que não escrevia na internet em português. Admito que sabe muito bem.

Eu gosto de falar e escrever em inglês, mas repetir tal tarefa como se tivesse crescido nessa realidade torna-se assustador.

Certas vezes tenho uma sensação estranha, até pode ser embaraçoso admiti-lo, uma sensação de quem se quer perder pelas palavras da nossa língua, dar a volta por todo o vocabulário possível e cuspir dois ou três caroços dessa nossa língua.
Gosto muito da maneira tradicional de certas coisas, não me oponho a mudanças, não sou um saudosista como muitos que ocupam os nossos jardins mentais dando opiniões pelos media ou bradando nas ruas. Sou conservador no que penso que me convêm, mas também no que penso que me dá gosto em manter.
Quando falo com uma data de pessoas em inglês por vezes sinto, e de facto tenho, algumas dificuldades em expressões, não falo apenas de regionalismos, mas a malta nova têm tendência em inventar palavras, expressões e maneiras de falar. Estes dias mandaram-me um e-mail a reclamar de qualquer coisa a respeito do meu cargo num fórum, e vinha escrito no que vim depois a descobrir que é o lolz catz, uma linguagem atribuída a fotos de gatinhos a fazerem palhaçadas naturalmente, como a saltar em pleno ar, etc.

Mais uma que foram inventar, não os recrimino, em Portugal aconteceu o mesmo com os sms, com o escrever como as pitas, com a linguagem usada nos irc's e internet. Não os recrimino. São modas, tendências, mesmo uma verdadeira epidemia.
Sou conservador quanto à linguagem, e apesar de não recriminar quem a altera, sofro e tenho pena pela nossa língua. Não os recrimino, mas admito que não gosto deles. Não gosto do bué, do tasse, do bacano, do achandra ai, do dá uma beca, bué da nice bué da baril, do brotha, do chavalo, do baita, etc. Não gosto. Não gosto porque não me convêm, sou capaz de usar um pah admito, mas não aprecio a falta de suavidade de um "yo tasse bacano".

Para ser sincero em certas alturas já me apeteceu esmurrar esses assassinos, esses pulhas que andam sempre a causticar a nossa língua, abomino interjeições inventadas, vocábulos ordenhados em saliva de boçais gentes, bandidos.

Mas não são os piores, pobres diabos, falam como lhes convêm, nisso não os recrimino, e a mentalidade "sem esforço sabe melhor", não admiro mas aplaudo tal destreza de pensamento. Porque raio haviam de fazer um caminho longo quando se tem atalhos. Sim senhor. A esses pobres diabos que se sentem alumiados pelo facilitismo, não lhes desejo nenhum mal.

Agora aqueles que se intitulam de conhecedores, de sábios, intelectuais nobres, anciãs da sociedade moderna. O guru da aldeia no tempo das altas tecnologias, o que sabe mais que os outros, que aponta e ri. A essa gente que recrimina a boçalidade dos pobres diabos, jovens e inconscientes na maioria das vezes, e de repente arremessa uma jarda com uma catrefada de asneirada, de palavras amassadas e pisadas pela plebe, a essa corja de sabichões, não recrimino, mas desejo-lhes boa sorte na sua busca por uma personalidade sem hipocrisia.

Direito a dizer baboseirinha e protegido legalmente.

De acordo com a Universal Copyright Convention, uma convenção internacional sobre direitos de autor, para obter direitos de autor basta escrever um texto que encaixe num trabalho digno de ser material para direitos de autor, e eventualmente assinar, para automaticamente ter direito ao copyright sobre essa obra.

Apesar de não concordar com isto, eu devo ser uma das pessoas com mais direitos de autor sobre baboseirinhas escritas. Sei que é assustador mas é assim que funciona.

Como funcionam as coisas.

Para os que falam e não ouvem
Passar bem e boa noite.
Para os que apontam e ficam quietos
Passar bem e boa noite.
Para os que riem e nunca choram
Passar bem e boa noite.
Para os que pedem e nunca dão
Passar bem e boa noite.
Para os que se esqueceram de quem são
Passar bem e boa noite.
Para os que tentam mudar tudo isto
Boas sorte este mundo não é o teu.

domingo, julho 27, 2008

Just let it go.

Someone just lied to you
And said something it isn’t true
Just to see you cry
Someone got over you
That time bomb already blew
It’s time to say goodbye

I can see your shattered dreams
Impressed in the look of your eyes
Like in big panoramic screens
Full of hate and hurting lies


So let it go
Don’t keep it in you
Just let it flow
There’s nothing you can do
Just let it go
Not worth to chase it
So let it flow
Just mourn and sit

Like thunders in a mountain
Roaring inside your deep soul
Tears flush like a fountain
And your hope is a piece of coal
You’re screaming and shaking
All your faith is for taking
The highest bid is from your own
No point in make things harder
When she has already gone

So let it go
Don’t hide it any more
Just let it go
You’ll open another door
Would you let it go?
Pick yourself up from the floor
Please let it go
Swim back to the safest shore

Drifting in your own mind
Thinking you could maybe find
Someone else to take your place
Pain could be deaf and dumb
But for sure she isn’t blind
She will know your face

So let your body go numb
Keep biting your own thumb
But let it all go
There’s nothing you could show
And nothing you could do
Time won’t come back for you
So please just let it go
Please just let it go
Just let it go
Let it go
Let go…..

domingo, julho 20, 2008

É a vida pá.

A expressão linguística pá, usada de variadas formas como por exemplo, "então pá por onde tens andado", "é pá isso agora", "pá se lá fores agora", " não é assim pá", é uma das maravilhas da nossa língua.
A expressão pá, não só é a mais polivalente interjeição da nossa língua, pois serve quase para expressar qualquer emoção, como também pode ser um vulgar substantivo.
Vamos ser sinceros pá, a expressão pá é como que uma espécie de muletas para o apoio de outras palavras ou para a formação de frases, sendo o alicerce de todo um raciocínio que ficaria incompleto e coxo sem a palavra pá. A frase "não faças isso, não estás a ver que ainda afogas o puto" é neste momento uma frase nua, despojada de sentido, sem qualquer apelação, e com uma grande dose de insucesso. Colocada deste modo, é mais do que óbvio que o puto acabou por se afogar, porque a pessoa que estava a exercer a brincadeira inconsequente, não prestou devida atenção aos avisos quanto à normal reacção do corpo humano a uma situação adversa à sua fisionomia, porque como é óbvio maioria de nós não possui guelras.

Se tivesse sido inserido o pá ali naquela frase de modo a ficar algo como, "não faças isso pá, não estás a ver que afogas o puto pá", de certo não teria acontecido esta tragédia com o João Vítor na praia da Lomba em Gondomar.

Verdade seja dita que o vocábulo pá é de importância fundamental, impõem-se em qualquer situação, é chamativo, e constitui um fundamental apoio a qualquer conversa. Temos de convir que quando usamos a expressão pá, as pessoas começam logo a levar-nos a sério. Denota o vigor, a seriedade da situação, é imponente e intemporal. Desde dos tempos do D. Afonso Henriques que se usa tal brochura da nossa linguística, "Vamos dar porrada aos Mouros pá", "A minha mãe anda-me a moer os cornos pá", "Que merda é essa pá? Algarve?", não sabia ele que seria uma das melhores zonas do nosso Portugal.

Isto vem a propósito por ter reparado num destes dias que os advogados têm uma reacção diversa à expressão pá, é quase como uma vulgaridade, certamente porque não tem tradução para o latim e acaba por ser demasiado agressivo para os meios pacifistas praticados por tal horde de profissionais. Posso sinceramente dizer que notei um certo ar de asco na cara do advogado quando o cliente usava e abusava da expressão linguística pá.

Desafio um qualquer advogado a ir à lota de Leixões falar com um homenzinho do povo que use a palavra pá a torto e a direito, e no meio da conversa repita vezes sem conta a expressão quid pro quo.
Algo me diz que o cheiro a atum não sai com facilidade do colarinho.

terça-feira, julho 01, 2008

A pequena sereia devia fazer uma mamoplastia.

Já cá não postava faz algum tempo, mas como também não vi ninguém a manifestar desagrado com esse facto, cheguei a pensar que a minha ausência era do agrado do povo.

Aos poucos que ainda são capazes de sorrir por voltarem a ver um post meu neste espaço, aviso desde já que é qualquer coisa fraquinha só para ganhar de novo o hábito, por isso ponham as esperanças de lado porque não vem ai nenhum texto deslumbrante.

E pronto era mais ou menos isto que ia postar, mas depois pensei que se calhar também era demasiado castrador da vossa esperança em ver aqui uma obra prima...Sinceramente não sei do que estou a falar por isso vou passar logo para o assunto que aqui me trás.

Basicamente venho falar de programas infantis e formosas raparigas.
Quem não se lembra do Buéréré apresentado pela Ana Malhoa? Nessa altura a Ana Malhoa só por si era líder de audiências nas manhãs de sábado, muita da criançada ainda estava a dormir, e já alguns graúdos estavam agarrados à televisão de roupão e substituindo os cereais ou as bolachinhas por uma cervejola e uma sandes de queijo.
Por essa altura a Ana Malhoa ainda que nova, despertava alguns paradigmas sexuais, era uma moça formosa que supostamente devia entreter a criançada. Depois de Ana Malhoa nunca mais se viu tal coisa, jamais houve uma formosa rapariga a apresentar um programa para a miudagem. Hoje em dia Ana Malhoa acaba por ser degradante, não ponho em causa os atributos da senhora, apenas a sua capacidade para me causar a mínima cocega sexual. É que não me diz absolutamente nada. Ainda hoje vi uma sessão de fotos da dita senhora para a promoção do novo álbum chamado Exótica, e nem o menor interesse em olhar fosse para onde fosse, o seu sex appeal perdeu-se no meio de bolas coloridas e crianças a cair de cara numa alcatifa com o Rato Mickey estampado.

A mais recente heroína da criançada, não foi a Carolina Patrocínio, mas sim a Luciana Abreu no papel de Floribela, um papel que lhe valeu variada depreciação da sua aparência, umas perninhas que pareciam dois troncos, o vestuário não ajudava, e resumindo a Floribela era feia como os porcos. A Floribela estava destituída de qualquer chama sexual, sem o mínimo interesse, nem se podia chamar de pãozinho sem sal, aquilo era um punhado de farinha amparo num bocado de carvão do forno a lenha. Hoje depois de a ver no programa especial da Chuva de Estrelas a imitar a J-Lo, vi naquela rapariga uma verdadeira bomba sexual, e não falo apenas no corpinho bem dotado de argumentos, principalmente a sensualidade de movimentos, o sorriso chamativo, a energia e alegria como se mexia, numa suavidade plena e ao mesmo tempo carregada de trovões libidinosos.

Depois pensei cá para mim, na geração em que metiam raparigas sensuais a apresentar programas para a criançada, as crianças eram mais felizes, e os adultos também viam a bonecada, hoje em dia só deixam despontar estas moçoilas depois de as correrem dos programas infantis., hoje em dia somos obrigados a assistir a um tijolo dançante a fingir de bailarina.

Gostava que os senhores das estações televisivas entendessem que os seios não têm exclusivamente importância no crescimento das crianças na fase da amamentação, ao longo do desenvolvimento de qualquer criança, os seios acabam por ter um efeito benéfico para o desenvolvimento de um jovem rapaz. Sendo assim peço que metam mais seios, e fartos, na programação infantil, não só para o bem dos petizes que precisam com eles ter algum contacto enquanto crianças, mas também porque hoje em dia é mais fácil para mim acordar às 8h da manhã para ver uma rapariga formosa na tv a fazer umas macacadas que aguentar acordado até às 3h da manhã para ver uma moça qualquer a atender uns telefones e a falar muito alto para dar uns prémios baseados na palavra ananás.

terça-feira, junho 03, 2008

Don't know you right about now.

I don’t know where to look, keep counting minutes like I was about to die. Every breath I took was more like a smile denied. I saw you walking down that lovely shrine I built for you in my mind, you slash my hope into a little sushi crime, and all sort out lunatic style.

I feel your hand is waving something, I don’t know if you’re friendly, you look like a girl I used to know, but now you seem terribly cute, and I didn’t know you that way.

There you go with that crazy arcade look, like you had to win it all, you kept wining me all night and never claimed the prize, you sound a maniac depressed girl, slept deprived.

Close your eyes, tomorrow you’ll be able to conquer them all.

sexta-feira, maio 09, 2008

Tudo uma palhaçada.

E ainda criticam o Saramago? Qualquer pessoa de bom senso que tivesse a consciência de viver no mesmo país que o Pinto da Costa entregava logo Portugal nas mãos dos espanhóis.
Quem me acusar de não ser patriótico que levante o dedo e o meta na boca enquanto assobia as músicas do 25 de Abril.

quinta-feira, maio 08, 2008

Mais música para vocês nesta vossa rádio cibernáutica.

Maior parte das conversas que tenho sobre o blog, começam e acabam com o elogio da sua banda sonora, ali da música que pode tocar durante horas para nos entreter, algumas pessoas inclusive usam este blog apenas pela sua música. A tais pessoas eu digo, "então pah... e a escrita pah?".

Apesar de achar que tanto os meus textos como os do Zica são ocasionalmente bons e agradáveis, com algum gosto e senso, tenho realmente de admitir que a música não está nada mal.

Foi um trabalho árduo que hoje foi ampliado nas ultimas horas. Passei de 400 para 500 músicas, mais uma data de músicas bem conhecidas, outras que vos dou a conhecer. Todo este esforço não foi pela glória de atingir as 500 músicas, muito sinceramente num dia ponho aqui 1000 boas músicas desde os anos 50 aos 80. Todo este esforço teve como missão melhorar um pouco a lista de músicas, porque se logo de inicio disse que era uma lista com músicas desde pelo menos os anos 50 até aos anos 80, tinha muito poucas músicas dos anos 50 e 60. Depois de falar com um amigo sobre alguns sucessos desses anos, e de andar no Youtube a caçar algumas recordações, decidi ir em busca das mesmas músicas no Finetune e deixo-vos aqui o que encontrei e adicionei ali à caixinha de música.

The Champs- Tequilla

Royal teens- Short Shorts

Coasters - Yakety Yak ; Charlie Brown

Drifters - Dance With Me

Platters - Only you; Great Pretender; Smoke Gets in Our Eyes

The Clovers - Love Potion nº 9; Blue Velvet; Fool Fool Fool

The Penguins - Earth Angel; Be Mine; That's How Much i Need You

The Shirelles - Will You Love Me Tomorrow; Mama Said

The Five Satins - In the Still of the Night

Flamingos - I only have eyes for you

The Students - Every day of the week

Frankie Lymon and The Teenagers - Goody goody; Little bitty pretty one

Bobby Darin - Beyond the sea; Mack the knife; Splish splash

Buddy Holly - Crying, waiting, hoping; Everyday

The Everly Brothers - All i have to do is dream; Bird dog

Rick Nelson - Traveling man; She belongs to me

Richie Valens - Donna; Come on lets go; La bamba

Eddie Cochran - Summertime blues; C'mon everybody; Something else

Gene Vincent - Be-bop-a-lula; Lotta lovin

Billy Lee Riley - Baby please don't go; Flying saucers rock and roll

Amos Milburn - Chicken shack

Danny and The Juniors - At the hop; Rock and roll is here to stay

Bobby Day -Rockin robin

Crests - Step by step; I remember

The Chiffons - One fine day

The Dixie Cups - Chapel of love; Iko Iko

The Rainbows - Mary lee

Bobby Rydell - Volare

DeanMartin - That's amore

Frankie Vallie - Tears on my pillow; Summer nights; Big girls don't cry

Bobby Vee - Take good care of my baby

Gene chandler- Duke of Earl

The Rays - Silhouettes

Betty Everett - It's in his kiss

The Tokens - Tonight i fell in love

Martha and the Vandellas - Dancing in the street

Little Anthony and the Imperials - Shimmy Shimmy ko-ko bop

Roy Orbison - Pretty woman

Jan and Dean - Surf City

The Ventures - Walk - don't run; Hawaii five-o

Ronny and the Daytonas - GTO

Little Peggy March - I will folow him

Lesley Gore - It's My party; Sunshine lollipops and rainbows

The Fleetwoods - Come Softly to me

The Supremes - Stop in the name of love

Ben E King - The magic moment

Bill Withers - Ain't no Sunshine; Lean on me

Dick Dale - Ghostriders in the sky; Hava Nagila

Duane Eddy - Rebel Rouser; Peter Gunn

quarta-feira, maio 07, 2008

Porque esta música é bestial.



Who likes short shorts... i like short shorts...

domingo, maio 04, 2008

Um Feliz Dia da Mãe.

Acordei eram 9h da manhã e sai do quarto devagar e descalço para não fazer nenhum barulho ao passar pelo quarto dos meus pais, bati à porta do quarto da minha irmã e disse-lhe para se despachar. Desci as escadas com cuidado para não fazer nenhum barulho e fui para a cozinha. Limpei as bancas e a mesa, tirei dos armários tudo o que seria necessário.
A minha irmã foi colher umas quantas flores ao jardim e com jeito e mestria formou um bonito ramo de flores. Enquanto isso eu cozinhava, como sempre gostei de fazer. Até seria capaz de dizer que o meu gosto pela culinária nasceu num dia como este, quando era pequeno e fazia todo este ritual com os meus irmãos. Pus o pão na torradeira, comecei a fazer os ovos mexidos à minha maneira. Sumo da laranja natural, café com leite, croissant, uma tacinha com doce, outra com um pouco de manteiga, fatias de queijo, fiambre, e um pouco de patê preparado por mim. Metia uma fatia de bolo feito no dia anterior, e deixei chá feito caso fosse preferência em vez do café com leite ou sumo de laranja natural. Fui à sala buscar o tabuleiro de ocasião, meti um bonito pano por cima, um daqueles que a minha mãe gosta.
A minha irmã ajuda-me com as torradas e com o sumo, enquanto acabo de dar os toques finais. Flores alinhadas, tudo disposto para dois.
Falta o cartão. De maneira revezada escrevo um pequeno verso ou umas frases que me brotam da alma, e a minha irmã faz o mesmo. Assinamos o cartão e este é colocado estrategicamente perto do bonito ramo de flores. Começamos a subir as escadas devagar, levando o pequeno almoço e as prendas pelo caminho. Entramos no quarto dos meus pais e preparamos tudo para um bom começo de dia com um pequeno almoço na cama. A minha mãe fica emocionada, diz que não era preciso e o meu pai ainda está a acordar e até fica bem disposto porque não recusa dar umas trincas naquele pequeno almoço.
Abrem-se as prendas, distribuídos os miminhos, e finalmente é lido o cartão. As pessoas emocionam-se e mais uma ronda de mimos e sorrisos trocados de imediato de uma forma que tanto carinho já não cabe naquele quarto. Vamos nos arranjar para ir almoçar fora, vamos todos a um restaurante escolhido pela minha mãe onde começamos a almoçar agora mesmo. Daqui a nada depois de almoço vamos dar um passeio por ai durante a tarde.
No meio de tudo isto espero que a minha mãe tenha gostado deste dia, e que o meu desejo realmente se tenha concretizado, quando lhe desejei um feliz dia da mãe.

Infelizmente com grande pena minha, isto é um mero relato do que seria o meu dia hoje, estou longe da minha mãe e por tal motivo tudo isto não passa de um sonho vivido acordado, algo que me leve mais próximo dela, para que a sinta um bocadinho mais perto de mim.
É engraçado quer seja por tradição ou imaginação minha, simples relato de outros tempos ou puro desejo de poder realizar tudo isto mais uma vez, estive desde que acordei até agora a pensar em tudo isto. Tudo imaginado ao pormenor.
Cheio de saudades e com um aperto no peito por não ser mais uma doce realidade. Estando perto ou longe o sentimento será sempre o mesmo independentemente das acções realizadas, continuo a amar a minha mãe como nunca, mais do que ontem, e cada dia mais um pouco.
Dou-lhe todo o valor que se pode dar, toda a estima de um filho, porque todo eu sou dos meus pais.
Se tenho um coração que sente de mão dada com a minha alma então à minha mãe o devo, se tenho lágrimas que espelham saudade por ela, a ela o devo, se tenho dado um suspiro que libertou o aperto do meu peito por não ter estado ao pé da minha mãe, a ela o devo.
A uma pessoa que me deu tudo, a mim e aos meus irmãos, que nos amou apesar de tudo, que sofre todos os dias por querer o melhor para todos nós, seria impossível não admirar a pessoa que tem o mais belo altruísmo de todos neste mundo, o altruísmo de quem quer bem aos seus filhos.
Por isso à minha mãe e todas as mães como a minha desejo um feliz dia da mãe, cheio de felicidade e alegria, e que possam estar com aqueles que amam, em presença ou pensamento.


Para a minha mãe em especial, um enorme beijo e um abraço daqueles que lhe costumo dar, cheio de saudade, mimo e carinho, quando a agarro como quem agarra a vida, com um sorriso, algumas lágrimas e muito amor.

sexta-feira, maio 02, 2008

Foto da semana.

E porque adoro fotografia decidi sempre que puder, e pelo menos uma vez por semana, postar aqui uma fotografia entre as melhores de sempre.

Hoje escolhi uma fotografia de 1932 tirada por Charles C. Ebbets no 69º andar de um arranha céus em construção. Esta foto retrata onze trabalhadores a fazer uma pausa para almoço todos alinhados numa viga a umas centenas de metros do chão. Uns dias depois o mesmo fotografo voltou a tirar novas fotos neste local que retratava trabalhadores a dormir durante as suas pausas nestas mesmas vigas. Sou sincero só de olhar e imaginar sinto uns calafrios.

quinta-feira, maio 01, 2008

Porque a dupla personalidade sempre me fascinou.

-Olá como está?

-Estou bem obrigado, e consigo?

-Cá vamos andando não é.

-Pois parece que sim, e este tempo que anda maluco ein?

-A quem o diz, não se entende estas coisas.

-Tem merda de pombo no casaco.

-Olhe a sua tia é que é feia.

-Cheiras a leitinho...cheiras a leitinho...

-Cumprimentos à sua esposa e ao seu mais novo sim?

-Serão entregues, igualmente.

Velhos hábitos...é tramado...

Porque quero e porque posso.... a palavra do dia é ....(rufar de tambores)

Lambreta

Coisas que irritam o Miguel. Parte I

Hoje contaram-me uma piada e eu depois acabei por rir.

(afirmações sem conteúdo)

As coisas que me aconteceram na quarta-feira.

Ontem aconteceram coisas, e vocês leitores com um ar surpreendido exclamam...a sério...um dia em que aconteceram coisas??? Fantástico Pedro, deve ter sido mesmo um daqueles dias. Conta lá então que coisas são essas se faz favor.

Eu como sou um rapaz simpático e deveras aborrecido neste momento, até sou menino para vos dar uma luz sobre os acontecimentos.

Primeiro e por ordem cronológica dos momentos mais marcantes, ontem finalmente pude usar a expressão "calem-me esse gajo".

Um verdadeiro momento de glória que define o antigo Pedro caladinho no seu canto, e o novo Pedro com traços de pura demência e opinativo.

O que sucedeu foi o seguinte. Ia eu no metro de regresso a casa quando oiço um jovem por volta da casa dos 20 anos a conversar com dois amigos. A sua conversa era basicamente "esses pretos isto...esses pretos aquilo...deviam era ir para não sei onde.." e assim continuava embebido nos mais hediondos comentários racistas. O vosso amigo aqui já farto da conversa de repente dá-lhe um baque surdo na cabeça e só se lembra de dizer com ar de quem vê o Benfica a apanhar três secos da Académica (para demonstrar que era um tom ligeiramente chateado), a seguinte expressão, "epah calem-me esse gajo". Isto dito assim a meio do metro, a seco e a apontar para o rapaz. Ninguém bateu palmas, ninguém me felicitou, ninguém apoiou, tudo calado, eu de repente consegui calar uma carruagem inteira do metropolitano.
Satisfação? Sim alguma, no fundo o rapaz calou-se, e o objectivo foi alcançado ainda aliado a um sentido de poder ao ter conseguido calar uma carruagem inteira (não é que estivesse muito cheia), mas a pagar o preço da vergonha de ter feito tal acto.

Em seguida já a chegar perto de casa, paro no quiosque para ver as primeiras páginas dos jornais diários ali impressas contra o vidro quando oiço três raparigas a comentar o seguinte..."com aquela barba dá um ar cigano, mas até é giro o rapaz...". Com o primeiro comentário veio a desilusão, alguém disse que parecia um cigano por causa da minha barba, mas em seguida disseram que eu até era giro logo veio um sorriso e a pose ao estilo "deixa lá ver o que temos aqui", e depois a desilusão ao ver que elas não eram giras. Logo no confronto de emoções, ganhou a desilusão.

O último acontecimento que merece reporte aqui neste espaço foi a minha façanha com a EPAL.
Depois de verificar que não saia qualquer água das torneiras exclamei logo, "mau..", e num dia normal teria ficado por ai. O antigo Pedro era assim, não temos água vamos esperar que volte. Pois o novo Pedro nem pensar, pega na última conta da Epal, verifica que está paga e desata a marcar o número de apoio aos clientes.
Atende uma senhora e pergunta em que pode ajudar, ao que teve de levar com a seguinte conversa, "Olhe cheguei agora a casa e verifiquei que não sai qualquer água das torneiras, gostaria de saber se existe alguma razão para tal além do óbvio..." ao que a senhora perguntou onde morava e eu respondi sendo então informado que havia uma avaria a ser reparada numa rua anexa à minha. Com espírito de cliente interessado perguntei, " e a que horas pensam ter a reparação feita?" e a senhora disse de imediato por volta das 19h. Com um tom meio indignado decidi que neste dia iria atormentar a mente aquela pobre mulher, e num puro ataque de atrofio desatei a falar, "Só às 19h? Isso é muito tarde e até lá se quiser tomar um banho como faço? Sabe que todos temos as nossas vidas e tantas horas para uma reparação não é razoável. Anote ai se faz o favor que eu peço aos senhores do piquete de reparações para serem o mais rápido possível, e para ter a certeza vou passar lá pela rua para fiscalizar se estão a trabalhar ou a conversar, porque o cliente tem esse direito sabe.". Do outro lado um silêncio seguido por uma voz tremula, tem toda a razão já apontei o seu pedido e vou já transmitir ao piquete de reparações. "Mas vai mesmo? Olhe que eu daqui a uns minutos vou sair de casa e passo por lá para ver se estão a trabalhar ou não." A senhora de imediato garantiu que iria transmitir o meu pedido ao piquete e a verdade é que antes das 17h a água estava de volta.

A verdade é que o novo Pedro consegue o que quer. A bem dizer nem sempre. Ok em abono da verdade é raro existir o novo Pedro, só aparece em situações de atrofio e quando quer aparvalhar.

Este post não interessa muito pois não?

sexta-feira, abril 18, 2008

Um lado mais bonito e artístico do futebol.



Sem dúvida uma das partes mais giras do futebol é esta. Apreciem os malabarismos destes diferentes artistas da bola.

quarta-feira, abril 16, 2008

Eu queria aquela ali se faz favor.

Quando alguém diz que os homens são todos iguais, ou as mulheres são todas a mesma coisa, na primeira situação costumo sorrir, na segunda o meu sangue gela.
Em 5 minutos de atenção ao ambiente que rodeia duas mulheres totalmente diferente aparentemente. A primeira no metro, muito branca e com vestes góticas, brinco no meio do nariz e ar pesado, vinha a ler um livro sobre os Rituais Ocultistas do Nazismo. Esbocei imediatamente um sorriso, é aquela típica mulher que prefiro não encontrar ou conhecer, já de si o ocultismo cria-me alguma espécie, agora o ocultismo Nazi, hummmm. Algo me diz que não seria a rapariga ideal para mim.
Saindo do metro e a caminho de casa, uma rapariga linda, bem vestida, ao menos estava colorida sem parecer membro do Cirque du Soleil, rosto venusiano, sorriso cativante, e o melhor de tudo um livro de Rimbaud. Esta é o tipo de rapariga que me leva a entrar numa mercearia e comprar uma maçã só pela oportunidade de a observar por mais uns segundos.
As mulheres não são todas iguais, pelo menos na breve aparência desprevenida e solta de criticismo.