quarta-feira, janeiro 31, 2007

Bébé cuspiu na sopa...

Vamos debater algo passível de ser bem mais consensual para o bem ou para o mal.
Deveria eu ter nascido ou não ter nascido?
O meu nascimento devia ser previsto no Código Penal como ofensas graves à natureza?
Neste momento que já nasci qual a solução para o problema?
Sem ser a solução mais óbvia que seria a de atirarem-me para debaixo de um camião Scania de dezoito rodados, haveria outra solução prática?
O que é que vocês acham?

terça-feira, janeiro 30, 2007

A minha opinião quanto à despenalização da interrupção voluntária da gravidez.

Eu tentei, e juro que ainda tento, não dar a minha opinião sobre a despenalização do aborto.
Primeiro porque neste país o que menos se faz é respeitar opiniões.
Quando me é colocada a pergunta se sou pelo Sim ou pelo Não, eu vejo-me forçado a perguntar, Sim ou Não o quê?
São usados vários argumentos e feitas várias perguntas incoerentes, se sou pelo Sim ou pelo Não da vida? Do aborto? Da interrupção voluntária da gravidez?
Afinal o que é que se pretende discutir?
Eu ouvi falar em despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas. Penso eu que é disso que se pretende falar.
Estava a visionar o debate na RTP1 onde certas opiniões causaram-me arrepios na espinha. Primeiro o que eu aqui escrevo não vai influenciar qualquer voto, até porque maioria das pessoas que lê o que escrevo não liga ao que digo, agora o que aquelas pessoas dizem na televisão para um grande número de pessoas, representando um grupo de opinião, devem ter cuidado nas opiniões que dão para não levar as pessoas ao erro.
Quando se diz que nesta questão não se debate uma questão de direito penal é dar um chuto no ceguinho e chamar as pessoas de parvas. É óbvio que neste assunto se trata de uma questão de direito, de leis, da sua alteração. A ética e a moral da alteração é outro assunto, é um assunto que pende de uma tomada de decisão, agora dizer que esta não é uma questão de direito, e antes sim uma questão de moral, é dar um murro no estômago da sociedade e chutar para canto a verdadeira questão.
Segunda observação a outra intervenção do Não, quando o Fernando Santos dá a cara por um movimento, sendo uma figura pública e dando o seu “endosso”a um dos movimentos, tem de, quando fala, ter muito cuidado com a opinião que dá.
Ninguém pode dizer que apoia um movimento e falar apenas em seu nome, e quando alguém num assunto sério diz que é contra a actual lei, achando que em caso de violação ou má formação do feto não deve ser permitido a IVG, dizendo que é um movimento pela vida, vem atropelar completamente tudo o que há de puro e carente de protecção na vida humana, a decência em vida humana.
Fazer da discussão de um assunto sério um concurso de bater palmas e entoar palavras de ordem como verdade, é fazer um escarcéu do assunto como diria o José Tiago.
Dizer do lado do Sim que votar sim nesta questão da forma como está colocada não é criar uma espécie nublada de desresponsabilização acaba por ser como areia atirada aos olhos. Porque falar em livre arbítrio não é sinónimo da melhor escolha para a pessoa, quantas vezes o livre arbítrio não nos leva a tomar decisões erradas, logo o votar Sim não pode simplesmente ser uma questão de liberdade de escolha, tem de ser antes votar na liberalização de uma opção que jamais deve ser algo que não subsidiária.
A IVG não pode ser vista como “a” opção, terminar uma vida em formação não pode ser a priori a solução imediata.
Se alguém perguntar-me qual a minha posição, direi que sou pelo Sim com reservas.
Sou pelo sim porque das duas soluções apresentadas acaba por ser a melhor em cima da mesa, mas não a melhor que poderia ser criada.
Antes de propor uma alteração da lei como esta que está em causa, deviam ser analisados e alterados muitos outros pontos.
Entre esses pontos poderíamos falar da desburocratização do processo de adopção, seria um bom passo para permitir que as crianças que não podem ter condições de vida aceitáveis pudessem de todo o modo vir a este mundo e ser acolhidas por quem pudesse-lhes providenciar as condições minimamente aceitáveis.
É preciso elaborar um plano com estimativas de intenções para a natalidade do país, porque Portugal está a envelhecer, e é preciso estimular a natalidade criando condições para tal, como medidas que estão a ser tomadas por toda a Europa, promovendo a natalidade dando condições para o nascimento de novas vidas, poderia minimizar os casos passíveis de aborto.
Se deve haver apoio do estado para que haja uma interrupção voluntária da gravidez feita em condições humanas, com segurança e cuidados devidos, também deveria haver apoio do estado para que se efectuem o nascimento e desenvolvimento das crianças de modo aceitável e condigno, infelizmente no mundo nem todos podemos ser iguais ou ter as mesmas oportunidades, mas devemos tentar obter que essas igualdades de oportunidade sejam criadas, mas a falta delas também não pode plenamente justificar ou motivar a que se faça um aborto.
Porque se em quase toda a Europa, e na maioria dos países desenvolvidos este tipo de lei já foi aprovada, não podemos ambicionar o desenvolvimento e querer acompanhar os outros a par e passo se não fizermos todas as alterações necessárias para tal, se criamos a pretensão de atingir níveis elevados de desenvolvimento social e económico, não podemos implementar e copiar apenas determinadas políticas e ideias, temos de tentar acompanhar uma ideia generalizada sobre o que faz mais sentido e o que acaba por ser considerado melhor para todos.
Ser pelo Sim ou pelo Não, nunca pode ser visto como uma questão de apoiar ou não a vida, em todo o caso quer de um lado ou de outro existe uma defesa pela vida, ou pelo lado da mãe que ao fazer um aborto sem condições arrisca a sua vida, ou pelo lado da vida que se vai criando que tem o seu direito a desenvolver e ter um lugar no mundo, nunca se deve usar o argumento que mais vale salvar uma vida do que perder duas, qualquer perda de vida é lamentável, e entre escolher a perda de uma vida ou de duas, prefiro escolher a perda de nenhuma criando-se opções para tal.
Temos de ver que nenhuma mulher vai efectuar um aborto sem motivação para tal, não é propriamente uma solução tomada de animo leve e sem risco, se a mulher que aborta o decide fazer é porque não lhe é apresentada de maneira concreta nenhuma outra solução, ou porque não as há, ou porque havendo não são apresentadas do modo que deveriam ser.
Resumindo, a lei actual está como está e está bem. Deve ser alterada? Sim deve ser alterada. De imediato? Não, acho que devem ser tomadas outras decisões e opções antes disso, devem ser criados outros caminhos, antes ou ao mesmo tempo que este.
A interrupção voluntária da gravidez não pode ser a opção primária, não é uma questão de liberdade de escolha, é uma questão de liberdade consciente de escolha, com pesos e medidas, e tem de ficar ciente que o aborto não deve ser levado como primeira opção, mas sim uma opção liberalizada como subsidiária, como último recurso em certos casos. Porque neste caso nem tudo pode ser demasiado generalizado e abrangente, existem casos específicos como hoje se pode prever na lei actual, e deve-se manter um pouco dessa especificidade de modo a não desresponsabilizar totalmente uma decisão que deve ser ponderada para além do sacrifício que é para uma mãe terminar os laços afectivos que se criam a uma vida desde cedo na sua gestação.
Devem ser bem pesados todos os argumentos contra e a favor, porque muitos deles são válidos em consonância, temos de respeitar que existem pontos de vista lógicos e racionais de ambos os lados da barricada, mas no fim temos de optar pela melhor solução das que se apresentam, a isso infelizmente nos obrigam.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Marketing consciente e instrutivo.

Qual a utilidade de um comentário?
Uns dizem que a troca de informação é sempre troca de conhecimento, e trocar conhecimentos é sempre algo de positivo para a nossa formação enquanto ser humano.
O que podemos causar com um comentário além de uma troca de conhecimentos?
Pois bem, com um comentário podemos arrancar um sorriso, precipitar uma lágrima, causar danos ao ego, ofender, elogiar, compreender e até mesmo completar.
Parece mesmo que os comentários ao longo da vida têm variadas utilidades, podemos comentar de tudo, sobre tudo, com todos, sobre todos, sobre nada, e assim dispersar a nossa ideia pelo maior número de sítios, de gentes, e de assuntos.
Comentar significa que estivemos atentos, estivemos acordados em determinado momento da vida, acordados e a produzir algo, a reproduzir outro tanto, a conceber e delinear ideias, a explanar e criar exclamações.
Comentar é uma parte fundamental da vida, formar uma opinião sobre tudo o que existe, por muito simplista que seja essa opinião, temos de tentar observar um pouco de tudo, nunca devemos deixar morrer a nossa sede por sabedoria.
Já estão convencidos da utilidade dos comentários?
Se ainda não estão aviso já que por cada comentário ganham uma prendinha vá.

Criando uma memória futura.

Fecho a porta nas minhas costas e vejo-te deitada a meio corpo sobre a cama com a cabeça jogada para trás elevando um livro sobre a face.
Estavas a ler um típico romance que de ti tem tanto, uma história que nunca gostarias de viver, mas que consegues imaginar apenas para todos os outros que te rodeiam.
Atirei o casaco para cima da cama, sentei-me, tirei os sapatos e suspirei com os ombros encostados aos joelhos e com os punhos cerrados junto às têmporas.
Sem tirares os olhos das páginas prensadas a tinta industrial, suavemente senti o teu pé ornamentado a arco-íris de malha a acariciar-me as costas, um estranho cumprimento de um vulgar tipo de afecto.
Deitei a minha cabeça sobre o teu colo, espreitei a capa do livro que lias, tossi duas ou mais vezes na esperança que o fosses pousar para olhar para mim.
Virei o meu corpo de forma a poder olhar directamente para ti, para que pudesse agarrar na tua mão fria por culpa deste Inverno.
Acariciei a pele do teu pulso de maneira suave ao mesmo tempo que com o olhar tentava arrancar o livro da frente do teu rosto, num olhar de súplica por alguma atenção.
Com um gemido de exclamação perguntava-te se ali estarias naquele momento em que me tornei mais frágil pelo teu afecto, enquanto sentia o calor das tuas pernas cobertas pela manta que tantas vezes coloquei sobre ti quando ficava a ver-te adormecer.
Tomei uma decisão, avancei lentamente com a minha mão tendo em vista concretiza-la sem aparato do desagrado por ser ignorado em detrimento de um momento só teu que se prolongava num momento que deveria ser nosso.
Cheguei com a minha mão ao teu livro e pegando-lhe pelo topo do lombo como quem afasta um animal que estorva, puxei o livro para baixo, desnudando o teu rosto, de modo a poder exclamar com o olhar a razão de tanto desinteresse na minha presença.
Quando finalmente alcancei a tua face com o meu olhar, reparei que choravas, de uma maneira muito concentrada como quem esconde um segredo nesses actos tão humanos.
Por breves segundo pensei se terias vergonha que te visse a chorar por causa de um livro, porque a ser esse o problema, nunca a tua sensibilidade tinha sido para mim uma razão para julgar-te.
Coloquei-te a questão, porque choravas? Porque escondias esse choro de mim? Porque não procuraste em mim consolo? Alguma vez fiquei eu de te apoiar na tua essência, nos teus maneirismo que tanto adoro?
Em tom de voz doce, com aquele soluçar de fim do choro a marcar o início da tua resposta deste-me a razão de tal motivo.
Disseste-me então que apenas choravas por saudades, saudades minhas.
Agarrei então na tua face com gentil modo limpando as tuas inocentes lágrimas, e ofereci-te um sorriso procurando fazer-te sentir que estava tudo bem, guardando para mim a doce noção do que me fizeras sentir com tal revelação. Porque na importância que me dás não encontro eu a importância do que sou, mas a importância do que me és.

domingo, janeiro 28, 2007

Charlie and Miles... play it again.

Um toque de classe e de bom gosto nunca é demais.

Para os que não apreciam... vão ouvir fóró.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Tem chovido estes dias.



Em dias de chuva, certas coisas ficam mais bonitas.

Assim fui soluçando o teu nome...

Procurei ouvir na noite o som da tua chegada, abri a cama para que te deitasses ao meu lado, e esperei.
Sentei-me à janela à espera de sentir o teu peito nas minhas costas e os teus braços estendidos sobre o meu pescoço, e a brisa fria tirou de esboço o meu sorriso perdido à noite.
Sonhei aconchegado no meu desejo com um teu simples beijo, carícia de bondade que tanto me toca a alma pacientemente moribunda.
Puxei de um lápis e rabisquei o teu nome em meia dúzia de folhas amarrotadas pelo tempo que passou entre pensamentos e desespero.
Fui e serei carente do teu olhar, fui e serei pendente do teu saber, olhar, tocar, mostrar querer, vontade de ser e assim ficar… morder, pegar, abraçar e voltar a ter, um sitio, só meu e teu onde esperar.
Abri a luz e os olhos com vontade de te olhar, cada passo teu é um sorriso meu à espera de te tocar. E eu, só eu e mais ninguém, fiquei à espera de te calar, com um beijo com um sonho, com uma forma de te mostrar, um simples segredo, um desejo, uma forma de gostar.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Ósculo Oculto

Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mais beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

Jorge de Sena


Porque muitas vezes um primeiro beijo dá-se com o olhar e não com os lábios humedecidos da paixão, nunca me vi ser negado um beijo, e em todo o seu desejo eles existiram com toda a sua intenção, e numa discreta valsa de olhares trocamos os mais ardentes beijos.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Tentativa de esclarecimento ao post do José Tiago.

Não sou mais velho nem mais lúcido que tu, e podia procurar uma dezena de maneiras para começar a tentar explicar-te o teu último post.
Podia falar do condicionalismo natural do ser humano, podia delinear teses atrás de teses sobre o estatuto lógico do ser pensante.
Como te disse na hora, não fiquei surpreendido, fiquei revoltado tal como muita gente, mas nada surpreendido, nem pela situação ou tão pouco pelas pessoas em causa.
Apesar de não ser algo que me choque no sentido de “não estar à espera”, choca-me o comportamento altamente reprovável entre dois membros de uma mesma espécie, embora de classes muito distintas.
Por esse motivo, não te posso dar uma resposta exacta, quanto muito partilho aqui contigo uma tese evolutiva do carácter humano e do seu modus operandi mais banalizado.
Tal como no reino animal, em que todos os seres desse reino são subdivididos em várias classes (subreinos), nos humanos também encontramos pessoas de classes diferentes.
É lógico que todos os objectos animados ou inanimados são diferentes neste mundo, podemos adoptar a ideia que nada neste mundo é igual, tudo tem a sua pequena cortina da diferença moldada pelo tempo e espaço, dai optar-mos pela ideia que existem coisas idênticas, tal como animais, plantas, e uma data de outras coisas, e depois temos o lado do mundo humano em que as coisas que ai se movem, logicamente os próprios seres humanos, serão então considerados semelhantes.
Exemplo académico, podes olhar para duas ovelhas, ou para duas pedras, ou para duas plantas, e num primeiro relance achar que é árduo proceder à distinção, porque são coisas idênticas. Agora se fores comparar seres humanos, podes mais facilmente apreender que existem algumas diferenças, mesmo sem apelar à existência da personalidade que é condição exclusiva do ser humano, mas através de uma identidade física, materialmente concreta, que nos torna todos diferentes.
Voltando de novo às classes no seio do ser humano, podemos tomar por certo que apesar de sermos todos diferentes, muitos de nós temos certas semelhanças, seja de comportamento, físicas, psicológicas, etc.
Podemos ter várias percepções de classes, mas a que me incumbe agora explanar é tomando como base o estado psicológico humano, através da análise do carácter e do comportamento dentro e fora do contexto socializante.
Então a moldes do carácter e do comportamento psicológico humano, temos vários tipos de classes. A quantidade de classes existentes é algo indeterminado quando levado a um extremo individualizador, logo simplesmente dividia o ser humano a este nível em quatro grandes classes do estado psicológico e carácter humano, o formado, o conformado, o inconformado e o tijolo.
Os seres que pertencem à classe dos formados, são seres que desde cedo lançaram fundações de modo a formar uma base sólida para o seu crescimento e amadurecimento enquanto humanos sociabilizáveis, e normalmente atingem o seu auge mais cedo que todos os outros, são pessoas decididas, esclarecidas, e com obra feita em pouco tempo de vida, sem nunca perder a ânsia por atingir picos mais altos. É de referir que é uma classe muito rara, mais comum em outros tempos, que nos dias de hoje.
Temos depois a classe dos conformados, são basicamente aqueles que conformam-se com o facto de serem quem são, e aceitam a vida como ela, não quer dizer que não tenham ambição, apenas vivem sem a preocupação de saberem a que tempo e em que espaço evoluem, fazem sempre pelo melhor, sem nunca perder a realidade da vida, e aos poucos vão atingindo grandes níveis de carácter e maturidade degrau a degrau ao longo da vida, apenas conformando-se que não querem ser os melhores, apenas querem fazer melhor de dia para dia.
Depois temos os inconformados, tentam sempre mais do que se lhes apresenta perante a vida, tornam a ambição numa faca de dois gumes, querem sempre mais, sem ser de modo razoável, tendem a imitar e a escalar perante a vida sem olhar onde se apoiam, sentem a ansiedade por ser sempre mais e melhor, sendo que por algumas vezes, embora raras, conseguem atingir um bom nível de sucesso, na maioria das vezes tendem a descobrir através de vários tombos a realidade da vida e as suas condicionantes predestinadas.
Por fim temos a classe do tijolo, todos conhecemos um membro desta classe ao longo da vida. Quando falo nos membros da classe tijolo faço menção a um tipo de ser humano que saltou por completo algumas fases da sua ontogenia ao nível psicológico.
Aos membros desta classe podemos adjectivar que são feios, porcos, e maus na sua formação do carácter, são a classe inferior, pessoas incapazes de conceber uma existência axiológica.
Nesta ultima classe podemos incluir os dois tijolos que tiveram o brilharete na aula de Processo Penal, duas pessoas para quem não existe um mínimo de respeito ético, pisando claramente toda a estética normal de um comportamento socialmente aceitável de cariz mínimo.
No fim de tudo, não és obrigado a ser adulto à força, podes aceitar a vida como ela é, tens sempre opções e decisões a tomar, e para isso não necessitas de ser adulto, o facto de seres adulto nada tem a ver com a tua capacidade para tomares decisões, escolheres os teus caminhos ao longo da vida, fazes tu desde que nasceste, é o sentido minimalista da existência.
Neste caso em que se tratam de dois tijolos, tens sempre várias opções, ou passas por eles e nem te importas, porque só faz sentido dar valor a um tijolo se quiseres construir algo dali, ou então vais emparedar dando-lhes valor de forma a construir uma existência mais significativa do que tem um simples tijolo.
Como é óbvio depois as opções não se ficam por ai, com a obra feita, ou deitas abaixo, ou deixas ficar, penduras-lhes coisas, etc.
Quanto a mim muito sinceramente, usava os dois tijolos numa balança de modo a pesar-lhes a consciência e o sentido ético mais simplista.

domingo, janeiro 14, 2007

What hurts the most? The cruelty of a brother...because i will love no other, like i would love a brother.

Acho que nunca tive o direito de carregar alguém com o que sinto, nunca me senti com moral para atormentar alguém com o que me atormenta a mim, nunca senti que devia ou tinha a liberdade de partilhar o meu estado com alguém, de perturbar os outros com os meus problemas, ou com o meu estado de espírito.
Nunca abri os meus sentimentos em pleno, nem para aqueles que mais me dizem, porque sempre achei que os meus fardos, devo ser eu a carregar.
Tenho toda a confiança, e sinto todo o amor suficiente para partilhar as minhas dores e problemas, apenas nunca achei que devesse suportar tais encargos nos outros, dai dar primazia ao sofrimento em silêncio, responsabilizando-me pelas minhas opções que tomo ao longo da vida, assumindo os meus erros, falhanços e tristezas.
Nunca me senti especial ou mais que os outros, não acredito que tenha algo que me distinga enquanto ser humano, nunca me achei digno de ser admirado pelo que fosse, nunca tive pretensões a qualquer tipo de tratamento fora do normal, pode ser a fraca auto estima ou se calhar tenho uma fé profunda que não sou mais do que qualquer ser normal.
Normalmente sou um animal que quando ferido mantenho o silêncio, guardo no fundo o que me custa, e pago cedo avançando com a vida tentando ignorar os meus tormentos.
Acho que sou a pior pessoa que se pode magoar, porque sou fraco, no fundo tudo se resume a esse ponto. Sou dono de um espírito que nunca se desenvolveu em forte, de uma mentalidade que não se consolidou em razão, e de um coração que sente qualquer insignificante pedrada.
Eu nem tenho a plena sensação do que escrevo, não tenho em minha posse uma certeza do que sou ou aquilo que devia ser, do que acho ou devia achar.
Apenas sou capaz de debitar o que sinto, como se fosse um grito de revolta encarcerado faz demasiado tempo.
Sou aquilo que não queria ser, tenho muitas coisas que desprezo, uma delas é o meu modo de sofrer. Guardo em mim e não esqueço, acumulo, junto e choro, deixo sentir a mágoa até ao ponto em que ela já não tem escape possível.
O maior problema nem será a minha susceptibilidade, porque dizendo a verdade sou um murro apenas penetrável por uns quantos, não é qualquer um que me deita abaixo, não é qualquer pessoa que faz com que eu avalie cada palavra que me dirigem, só as pessoas mais que importantes é que me podem magoar com palavras, e nesse ponto sou inflexível, sou mole por dentro e rijo por fora, nem todos me magoam.
Sempre tive visões muito claras quanto a certos pontos da minha vida, adoro os meus amigos e em muitos deles vejo o sangue do meu sangue, e principalmente sou apaixonado pela minha família, ao ponto de dizer sem hipocrisias e com toda a naturalidade, que a minha família é mais importante que a minha vida.
Sou uma pessoa que nunca viveu para si mesma, e tem dificuldades em acreditar numa vida com o centro numa esfera pessoal, a minha vida, a minha razão de viver, o que me mantém ligado são as pessoas que eu amo, principalmente a minha família.
A minha família é a única a possuir a chave para todo o meu ser, só a minha família é capaz de provocar certas reacções, só a minha família tem direito ao meu coração por inteiro, mais ninguém.
Quando a minha família é mais do que tudo neste mundo para mim, tenho dificuldade em compreender o que sou para eles.
Custa-me sentir magoado com alguém por quem daria a vida sem hesitar por um milésimo de segundo, mas a verdade é que é uma mágoa que marca profundamente.
São concepções diferentes, mas custa-me aceitar que se magoe alguém de maneira gratuita, muito menos alguém que nos é mais do que tudo, e apenas por isso sinto o que sinto.
Porque se tinha alguém de especial na minha vida eras tu, e só tu tinhas esse estatuto, só a ti amava-te de um modo muito único, e nunca de ti esperava ser magoado como me senti.
É um desabafo cobarde, é uma verdade tão nítida que até sinto o ridículo de ter de dizer tudo isto como se não fosse uma verdade materializada no normal senso da vida.
Não sei se alguma coisa que disse faz sentido, até ao nível do raciocínio me sinto travado, derrotado e postrado ao chão, foi demasiado violenta essa estocada, ao ponto de deixar-me perdido em tudo o que sinto.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Estavas a pedi-las rapazola...que desenhos irritantes são esses?

A culpa da animação irritante que se encontra na sidebar à direita, é da total responsabilidade do Tiago.
Procurei o significado do nome Tiago, e além de atribuir esse significado ao apóstolo Tiago mencionava também uma remissão para o significado do nome Jacó.

"Jacó: Significa o que supera. Sua generosidade faz com que seja uma daquelas pessoas com quem sempre se pode contar. Gosta de ser útil e tem sempre uma solução para todos os problemas."

Sinceramente nem tentei tirar conclusões da pesquisa, fiquei desiludido por constatar que as minhas esperanças de encontrar outro significado tinham sido em vão, estava mesmo convencido que no significado diria algo como..."És estúpido" ou "Jiaho".

Slapped the words out of my mouth...

Por vezes é a falar com um amigo sobre nós que ficamos a conhecer-nos, mas muitas das vezes é na música que encontramos a maneira de exprimir aquele sentimento que nos marca.
Por várias vezes já utilizei a música para expressar o meu estado actual de humor, mas nunca encontrei uma música que tivesse exposto de maneira tão incisiva tudo aquilo que eu queria dizer a uma determinada pessoa.
Um dia estamos a falar sobre algo no nosso caminho, no outro dia tropeçamos sobre aquilo de que se falou.


I can take the rain on the roof of this empty house
That don’t bother me
I can take a few tears now and then and just let them out
I’m not afraid to cry every once in a while
Even though going on with you gone still upsets me
There are days every now and again I pretend I’m ok
But that’s not what gets me

What hurts the most
Was being so close
And having so much to say
And watching you walk away
And never knowing
What could have been
And not seeing that loving you
Is what I was tryin’ to do

It’s hard to deal with the pain of losing you everywhere I go
But I’m doin’ It
It’s hard to force that smile when I see our old friends and I’m alone
Still HarderGetting up, getting dressed, livin’ with this regret
But I know if I could do it over
I would trade give away all the words that I saved in my heart
That I left unspoken

What hurts the most
Is being so close
And having so much to say
And watching you walk away
And never knowing
What could have been
And not seeing that loving you
Is what I was trying to do

What hurts the most
Is being so close
And having so much to say
And watching you walk away
And never knowing
What could have been
And not seeing that loving you
Is what I was trying to do

Not seeing that loving you
That’s what I was trying to do


Rascal Flatts - What Hurts The Most

domingo, janeiro 07, 2007

Amanhã é um novo dia...

Parece-me a mim que o mundo tornou-se mais amargo.
Os tolerantes deixaram de o ser, os efusivos abrandaram, os apaixonados comercializaram, os inteligentes encalharam, e todos mudam para o bem ou para o mal, e mesmo os mais felizes falam de amargura.
É uma condicionante do novo mundo, de um novo estilo de vida global.
Morre-se por um beijo, matam-se por outro, uns apenas sonham com uma vida de crime a dois.
Vivemos mais do que vivíamos um século atrás, aumentou a esperança de vida, e ao mesmo tempo vivemos mais depressa, vivemos tudo em catadupa, chegamos aos 30 com tudo vivido e prontos para entrar num ciclo, isto é se quisermos que assim seja. Há quem diga que existe sempre solução.
Uns contentam-se com a sobrevivência, nesse ponto o mundo actual tornou-se muito retro, acaba-se a ideia do sonho americano, e o optimismo é um placebo que vai durando por uns tempos.

terça-feira, janeiro 02, 2007

A moda atingiu o blog...

O Zica todo pomposo de seus trajes e farpelas luminescentes disse-me que normalmente andava mais bem vestido do que eu.
Sendo eu afectado pelo daltonismo não ripostei de imediato, mas para um tipo que é capaz de ter um par de ceroulas em casa, e que usa meia branca com fato como o Zica, fiquei a pensar se seria mesmo verdade.
Surgiu então um impasse, quem se veste melhor, eu ou o Zica?
Como a resposta óbvia será de que ambos somos um caso perdido da moda, e ter aspecto de pedinte nunca calhou bem no estilismo europeu, pergunto a vós pobres seres que deambulam pela faculdade, quem é a pessoa mais bem vestida dentro do nosso vasto grupo de conhecidos?
Utilizem a caixa de comentários com bom senso e apenas para ditar a vossa opinião quanto a isto.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Assim começa o ano...

Só para mostrar que se eu quiser o primeiro post de 2007 é meu, e não terá qualquer conteúdo de interesse.
E que neste ano que começa, que ele se revele profícuo a criar felicidade nas vossas vidas.

sábado, dezembro 30, 2006

Por questões de logística não o executaram no Natal.

Acordei relativamente cedo esta manhã, principalmente para quem está de férias e podia bem dormir até mais tarde.
Desci para a sala de jogo e liguei a televisão, começo a fazer o zapping pelos canais habituais, ao passar pela CNN ouvi as seguintes frases “justiça imparcial…numa espécie de vingança tribal”, falavam então do enforcamento do Saddam Hussein.
Quero referir antes de mais que não sou um anti-americano, apenas tenho uma opinião formada sobre eles que é corroborada pelo resto do mundo, podem não ser burros, mas definitivamente são estúpidos.
Só os americanos é que podiam juntar na mesma frase a justificar a pena da morte as palavras justiça e vingança, apenas os americanos enquanto país ocidentalizado é que concebe a pena de morte, a injustiça dentro da justiça.
Aprendi na faculdade, ou pelo menos fiquei com a ideia que o direito penal americano é como tudo poderia indicar, estúpido e mal feito à semelhança do criador, e só assim é que se entende como raio é que a morte pode ser uma pena, a ideia de pena é cumprir uma pena de forma a que a pessoa se possa arrepender do seu crime, tem uma função de prevenção geral positiva, e pode ter muitas outras funções a nível de restabelecimento do bem jurídico lesado se possível, etc., mas o fundamental é que a pena é a consequência socialmente delineada pelo direito para quem comete um crime, é um método de reprovação pública pelos actos contra as leis da sociedade de forma a levar o criminoso a arrepender-se dos actos cometidos e se possível reintegra-lo na sociedade de forma a que não volte a cometer mais nenhum crime.
Como é que será possível prosseguir a ideia de um arrependimento se matamos o indivíduo a quem queremos infligir uma reprovação de forma a provocar esse arrependimento, no fundo depois de morrer deixa de cumprir pena.
Resumindo a pena de morte além dos vários motivos morais, éticos, para quem quiser religiosos, não tem a mínima de lógica.
Sou contra a pena de morte em todo e qualquer caso, não porque fica bem, nem por motivos de crença religiosa, nem tão pouco por juízos éticos e morais, sou contra principalmente porque não é lógico, não é racional.
A CNN filmou a execução e transmitiu imagens, em vários canais passaram imagens do início da execução, iam estabelecendo contactos com os presentes na execução e a pergunta que mais faziam era “Saddam estava com medo?”…
E que tal perguntar se ele ficou chateadinho com a situação ou se o esticão foi bonito?
Além de ser contra a pena de morte, o que me incomoda totalmente é a maneira saloia como os americanos tratam todo o assunto, as perguntas, as imagens, a exibição dos momentos da execução, os risos e gargalhadinhas.
As disparidades é que no fundo incomodam-me, se uns acusados de crimes de guerra são condenados à morte, outros que também cometem crimes de guerra são acusados de má escolha política, apelidados de burros e não voltam muito provavelmente a ser eleitos, que disparidade de penas numa justiça que fico sem saber de quem é.
Quem condenou Saddam? O mundo? Os americanos? Os iraquianos não foram de certeza, não existe tal povo.
São ridículos os motivos invocados pelos EUA para invadir o Iraque, hoje em dia até os próprios o admitem, invadiram uma nação independente, escavacaram tudo com o seu poderio militar, levaram o petróleo, mataram o líder e agora muito provavelmente abandonam o local como um bêbado que abandona o pub depois de ter incitado à violência, porque o mais provável depois de tudo isto é que com a morte de Saddam venha a acontecer uma forte guerra civil.
Os EUA armados em educadores de infância, com uma concepção de justiça que vai da palmadinha na mão até à decapitação com as pás de uma ventoinha, a única coisa que conseguiram foi criar mais desordem, e mostrar de novo a incompetência exacerbada para tomar a frente seja do que for.

Hoje de manhã sangrei do nariz e não sei porquê...

Ontem tirei algum tempo para dedicar ao mundo da sétima arte, decidi visionar o mais recente filme do Super-Homem, filme intitulado de Superman Returns, o regresso do macho.
Depois de ter visto o filme a única coisa que me ocorreu naquele momento foi que achava mais produtivo ter visto um filme do Koala Bangu e as suas calças de feltro fucshia a passear na serra do Alvito com o gato Bileu e o seu pullover da Hello Kitty em tons marron.
Resumindo uma desgraça de filme onde muito pouco se safa, uns apontamentos de efeitos especiais, uma tentativa esforçada do Kevin Spacey no papel de Lex Luthor, e pouco mais tinha para dar este filme.
É pena, porque das personagens de BD, da relativa vastidão de heróis que a BD fornece, o Super-Homem seria uma das melhores personagens, uma das mais populares e respeitadas, e no entanto teve direito a uma exploração cinematográfica recente de qualidade muito baixa.

domingo, dezembro 24, 2006

Mensagem de Natal via Atlântico.

Venho por este meio desejar a vossas excelências um Feliz Natal, cheio de coisinhas boas.
Espero que estejam minimamente felizes nesta quadra natalícia, e que possam partilhar essa felicidade com todos aqueles que gostam.
Este ano enviei e-mail’s e sms para todas aquelas pessoas de quem tenho o contacto, fui um pouco mais esbanjador que o Zica, mas acho que as pessoas a quem mandei uma mensagem ou e-mail, valem a pena o meu parco poder monetário.
Se por alguma eventualidade esqueci de alguém, peço desde já desculpas e remeto as culpas para o meu fraquinho telemóvel e a sua lista escanzelada.
Quanto ao caso de contactos que não possuo, peço desculpa pelo facto e ficam aqui os meus desejos de um Feliz Natal com tudo de bom.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Jingle *hic* Bells...

Uma verdade por mim ontem constatada é a de que a minha família torna-se muito mais funcional e harmoniosa se estiver alcoolizada.
Longe de mim querer classificar a minha família de embriagada, até porque tirando alguns dos filhos, pouco se bebe, e quando se bebe é quase de uma maneira lúdica.
O que eu queria mesmo realçar era que no estado ébrio, muitos membros desta família conseguem entender-se melhor do que no seu estado sóbrio.
E se aquando do seu estado normal será mais provável ouvir alguém a discutir com outra pessoa, já quando a maioria se encontra no seu estado de ligeira embriaguez podemos ouvir risos e gargalhadas e uma boa disposição geral.
Resumindo o álcool na época natalícia até é bem-vindo, porque ao contrário de uma farândola de bêbados, a minha família ébria é feliz.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

A parte de vida fácil.

O que eu tenho mesmo é sono. Chegou a época natalícia, são 14h27 e depois de já ter almoçado começo a sentir algum sono, pego num livro e vou a caminho das redes do jardim, vendo a minha a vida assim, que bem que me corre.