
Tenho a mente bloqueada com coisas que não vivi e que pretendo viver.
As insónias são dominadas por sonhos, como se de um processo masoquista se tratasse, eu incito em ir contra os meus limites.
Cada vez penso mais em ti, com medo de agarrar-me de novo a sonhos e objectivos, que um dia me fugiram da mão como os grãos de areia com que construía os meus castelos no céu, bem longe do mar, para que esse não afogasse o meu espírito antes do ultimo suspiro.
Perguntas tu que palavras são estas, e se as profiro para ti, não são palavras, são arrestas que eu tento limar por si.
Olhas-me como se fosse louco, que de tanto gritar fica rouco, sempre a dizer que quer dar tudo de mim simplesmente em troca de um sim, de aceitação.
Não te peço que me oiças, não te peço que me olhes, peço-te apenas que nunca vás embora para um sitio onde não te veja, peço-te que não sejas vulto em pensamento, e sombra de um recalcamento amoroso.
Sinto que devia estar calado, nem gosto muito de escrever, dizem que tenho jeito, mas não acho, tenho é uma grande fome de viver, tenho uma necessidade de sentir, e regurgitar tudo cá para fora, de maneira bela ou hediondo, não me interessa, interessa-me é que tu saibas o que sinto, que saibas o que penso, quero ser transparente contigo, não tenho medo, desarmaste-me os escudos desde o início com o teu jeitinho simples de ser, e ao mesmo tempo tão complexo que despertou em mim uma curiosidade flamejante.
Não me interessa manejar as palavras como quem sente o ar com as palmas das mãos, se não tas conseguir sussurrar ao ouvido, se não souber como faço que elas cheguem a ti.
Não sei quem és, mas sinto que já te conheci, pego em momentos soltos que de si parecem antigos, mas são tudo pedaços mendigos, que insistem uma esmola do meu apreço, não sabendo eles que valem muito mais que isso, não sabes tu o valor que tens para mim.
E podem dizer que tudo o que escrevo é invenção, é a verdade, do mais puro que há, tudo criação minha numa co-produção entre a minha mente e o meu coração, escrevo para quem queira ler, para quem precise de ouvir, escrevo para um ser indeterminado que a minha alma escolheu, que dicotomia engraçada, quero-te e nem sabes bem o quanto, nem sabes bem se és tu, afasto e evito o pranto, já de si provocado por raiva, estou farto de gritar e finges que não ouves.
Espero imóvel uma resposta tua, seja fria, seja crua, dispo a alma que fica nua à espera que no seu centro craves o teu nome em sangue que embebe a ponta dessa arma a que chamas de paixão.
Começo a ficar farto de tanto galanteio, falas mansas em passeio, por uma mente minha que já não quer palavras ocas, pede antes o encostar de bocas em beijos profundos num trocar de línguas que ambos entendemos, no trocar de línguas que ambos queremos, quero ser aquilo que procuras, quero te deixar sem fôlego no meio de loucuras, sem reflexos, sem doçuras, porque gosto do meu amor derramado em sangue.



