segunda-feira, janeiro 26, 2004

Armário dos restos...

Tu já me arrumaste no armário dos restos
eu já te guardei na gaveta dos corpos perdidos
e das nossas memórias começamos a varrer
as pequenas gotas de felicidade
que já fomos.
Mas no tempo subjectivo
tu és ainda o meu relógio de vento
a minha máquina aceleradora de sangue
e por quanto tempo ainda
as minhas mãos serão para ti
o nocturno passeio do gato no telhado?

Isabel Meyrelles

Um adeus ao homem, um abraçar à memória.

Viszontlátásra Miki Feher !!

1979-2004 Miklos Fehér! Noivo, filho, amigo, desportista, não apenas jogador do Benfica.

Uma vida inteira pela frente, última imagem foi um sorriso, não teve um último desejo senão estar com quem amava, a este grande desportista apresento as minhas condolências, a este grande homem digo que permanece vivo no coração de muita gente, faço votos de que daqui a um ano ainda não tenha sido esquecido.

Até sempre Miki. 25 de Janeiro de 2004.

http://www.feher.jovem.te.pt/ Em memória de Fehér...

http://feher.cmportugal.com/ Assinem a petição para a Direcção do Benfica imortalizar o número 29 de Fehér.

Örökre lesz veled FEHER , mind perc belső rész szívünk és emlékmű!

domingo, janeiro 25, 2004

O último sorriso...

Não sei

Não sei porque diabo escolheste
janeiro para morrer: a terra
está tão fria.
É muito tarde para as lentas
narrativas do coração,
o vento continua
a tarefa das folhas:
cobre o chão de esquecimento.
Eu sei: tu querias durar.
Pelo menos durar tanto como o tronco
da oliveira que teu avô
tinha no quintal. Paciência,
querido, também Mozart morreu.
Só a morte é imortal.

Eugénio de Andrade


Ver uma cara, um sorriso,
Ver logo após a última queda.
Cai por terra um homem... e não mais se levanta.
Desfaz-se o sorriso!
Ver os últimos minutos da vida de alguém,
Ver a dor reflectida na cara dos companheiros,
Imaginar a angústia latejante no peito dos familiares...

A chuva dilui ainda mais o sal das lágrimas vertidas.
A fragilidade da vida afigura-se-me aterradora...
Ninguém está impune,
Não há escape, não há refúgio...

Podemos antecipá-la, sim, mas quem a antecipa corre o risco de não viver o melhor momento da sua vida, que poderia ocorrer no minuto seguinte ao do suicídio. Podemos antecipá-la e rejeitar o futuro, mas não a podemos renunciar... Quando ela vem, cega, ceifa a vida até ao mais intrépido, até ao mais forte...
No coração a lembrança e a dor. O vazio da perda.

Caminhamos irremediavelmente para a morte e nem nos damos conta. Pensamos nela, às vezes passa mesmo ao nosso lado e quase nos toca... Mas um dia, sem dúvida, vai tropeçar em nós: essa é a única certeza que a vida nos dá.

Mas na memória dos que ficam perpetua-se a existência daquele que partiu... Viverá sempre dentro de nós...

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Não sabemos

Não sabemos nada, e o que temos
é pouco: um nome,
um nome em prosa correntia;
tão pequeno que nem sequer
alcança o ramo
em flor da tília; menos ainda
a estrela do pastor;
um nome comum, Joaquim
António João,
bom para dizer quando o frio
é mais duro;
nome que bebe o orvalho
nos olhos de amigos mortos
tão cedo; ou perdidos.


Eugénio de Andrade

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Já Chega dos Nomes Gravados a Canivete nas Árvores.



Admito, sou egoísta, sou pois um egoísta por te querer, por querer que só sintas felicidade se eu estiver envolvido. Sou um miúdo mimado, faço birra quando desejo o teu beijo, mas quando não te vejo, odeio-te. Odeio-te de uma forma que faz odiar-me mais a mim por não conseguir ser sincero quando digo que te odeio. Sinto-me triste por saber que estamos tão perto, partilhamos o mesmo ar, as mesmas estrelas, os mesmos sonhos, mas mesmo assim não partilhas a tua serenidade com a minha visão.

Sinto-me esquecido, porque sei que te lembras de mim, mas não me tocas, não te sinto a dizê-lo, sei que pensas em mim, mas eu quero sentir o teu olhar a dizê-lo.
Sou egoísta, por te querer tanto assim, não te posso ver com tempo para mais nada, fico logo triste, com um sentimento de vazio, perco a alma como se perde a sombra quando alguém esconde a luz, fico frio, apático, fico triste, e logo a seguir vem a revolta.

Revolta-me saber que sou assim, sentir ciúmes da tua vida contigo própria, sinto ciúmes da intimidade que tens com o teu tempo, com o tempo que dedicas a ser feliz por feitos que tu própria alcanças.
Ás vezes penso, que levei demasiado a sério o “nós”, a ideia de o “nós” sermos “um”, a união das almas, dos sonhos e das alegrias, o sentir o que tu sentes, de termos um mundo só nosso, onde somos o fundamento, o centro e o limite, mas espero que digas que não levei demasiado a sério, que tudo não passa de uma briga com o tempo que dá azo ao destino.
Ainda vejo o nosso amor da mesma maneira possessiva que uma criança vê o seu mundo imaginário em bolas de sabão, tudo numa cor, tão prefeita devido há sua simplicidade.

Sou possessivo quanto aquilo que partilhamos, não tenho medo dos outros, não tenho medo de ti, tenho medo de mim mesmo, de me assustar com aquilo que penso, de me assustar com aquilo que não me mete medo.

Estou triste por não te ter aqui por perto, isto tudo podia eu ter explicado com um simples olhar, um olhar que podia ser ainda mais breve do que aquele que te dei por ultimo, mesmo antes de virar as costas, ir embora, e pensar como estavas bonita, como te ficava tão bem o cabelo, como brilhava e apetecia provar o batôn que usavas, mesmo sabendo que nunca gostei desse batôn, estavas tão bonita, tão simples, tão recordação...

No entanto magoei-te estando eu a sofrer, magoei-te com o meu sofrimento, tornei-te infeliz com a minha tristeza, e consegui pôr-te triste por infelicidade minha, por isso peço desculpa, mas não posso pedir desculpa pelo egoísmo de sofrer por estar tão perto e ao mesmo tempo tão longe de ti, não posso pedir desculpa por te amar assim com tanta necessidade.
Peço-te mais uma coisa, não peças desculpa do que não tens culpa, não me faças sentir mais culpado, eu também nunca esperei ter ciúmes de mim mesmo, por monopolizar o tempo que passo contigo, acabando por criticar a forma como o gastei, se calhar gasto não é a melhor palavra porque os bons momentos não se gastam aproveitam-se.

Só quero que saibas que te amo e que te quero comigo, quero te ver feliz, mas mesmo que seja egoísmo da minha parte quero ser eu a te fazer feliz, quero ser eu o bastardo egocêntrico de uma paixão que não é minha, é minha e tua.


terça-feira, janeiro 20, 2004

Teimosia!

É no segundo ano que descubro, ou melhor, que assumo, que Direito não é curso para mim: uma menina habituada a não estudar (ou a pouco estudar) e, contudo, ter boas notas... Hoje, sem método de estudo, pergunto-me porque não segui o que gostava, aquilo para que tinha talento... Sei a resposta, mas nem vale a pena mencionar... Uma alma de artista recalcada...

Mas, por teimosia, decidi que tenho de acabar este curso! Pelo menos uma vez na vida, vou levar alguma coisa até ao fim!

Valerá a pena nem que seja pelos grandes amigos que ganhei! Master_Zica e Zé: obrigado por tudo, acima de tudo pelas pessoas que são e pelos amigos que se têm mostrado ser! Como vocês não haverá mais nenhuns (ninguém tem paciência para me aturar como esses «santos»), mas concerteza mais pessoas ficarão no meu coração. Podem ter a certeza que quando tiver netinhos o assunto predominante será sobre os momentos vividos naquela faculdade, com aqueles amigos :)

Este ano lectivo ficará marcado também, e não menos importante, pelas revelações... Uma menina que anda triste, mas que é uma querida e uma ouvinte incansável, mesmo sabendo que tenho aptência para não gostar das amigas dela; um rapaz que ía a falar de mim sem saber que era de mim que estava a falar... (isto de escrever num blog sem assinar o nosso verdadeiro nome traz as suas consequências) também se mostrou ser uma pessoa em que se pode encontrar um amigo!
No coração ficarão também aqueles que não são revelações, mas que marcam.
Ficará sempre um carinho muito grande por alguém por quem se manifestou um sentimento especial... Mas que por força das circunstâncias nada aconteceu... Ou talvez por outras razões... Mas isso são pormenores de um passado que se negou a ser fututo...

Prefiro não falar dos pontos maus, até porque o que é importante é o que de bom se passou!
Por tudo isto, tenho orgulho em ser teimosa e querer continuar a acompanhar academicamente aqueles que quero acompanhar para sempre na amizade!

Bem aja a todos os que me alegram neste passeio pela vida!

sexta-feira, janeiro 16, 2004

Quando não sabemos escrever, recorremos a quem sabe.



Como pode ser expresso de modo tão coeso e conciso o que eu sinto em relação a viver em Lisboa. Mas a verdade é que Lisboa também tem outras belezas.


Os paraísos artificiais

Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

Os cânticos das aves - não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

Jorge de Sena

quinta-feira, janeiro 15, 2004

As manias deste nosso povo.



Pois é, sei que não é novidade, nem é uma noticia bombástica, mas decidi falar sobre o fenómeno que não é assim tão fenomenal, e que se pode apreciar em qualquer lar português hoje em dia, a doença dos telemoveis, mais conhecida como Phoneitesaparelheidis disease.

Decidi averiguar tal fenómeno, para isso utilizei várias amostras, e como locais de estudo dei preferência ás minhas habitações e respectiva família, e alguns exemplos tirados do dia a dia outdoor.

O telémovel começou a infiltrar-se no dia a dia do povo português por meados dos anos 90, mais precisamente na segunda metade da década de 90, por volta de 1996.
No inicio desta nova revolução não se esperava que este objecto fosse criar tanta dependência, ao inicio estes aparelhos eram de tamanhos de sapatos, o utilizador era obrigado a gritar em vez de falar, tinha uma quantidade de defeitos que hoje em dia não podemos encontrar num telémovel, é claro que na medida que o tempo avança o homem e a tecnologia avança e evolui (talvez o homem não seja o melhor dos exemplos), e sendo assim é normal que hoje em dia a doença dos telemoveis se tenha expandido de tal modo que chega a tomar proporções assombrosas.

Hoje em dia um telémovel é como um membro ou órgão do corpo humano, talvez faça muito mais falta um telémovel do que um ou dois dedos, e por muito que as pessoas não queiram admitir (tal como eu) hoje em dia os telemoveis teem o valor que as pessoas lhes dão, ou seja um valor praticamente insubstituível, não cada aparelho em si mas ao aparelho no geral.

O aparelho em si não tem grande valor, ninguém tem valor sentimental pelo telémovel, quer dizer suponho já conheci pessoas que colocaram nome, identidade ao telémovel, já tinha assistido a tal prática com carros, já ouvi falar de quem tivesse apelidado o órgão sexual, agora um telémovel, não tarda chamo “Quentinho” ao meu micro-ondas.
Mas como dizia o aparelho em si não tem grande valor, não é aquele telémovel em particular que tem importância para as pessoas é o objecto no seu todo, as pessoas hoje em dia já trocam mais de telémovel do que relógio, e chega a casos em que já se compraram mais telemoveis que sapatos, esse é o caso assustador da minha irmã por exemplo, no caso dela bem sei que foi por infortúnio, ou eles caem ou são tão pequenos hoje em dia que nos esquecemos deles em algum lado e depois temos de comprar outro, eles são tão frágeis pequenos, vêem em vários tamanhos cores e feitios, de tal maneira que o bem dito do tamagochi nunca podia vingar na sociedade, pois os telemoveis são os verdadeiros tamagochis do novo milénio.

Muitas das vezes penso, ok isto dos telemoveis é uma moda, é coisa a que as mulheres já estão habituadas, é como sapatos e afins, até compreendo, mas pergunto porque motivo é que os homens tinham de se meter em tal paneleirice?
Ok as mulheres são meticulosas a escolher a marca dos pensos higiénicos, tudo bem o homem por outro lado também escolhe a marca de tabaco que aprecia mais tal e qual como a mulher, mas porque tanta mariquice com os telemoveis, é que eles põem-lhes cores, fotos, corações, ursinhos, flores, frases lamechas, tudo e mais alguma coisa, ok por mim tudo bem, agora chamar meu bébé ao telémovel, isso é abuso e anticonstitucional, segundo algum artigo novo que os tão afamados deputados vão se dar ao trabalho de meter na nova revisão.

Posso ter satirizado um pouco, mas é tudo verdade já vi homens a tratar o telémovel por bébé.

Agora dando o exemplo lá de casa, eu fui o ultimo da minha família a ter um telémovel, os meus avós tiveram primeiro que eu, eu durante algum tempo consegui formar uma resistência que tinha por base o meu quarto onde os telemoveis não eram bem vindos, tudo um pouco idealista e underground, cheguei a pensar em fazer boicotes, mas o telémovel do meu pai era tão “tijolo” que me metia mais medo que mexer numa batedeira a trabalhar e tentar apanhar as misturadoras com a língua.

Lá num belo dia os meus pais tiveram a ideia de me dar um telémovel, telémovel esse que não quis usar, mas eles lá acabaram por me convencer a mal que queriam que eu usasse aquilo porque eu supostamente queria usar, mas eu só não sabia que queria usar (psicologia paternal).
Devia ter uns 13 anos quando comecei a utilizar o telémovel pro razoes de controlo dos meus pais, e de facto aquilo até facilitava um pouco a comunicação, sempre que o meu pai se atrasava lá tinha eu de cravar moedas de 50 escudos para ir a uma cabine telefonar, em vez disso agora com o telémovel podia aproveitar para chatear o meu pai de 5 em 5 minutos, mesmo quando ainda não tinha chegado à hora combinada, podemos lhe chamar uma pequena vingançazita pelo uso forçado de um aparelho que eu não queria usar, muito por causa dos idealismos anti-globais e anti-capitalistas, depois descobri a cerveja e o mundo da Internet e deixei-me de tais ideais.

Mas progredindo pelo exemplo de lá de casa, os telemoveis hoje em dia teem um papel quase tão importante como a televisão, uma coisa é certa, todos teem telémovel, até os cães daqui a dias recebem um, não há um ser naquela casa que tivesse tido apenas um telémovel, alguns já vão no quinto telémovel em 5 anos, é algo de totalmente absurdo, ou pela sociedade de hoje em dia talvez não passe de algo irrisório.

Lá em casa ninguém chama alguém para jantar senão por telémovel, para acordar as pessoas são utilizados toques de telémovel, para pedir para descer de um andar para outro é utilizado o sistema de sms, para pedir papel higiénico, usam o telémovel, confesso que ainda não chegou ao ponto de usar o telémovel para pedir o sal à mesa, porque não usamos sal à mesa, mas uma coisa é certa ninguém grita e poupamos muito mais em mebocaina e afins.

Outro exemplo, eu estou a viver em Lisboa com o meu irmão, durante um certo horário recebo sempre as chamadas habituais, normalmente telefona-me o meu pai e a minha mãe, para saber se está tudo bem, etc, o mais engraçado é que enquanto o meu pai fala com o meu irmão, a minha mãe fala comigo, e depois além de ambos telefonarem de telemoveis diferentes para telemoveis diferentes, quando acabam de falar com um ou com outro os meus pais não trocam de telémovel para falar com o outro filho, ambos desligam as chamadas e telefonam para os telemoveis trocando a ordem anterior.
Isto só mostra como o telémovel pode ser algo de muito pessoal, ninguém quer falar do telémovel do outro mesmo estando a 1 metro de distancia e sendo o caso de se poder poupar uns trocados, em vez disso cada um utiliza o seu aparelho de comunicação como se tal vinculasse para este lado uma marca pessoal de reconhecimento, tal e qual como os animais deixam a sua urina no seu território.

Estes aparelhos criam vicio, e são aparelhos que também dão muita despesa, não só pelo valor do aparelho em si, mas pelo custo das chamadas, eu admito já fui viciado em conversação telefónica, cheguei a gastar muito dinheiro, mas sei de pessoas que são capazes de gastar 500€ em duas semanas ou num mês.

É necessário ter muito cuidado, porque a moda dos telemoveis é um vicio, de tal ordem, que chega a ser doentio, e tal como outros vícios, como o tabaco, além de serem dispendiosos, provocam problemas de saúde, e os telemoveis podem ser responsáveis por cancros, também pergunto o que é que hoje em dia não causa doenças, mas em todo o caso acho que se os maços de tabaco teem aqueles anúncios sobre os seus malefícios os dos telemoveis também deveriam ter, principalmente a comparação do ordenado mínimo e dos valores dos telemoveis que se compra hoje em dia, e compram-se muitas vezes sem necessidade e sem meios.

Sempre esperei ouvir da minha avó que os telemoveis ou eram coisa do Demo, ou era coisa de maricas, mas até a minha avó se rendeu aos telemoveis, ás vezes questiono-me em que mundo vivemos hoje que até os telemoveis teem mais valor que alguns sentimentos e amizades, sim porque hoje em dia os telemoveis teem tal valor capazes de destruir muitas relações de amizade ou amorosas, ao ponto que chega o espírito do homem.

quarta-feira, janeiro 14, 2004

Vagueando

Desço à rua e inspiro o ar fresco da noite...
A lua recorda-me o brilho do teu sorriso
E sou eu quem agora sorri.

Sentada no solitário banco de jardim
Desfruto da companhia das pedras da calçada,
Da relva, do céu que me protege...

O vento sussurra ao meu ouvido
As palavras esquecidas que deitaste aos meus pés...
E aqui, dentro de mim
Renasce a lembrança de um beijo à chuva.

A poesia da noite rouba os versos que tento alinhavar...
O talento pertence a Deus.

Conservo a alegria de viver
E saber que também vives...
Algures por aí...
Algures no meu coração.

Levanto-me e vagueando pela cidade
Volto aos lugares que contam a nossa história.

E ao dobrar a esquina...
Apenas a recordação...

Também um dia tropeçarei em ti...
Outra vez, com um sorriso nos lábios.

terça-feira, janeiro 13, 2004

Caminho de razão...

«Um bom amante não se limita a destruir, por muito que o amor seja destruição. O seu faro deve apontar-lhe o fim das coisas para lhes dar um caminho de razão. Isto, parece-me a mim, é mais doloroso para quem já não ama do que o comodismo que prolonga a crise e faz dela, às vezes, um excitante.»

Não procuro um caminho de razão...
Não vejo na crise um excitante...
Lamento não ter rédeas curtas no coração,
Lamento ter tão pouca força para recuperar
De uma fase pouco feliz...

Talvez porque a tristeza
É parte marcante da minha natureza
E os momentos de loucura apenas são despoletados
Por paixões fortes... Arrebatadoras...

E quando o sentimento é mais calmo?
Terei de me resignar?

Falta-me o impulso renovador!
Falta-me a coragem, a decisão!

Fazes-me falta e não sei admitir
Fazes-me falta e não quero aceitar
Fazes-me falta e nunca to soube dizer...

Gosto de ti e temo este sentimento...

No fim... fazes-me falta!

Eu contigo e "tigo com migo" e reencontrarias nos meus lábios um sorriso sincero, enfim...

Porque percebi ter perdido o meu saco de diamantes...

segunda-feira, janeiro 12, 2004

Paz de Espírito - para reflectir... ou então não...

A propósito da inquietação da minha alma procurei perceber o que era a "paz de espírito" que tantos, como eu, procuram...
Encontrei no livro «CORAGEM - a alegria de viver perigosamente» de Osho, um excerto que me fez pensar um pouco...
Gostaria de partilhá-lo convosco.

«O homem rico foi imediatamente, montado no seu belo cavalo, e levou um grande saco cheio de diamantes preciosos. Chegou lá, viu o tal homem - o tal homem era conhecido pelo nome de Mulla Nasruddin.
O homem rico perguntou ao Mulla: "Podes ajudar-me a encontrar a paz de espírito?"
O Mulla respondeu: "Ajudar-te? Posso dar-ta."
(...) O homem rico disse: "Podes dar-ma? Já consultei todo o tipo de sábios; todos eles me deram conselhos - faz isto, faz aquilo, disciplina-te a ti próprio, dá esmolas, ajuda os pobres, abre hospitais, mais isto e mais aquilo. Todos eles dizem coisas destas, e eu de facto fiz todas essas coisas, mas de nada serviu. Para falar verdade, cada vez se levantam mais dificuldades. E tu dizes-me que ma podes dar?"
O Mulla respondeu: "É muito simples. Desce desse cavalo." E o homem rico desceu do cavalo. Segurava no seu saco, e o Mulla perguntou: "Que trazes dentro desse saco que seguras tão perto do coração?"
Ele respondeu: "São diamantes preciossos. Se tu me deres a paz, eu dar-te-ei este saco." Mas, sem sequer ter tido tempo de perceber o que estava a acontecer, o Mulla pegou no saco e fugiu!

O homem rico, durante um momento, ficou em estado de choque; nem sequer sabia o que fazer. E depois teve de o seguir. Mas aquela era a terra do Mulla - ele conhecia todas as ruas e atalhos e ía a correr. O homem rico nunca tinha corrido tanto em toda a sua vida, e era muito gordo... Chorava e bufava de irritação e as lágrimas corriam-lhe pela cara abaixo. Lamentava-se: "Fui completamente enganado! Este homem levou-me o fruto do trabalho de toda aminha vida, todas as minhas poupanças; levou-me tudo."
E toda a multidão o seguia, e todos se riam. Ele disse: "Vocês são todos idiotas? Esta terra está cheia de idiotas? Fiquei completamente arruinado, e vocês, em vez de agarrarem o ladrão, estão todos a rir-se."
Responderam-lhe: "Ele não é um ladrão, é um homem muito sensato."

(...) E o Mulla voltou para debaixo da mesma árvore onde o cavalo continuava à espera. Sentou-se debaixo da árvore com o saco e o homem rico chegou a chorar e a soluçar. O Mulla disse-lhe: "Toma lá o saco." O homem rico pegou no saco e colocou-o perto do coração. O Mulla disse-lhe: "Como é que te sentes? Consegues sentir alguma paz de espírito?"
O homem rico respondeu: "Sim, sinto-me em paz. És um homem estranho e tens métodos estranhos."
O Mulla disse-lhe. "Não são métodos estranhos - é simples matemática. Tudo aquilo que possuis, começas a sentir que é um dado adquirido. Só precisas que te seja dada uma oportunidade de o perderes; então tornas-te imediatamente consciente daquilo que perdeste. Não adquiriste nada de novo; é o mesmo saco que tens transportado sem qualquer paz de espírito. Agora estás a segurar no mesmo saco mesmo junto ao teu coração e qualquer pessoa pode ver que estás sereno, um perfeito sábio! Vai para casa e não aborreças as pessoas."»

«Se um homem souber o que é a paz de espírito, ele não poderá escrever um livrio intitulado Peace of Mind, porque a mente é a causa de toda a falta de paz, de toda a agitação.
A paz é quando não há mente. Ora, paz de espírito - semelhante mercadoria é coisa que não existe.» Osho

domingo, janeiro 11, 2004

Mais um excerto de mais um livro... Novo ano, mas eu não mudo :)

Hoje o dia foi revelador... Não sei se no bom ou no mau sentido... Percebi que, no fundo, o que eu quero, se calhar, não é a «verdade», mas apenas, e tão só, ser FELIZ. E nem sempre o «abrir os olhos» nos faz mais felizes, talvez porque há alturas em que tudo o que temos é a «esperança» e não uma realidade nua e crua, pronta a decepcionar-nos.
O que escrevo nada tem a ver com o que aprendi hoje (pelo menos directamente), mas apenas com as coisas que estive a pensar depois de um desenrolar, de um encadear de pensamentos...
É, para variar, mais um excerto... de Paulo Coelho. (A minha biblioteca parece um pouco monopolizada por este autor... hum...)

«As Valquírias»
«Isso era paixão: criar a imagem de alguém, e não avisar.
Um dia porém, quando a convivência revelasse a verdadeira identidade de ambos, descobririam que atrás do Mago e da Valquíria viviam um homem e uma mulher. Com poderes, talvez, com alguns conhecimentos preciosos, mas - não podiam fugir desta realidade - um homem e uma mulher. Com a agonia, com o êxtase, a força e a fraqueza de todos os outros seres humanos.
E, quando um deles se mostrasse como realmente era, o outro afastar-se-ía - porque isto significava destruir o mundo que tinha criado. (...) O amor era dividir o mundo com o outro (...). A paixão era algo bom, divertido, e que podia enriquecer muito a vida.
Mas era diferente do amor. E o amor vale qualquer preço, não merece ser trocado por nada

Bom 2004.

sábado, janeiro 10, 2004

Teorias da Constipação I

BOMBA AMEAÇA DURÃO
Vários inquilinos do prédio do primeiro-ministro, Durão Barroso, receberam ontem, cerca da 01h00, ameaças de bomba pelo telefone. Do auscultador uma voz, com um sotaque árabe, dizia em português “A al-Qaeda está em Portugal e vai atacar a casa do primeiro ministro”, revelou ao Correio da Manhã um dos vizinhos que recebeu a chamada.

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TARTARUGA GIGANTE DEU À COSTA
Uma tartaruga com 1,63 metros de comprimento e 300 quilos de peso, e já em fase de decomposição, apareceu ontem morta na praia de Afife, Viana do Castelo.
A tartaruga, da espécie Dermochelis Coreácea, foi detectada cerca das 10h00, por populares que passavam no local, tendo sido enterrada perto das 17h30 junto às dunas daquela praia.

Segundo a Polícia Marítima, o mais provável é que a tartaruga tenha ficado presa nas redes de pesca que estão ao largo da costa e sido agredida e depredada por outras espécies. "O arrojamento de tartarugas na costa Norte de Portugal não é muito frequente, embora esta não seja a primeira vez que tal acontece", acrescentou fonte da Polícia Marítima. O local onde o animal foi enterrado está devidamente identificado, para o caso de, no futuro, aparecem interessados em estudar as ossadas.

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Ambas as noticias foram retiradas do Jornal Correio da Manhã online.
Como podem reparar os erros de ortografia são originais do jornal, além do excelente vocabulário usado, só tenho pena de não ter encontrado a versão online do 24 Horas, ai sim iria ser um fartote.
Como seria de esperar já devem estar a perguntar que relação teem estas duas noticias, pois também não sei foram escolhidas ao acaso, ou talvez não...

Se formos observar atentamente as duas noticias, podemos observar que ocorreu uma ameaça de bomba à residência do Primeiro-Ministro feita por alguém ligado ao terrorismo internacional, supostamente a Al-Qaeda. Até aqui o mais estranho é o facto do atentado não ser à residência da ministra das finanças, até porque são os árabes que agora compraram as dividas de impostos dos portugueses.

Isto começa a fazer sentido se ao lermos as noticias tivermos o espírito e mente aberta.
Normalmente estas organizações terroristas não vão se meter com os portugueses, nas cruzadas fartaram-se de apanhar com a espada no meio dos dentes, tinha de haver um motivo de força maior.
Mas que motivo poderia ser esse, nós somos desconhecidos, não levantamos muita poeira, a nossa política internacional é de bajulice, as Lajes são dos americanos e castigo por isso já chega o “Farfalha”, que raio podem os portugueses ter feito para que os senhores terroristas “eu já precisava de ir ao barbeiro”, nos viessem chatear. Os restaurantes como a Meta dos Leitões até tem menus a pensar nos terroristas, têm alternativas a carne de porco, como por exemplo coisas verdes e as cores a que alguns chamam de legumes. (chalaça seca)

Depois de ir à casa de banho aliviar a bexiga é que de repente me lembrei, e disse para comigo:
- Queres ver que a tartaruga que deu à costa em Viana do Castelo era um líder religioso dos senhores terroristas?
- Tu queres ver que a tartaruga era o elo espiritual que unia os barbudos no ataque aos capitalistas?
E só ai é que me apercebi do erro que os terroristas tinham cometido.

É normal que eles estejam cheios de sede de vingança, mas quem matou a tartaruga não foi o Durão Barroso, foi sim Mário Soares na sua visita às Seychelles quando se sentou em cima da pobre tartaruga e posou para as fotos na altura, só agora passado tanto tempo é que o seu cadáver veio a ser descoberto e logo em Portugal, tudo isto fez reavivar a memória dos terroristas que exigiam sangue, mas enganaram-se no político.

No fundo quem eles querem é Mário Soares, “el gordito”, como é conhecido no mundo político, por isso esperem mais uns dias e depois do Paulo Portas ler a minha tese sobre esta conspiração e podem ler no 24 Horas uma noticia do género, “Paulo Portas é visto à frente da Casa do clã Soares com flairs vermelhos e com o seguinte cartaz, “Sr. Terrorista, quem vos matou a tartaruga Nemo foi o senhor que ali está, tomei a liberdade de fazer uma cruz vermelha no telhado para servir como alvo.” ” .

No meio disto tudo quem sofre é a família do Nemo que vê o seu nome espalhado nos mais importantes media do mundo.

terça-feira, dezembro 30, 2003

Adeus 2003!

O último blog do ano.
Adeus 2003. De ti manterei apenas algumas lembranças... Umas porque são boas e não quero esquecer, outras, porque más, não consigo esquecer...
Ao entrar em 2004 vou deixar para trás o que não presta. Vou renovar o espírito e viver uma nova vida. Algumas pessoas ficarão esquecidas, confesso, mas é assim... Ano novo vida nova. O que não tem força para sobreviver morre.
Posso parecer fria, mas é assim... É como sou... Este meu mau feitio permanecerá...

Bom ano para todos vós!

terça-feira, dezembro 16, 2003

Atestado de estupidez!

Eu sou suspeita para falar do Natal, porque eu detesto o Natal, mas não me consigo conter!

Temos de admitir que ou andamos a passar atestados de estupidez às crianças ou simplesmente falta a coragem de dizer que lhes andamos a mentir desde que nasceram...
Parece impossível, vamos a um centro comercial ou ao Jardim Zoológico e encontramos pelo menos uns 3 Pai-Natais diferentes...
E queremos nós que o mundo melhore quando, desde cedo, começamos a corromper as novas gerações!


domingo, dezembro 14, 2003

Algo para ocupar espaço, ou talvez só um conselho, uma dica, uma luz.

Desorientação é algo terrível, principalmente a desorientação dos pensamentos, não saber o que pensar ou sentir. Quantas vezes na vida nos baralham por dentro com simples palavras, com jogos de palavras, com jogos de intenções.

É terrível não saber o que sentir, aí começamos a pensar o que fica melhor sentir, acaba por ser como escolher o que vestir, e acabamos por fazer a pergunta do que vamos sentir hoje.

Normalmente até sou uma pessoa inteligente, pelo menos prudente em maioria dos casos, costumo variar os sentimentos, mas raramente me engano naquilo que devo sentir em determinado momento.
Sei que ainda não vivi o suficiente, mas sei que já vivi muito para poder julgar, para poder aconselhar, para poder dizer disparates.

Se fosse a julgar diria que as pessoas que agem mal, deviam ser as primeiras a tentar mudar e resolver a situação.

Se for a aconselhar, aconselho que se de uma oportunidade, que se de uma oportunidade ao dialogo e à frontalidade, que se resolvam as coisas a falar, mas que isso parta da pessoa com mais interesse, o que em alguns casos é difícil de definir, noutros é bem evidente.

Se for a dizer um disparate, digo que acredito nas pessoas piamente, ou então digo que devemos desconfiar de todos, quando o mais certo é contrabalançar, devemos dar sempre uma oportunidade, mas manter sempre um pé atrás, pois de quem pouco sabemos tudo esperamos.

Eu sinceramente nem sei para que escrevi isto, ou porque ponho isto aqui, duvido que tenha o mínimo de interesse para alguém, o mais provável é ser um desabafo.
As pessoas teem o direito a mudar, têm o direito a que os outros lhes ajudem e dêem uma oportunidade, mas são essas pessoas que devem mudar o comportamento, devem procurar falar, devem procurar mudar e não esperar que sejam os outros a esquecer ou mudar por elas.

Não adianta ser vítima num mundo de injustiçados.

Somos todos vitimas de algo, ou de conformismo ou de estupidez, ou de calculismo até à discriminação, todos temos defeitos, apenas temos de mudá-los e adaptá-los as pessoas com quem queremos estar.
Uma coisa é certa as pessoas estão sempre dispostas a ouvir, podem não responder ou nem ligar, mas ouvem, é preciso é que alguém esteja disposto a falar, a mudar, e a encontrar os sentimentos certos para se adaptar ao mundo que quer abraçar.

Ninguém espere que o tempo mude a situação, é preciso tomar a iniciativa, e parte sempre do lado mais necessitado.

quinta-feira, dezembro 11, 2003

A publicidade 2 em 1.



Após o delírio febril ontem à noite, decidi que hoje iria escrever sobre algo menos interessante e mais enfadonho.
Decidi que queria partilhar a minha opinião sobre a publicidade. Devem perguntar “porque raio vai este gajo partilhar opiniões, ainda não percebeu que não estamos interessados?”.

Eu apenas partilho as opiniões mais inúteis e que me ocupam espaço neste cérebro diminuto, as boas opiniões guardo à espera do momento prefeito para surpreender o mundo.
Como esta opinião não tem utilidade pública, e é matéria que me ocupa o cérebro decidi partilhar.
Pois é, a publicidade, belo tópico de conversa.
Decidi abranger a publicidade por duas vertentes, fazer uma espécie de opinião dois em um, e enveredar tanto pelo lado comum da publicidade como o lado mais formal e legal da publicidade. (o legal não é sinónimo de show de bola em brasileiro, é legal de legalidade, na vertente jurídica.)

Começo por definir publicidade no termo jurídico. Publicidade é qualquer forma de comunicação feita por entidades de natureza pública ou privada no âmbito de uma actividade comercial, industrial, artesanal ou liberal, com o objectivo directo ou indirecto de promover, com vista à sua comercialização ou alienação, quaisquer serviços ou bens, ou promover ideias, princípios, iniciativas ou instituições.
Também é considerado publicidade qualquer comunicação da Administração Publica que tenha por objectivo promover, directa ou indirectamente, o fornecimento de bens ou serviços.
Apenas a propaganda política não é considerada publicidade segundo os tramites legais da lei nº 24/96 de 31 de Julho, alterada pelo decreto-lei nº 67/2003, de 8 de Abril, anexo sobre o código da publicidade.

Após definir o que é a publicidade para o mundo jurídico, quebro a corrente e faço uma pequena compilação de anúncios odiosos da televisão portuguesa.
Em primeiro lugar fica com certeza o anuncio da Netcabo, o anuncio referente ao concurso do Ferrari em que aparece um pobre jovem a imitar a rotação de um motor do Ferrari, sendo que o anuncio baseia-se apenas na produção de um som (NAAAAAAAAAaaahhhNaaaaaaahhh), o que é extremamente irritante.

Em segundo lugar nomeio o anuncio do Mon Cheri, em que o suspense final é asfixiante, como será que vão dividir o último Mon Cheri? Aposto que a se o homem fosse a comer o último sozinho a mulher rogava-lhe a praga do intestino incontinente.

Outro anuncio é o anuncio do shampoo Herbal Essences (julgo ser este o nome), em que metem uma mulher a ter um orgasmo sempre que usa o shampoo. È claramente publicidade enganosa, o shampoo não provoca aquele estado de excitação, como sempre o mais provável é o orgasmo ser falsificado, logo a publicidade é enganosa.

A publicidade de telemoveis, por vezes deixa um pouco a desejar, principalmente o anuncio da geração tipo “Duh”, este anuncio além de falso e estúpido viola os pontos b, c e f do nº 2 do artigo 7º da lei referida anteriormente neste artigo, esses pontos versão sobre a estimulação ou apelo à violência, atentado contra a dignidade da pessoa humana e utilização de língua obscena.

Posteriormente farei uma continuação da compilação de anúncios degradantes, mas confesso que ultimamente não tenho assistido o numero de horas de televisão suficiente para poder ter um conhecimento geral da publicidade feita hoje em dia.

Agora falando de coisas mais sérias gostava de referir um numero irrisório de normas que são violadas hoje em dia pela publicidade.
Começando pelo artigo 7º da lei já referida, que versa sobre o principio de ilicitude da publicidade vem logo dois ou três anúncios à cabeça que violam mais de dois pontos daquele artigo. Logo a seguir no artigo 8º sobre o principio da identificabilidade no ponto n.º 2 esta claro que a publicidade feita na televisão ou rádio tem de ser claramente separada da restante programação, através da introdução de um separador no inicio e fim do espaço publicitário, eu acabo de assistir a publicidade feita a meio de um programa, publicidade clara a uma marca de electrodomésticos de cozinha.

O artigo seguinte, o artigo 9º sobre a publicidade oculta ou dissimulada no pontos n.º 1 e 2 refere que fica vedada e proibida o uso de mensagens subliminares ou outro meio dissimulador que explore a possibilidade de transmitir publicidade sem que os destinatários se apercebam da natureza publicitária da mensagem, ou que na transmissão televisiva ou fotográfica de qualquer acontecimento real ou simulado, é proibido a focagem directa e exclusiva da publicidade existente, quando já foi alvo de comentário em algumas revistas de informação o caso de alguma da produção nacional ser patrocinada por marcas que patrocinam certas novelas e depois durante a sua transmissão são focados os produtos patrocinadores, como o caso do patrocinio de uma novela de produção nacional, por parte da água suja do imperialismo americano, expressão aplicada por Salazar.

Publicidade enganosa encontra-se explicita no artigo 11º da lei referida anteriormente, e em muitos dos seus pontos podemos inserir o telemarketing ou a publicidade dos mestres de serviços milagrosos que alem de violar o artigo da publicidade enganosa, viola também o artigo 22º-B sobre a proibição de publicidade sobre produtos e serviços milagrosos, quando todos os dias em qualquer jornal, panfleto, e até já na televisão vemos publicidade à prestação de serviços destes.

Versado no artigo 17º está o assunto da publicidade de bebidas alcoólicas, e no n.º 2 deste artigo está expressamente proibida a publicidade de bebidas alcoólicas na televisão e rádio, entre as 7 horas e as 22 horas e 30 minutos, por acaso nunca ninguém reparou nos anúncios de marcas de vodka.
O n.º 4 deste artigo diz que é proibido associar a publicidade de bebidas alcoólicas aos símbolos nacionais, consagrados no artigo 11.º da Constituição da República Portuguesa, julgo que a bandeira da República Portuguesa é um símbolo nacional, e julgo que a cerveja é uma bebida de teor alcoólico. Será que alguma vez foram associadas uma marca de cerveja e um símbolo nacional?

No artigo 23º onde consta a publicidade domiciliária diz no n.º 1 que a publicidade entregue no domicilio do destinatário, por correspondência ou qualquer outro meio, deve conter, de forma clara e precisa certos pontos, como elementos para identificação do anunciante, este é geralmente respeitado, indicação do local onde o destinatário pode obter as informações de que careça, este também é respeitado maioria das vezes, já os últimos dois pontos quanto à descrição rigorosa e fiel do bem ou serviço publicitado e as suas características, como também o preço e formas de pagamento, bem como as condições de aquisição, de garantia e de assistência pós-venda sobre um bem ou serviço, isso raramente é respeitado.

Apenas irei referir mais um artigo porque o tempo também escasseia, o artigo 24º no seu ponto n.º 3 refere que os telejornais e programas televisivos de informação não podem ser patrocinados, peço que reparem no fim dos telejornais se não há publicidade, e muito menos cumpre o ponto n.º 2 do artigo 8º sobre a identificabilidade da publicidade.

Há mais dois casos que sem basear de momento na lei, por conhecimento geral sabemos que não é legal, o caso da duração do tempo de publicidade na televisão que ultrapassa de longe o tempo especificado por lei, e o caso da publicidade em canais pagos, que supostamente por serem pagos não deveriam de ter publicidade.
No fundo como conclusão ficamos todos a saber, que as leis que versão sobre a publicidade são das mais violadas em Portugal.

A titulo de curiosidade o artigo 34º estabelece as sanções da violação dos artigos anteriormente referidos, as sanções variam entre os 200 e os 9 mil contos em moeda antiga. Se por cada violação fossem as sanções aplicadas muita mais gente andava mal de finanças.

Bem por tanta exposição sobre o mundo jurídico da publicidade arrisco-me agora a apanhar alguns processos, mas o mais provável é ninguém ligar a isto.

quarta-feira, dezembro 10, 2003

GRIPE FASE II



A Gripe contra ataca.. Snif SNif
E pinga o nariz.. SNif Snif
A garganta está inchada... Snif Snif
Doi toda e qualquer articulação ... SNif Snif
O Reumatismo não ajuda .. Snif SnIf

Se a demência e a poesia fossem sempre assim, louvados sejam os céus.

Um pouco de amor próprio para variar.



Ontem além das muitas horas de estudo dediquei uma parte do meu tempo a relembrar um filme que já tinha visto anteriormente. Por volta das 23:45 a RTP passou um filme intitulado de Flatliners ou Linha Mortal em português. Este filme conta com a participação de Kiefer Sutherland, Julia Roberts e Kevin Bacon nos principais papeis.
O filme tem por assunto principal o facto de um grupo de estudantes de medicina que se sujeitam a morrer clinicamente por alguns minutos, correndo o risco de não conseguir a reanimação, para experienciar a morte, e poder voltar para partilhar a experiência.

Não duvido que seja uma curiosidade geral, acho que toda a gente em alguma altura da vida se questionou se há vida para além da morte, ou como será o paraíso, como será a reencarnação, como será apagar, como será viver em espírito, ou qualquer outra crença possível, não há duvida que a morte e tudo o que a rodei é um dos maiores mistérios da humanidade.

Se calhar muita gente já perdeu um ente querido e ficou curiosidade de para onde é que esse ente foi parar, ou quis ir ter com ele nem que fosse por breves momentos, alguns mais excêntricos gostariam de encontrar alguém famoso do outro lado, alguns os seus ídolos, a morte engloba muitos tipos de curiosidade, e o motivo dessa curiosidade pode ser do tipo mais diversificado possível.

Acredito que muita gente era capaz de se expor a tal experiência, alguns diriam aventura, mesmo sabendo que corriam o risco de não serem reanimados e não voltar para este mundo dos vivos. Talvez muita gente ao equacionar o experimentar ou não, pense que se fosse provada alguma segurança tentava, já desde os primórdios dos tempos que a curiosidade e a vontade de saber, move o homem e dá largas à sua evolução.

Eu digo que nem que me garantissem a segurança da experiência eu era capaz de experimentar, não por medo ou falta de curiosidade, medo é pouco, já aprendi à algum tempo a não ter medo da morte e aceitá-la como uma casualidade de estar vivo, a curiosidade não falta com certeza, mas algo convence-me a não arriscar.
O motivo é simples e acho que válido.

Apesar de este mundo não ser aquilo que eu e se calhar muitos esperavam, mas acho que isso será sempre assim com o mundo e com tudo, o inconformismo da nova sociedade urbano depressiva, nunca nada irá ser como queremos, mas apesar disso sou apegado à vida, principalmente à minha vida neste mundo, porque nunca era capaz de trocar os amores e amizades que cultivei neste mundo por qualquer sede de conhecimento, mesmo sendo esta gigantesca, admito que sou extremamente curioso e calculista, imaginativo q.b, mas nada vale mais que as amizades e amores que cultivei nesta vida, e por todas as pessoas que me fazem sentir bem em viver, todas as pessoas que me apóiam, acho que não vale a pena arrisca.

Quando morrer, quero que na minha lapide seja esculpida uma lágrima por cada pessoa que deixei no mundo a amar-me.

Isto é muita pretensão.

Será?

Só espero que se forme um oceano.

Iraque e as suas crianças...

Hoje ao passear por outros blogs resolvir passar uns minutos a pensar em problemas da actualidade, em problemas mundiais... Em problemas que indiscutivelmente ultrapassam a esfera da minha vida pessoal.

A situação do Iraque é algo que sempre me perturbou, de resto como qualquer guerra. Sou contra, sim. Não por ser no Iraque, não por estarem envolvidos os Estados Unidos, mas por ser uma guerra. Talvez seja limitada a minha visão sobre o conflito em causa, talvez não deva criticar já que não tenho planos ou soluções para apresentar. Mas não posso negar o que sinto, o que vejo.

Acima de tudo, não acredito que a violência preventiva de violência seja a melhor solução.
Não acredito que se devam pagar preços tão altos como aqueles que se têm cobrado.
Há muito que me questiono sobre o que é a Justiça... Oh Aristóteles, Oh Álvaro Pais: não consigo acreditar que Justiça exista!

As crianças, meu Deus, as crianças... Não acredito que um dia nos venham a agradecer... Matamos as suas famílias, destruimos as suas esperanças, apagamos os seus sonhos... O que ouvem é o barulho ensurdecedor de armas. Armas diferentes daquelas que vemos nos filmes. Armas a sério que matam o corpo (e a alma dos que sobrevivem). É sangue, não é molho de tomate. É dor, são lágrimas... É um sobreviver indigno! E há quem fale na dignidade da pessoa humana...

As crianças, meu Deus, as crianças... Como explicar a uma criança a guerra?
Tanto às que a vivem como àquelas que a descobrem aqui deste lado, do lado de cá, pela televisão? Como explicar que não é um filme, que é real, que os heróis morrem, que não se vive feliz para sempre.

E como explicar a um filho que o pai morreu na guerra?
Dizer-lhe que o pai é um herói?... De que serve um pai herói se não está cá para o salvar da solidão, da tristeza, da desesperança.
Se calhar nunca viram, mas eu já vi crianças chorarem porque o pai está na guerra. Se calhar nem sabiam porquê, nem onde era a Bósnia. Sabiam que era longe... Que poderia não voltar... Que havia guerra!
Felizmente voltou, hoje vivem bem. Mas poderia não ter voltado, como muitos não irão regressar a casa.
Pergunto-me se se luta por um ideal ou por dinheiro. Pergunto-me se se sabe porque se luta.
Pergunto-me se vale a pena.
Pergunto ao mundo «quem somos nós para impor condutas!».

Os direitos do homem, os direitos das crianças são só para alguns?

Não tenho resposta, admito que não sou ninguém para falar.
Mas se tivesse soluções para apresentar como aquelas que foram tomadas, também não me orgulharia.

As crianças, meu Deus, as crianças... As nossas crianças vão crescer neste mundo?!... Os nossos filhos...

Simplesmente... um desabafo.
Porque nada sei... De política nada percebo... Porque simplesmente penso como um ser humano que vê a angústia nos olhos das crianças e a cara de entrada num caminho de revolta do qual não terão volta...