Televisão e humor? Não me parece...
Na minha casa sempre disseram que pelo meu ar preguiçoso e sempre agarrado ao comando da televisão eu podia dar um excelente critico de Tv, também a tempos disseram que dava para a "stand up comedy", ideias ridículas, fui e sempre serei um idiota, uma fonte de ideias e informações inúteis, só argumentação que serve para a socialização do dia a dia.
Eu como qualquer rapazola da minha geração fui criado pela tv, foi lá que aprendi as primeiras palavras de inglês, que aprendi alguns vocábulos mais interessantes, aprendi anatomia feminina, aprendi que uma boa mentira vale mais que meias verdades, e que aquilo de parecer mais gordo na televisão é mentira, eu que o diga que me filmei em 3 horas de pura inutilidade para constatar o facto.
Mas foi também através da Tv que aprendi a dar as minhas melhores e mais sonantes gargalhadas, aprendi a estimular os músculos da face responsáveis pela retração dos lábios e exposição de uma bela coleção de marfim humano.
Foi através da televisão, logo desde muito novo, que aprendi a estimular o conhecimento, e aprendi a criar e manter a boa disposição, aprendi também que vale a pena passar por um mau dia se pudermos parar para rir durante alguns minutos, mas tem de ser uma boa gargalhada arrancada do mais fundo da caixa toráxcica. O riso é a estimulação de muitos nervos, mas mais importante é o relaxamento que beneficia em vários membros e órgãos do corpo humano, há até quem defenda o riso como meio curativo de doenças, não curativo, mas sim apaziguador de efeitos de algumas doenças.
O riso tem como função o bem estar e como estimulante o humor, as ideias e atitudes em tom de brincadeira e diversão que são protagonizadas por um individuo, com uma certa piada, mais conhecido como bom humor.
O riso é o estandarte da boa disposição, é a função que Deus ou mesmo o homem encontrou para dar ao riso, estimular nervos e enzimas que provocam sensação de bem estar e de mente calma e leve, mesmo que muitas vezes seja um perigo para a vida quando assistimos a gargalhadas em que as pessoas perdem o fôlego ou teem incontinência, coisas que não provocam um bem estar muito agradável.
O riso pode ser estimulado através de qualquer sistema sensorial, pela visão, pelo tacto, pela audição, se bem que pelo olfacto e paladar é um pouco mais difícil, mas esboçamos um sorriso quando a sensação é boa, quando o paladar é agradado por um travo agradável, ou o olfacto por um aroma suave e doce.
Mas isso é o simples riso, o que eu encontrei no estimulo audiovisual oferecido pela televisão, criou em mim a noção da gargalhada monumental, o riso incontrolável, as lágrimas a escorrerem pelo rosto, de tanto prazer que o meu cérebro sentia.
Há quem compare a boa gargalhada a um orgasmo, para mim são idênticos, mas não são a mesma coisa, ambos exprimem um expoente de prazer, mas um prazer diferente, com níveis diferentes, com efeitos e objectivos semelhantes mas diferentes ao mesmo tempo como se de uma dicotomia se tratasse, mas ao mesmo tempo fosse uma analogia.
E toda esta introdução para dizer que hoje em dia o humor televisivo não presta.
Não presta e ponto final, pouco se aproveita, e anda tudo no mesmo estado nem avança nem se recorre aos clássicos.
Eu sou com algum orgulho um bom praticante de zapping, admito que não pratico muitas horas, mas sei as horas em que devo praticar, ou melhor dizendo, sabia.
Eu passo por todos os canais da Tv por Cabo, alguns sa interessantes, outros úteis, outros um desperdício de antena.
Como é obvio, mesmo sendo poliglota, os canais a que dou preferência são aos portugueses e dentro deles aos principais, mesmo tendo uma certa dificuldade em designar quais os principais, porque há a minha visão de primordialidade, e há a visão de todo um Zé povinho.
Analisando os canais um a um, posso dizer que a nível de programação tudo é muito fraco, e como não é espanto para ninguém a qualidade televisiva anda muito por baixo, e mais fundo não pode ir após as malditas festarolas da TVI no meio da rua com o Carlos Ribeiro e as velhotas e a criançada toda junta, pior mesmo só o Carlos Ribeiro com o Batatinha.
Analisando canal a canal, a TVI é sem dúvida dos mais baixos em nível de qualidade, a informação é péssima e muito mal dada, abundam os casos de infortúnio de pobres pessoas, e um noticiário explora esses casos e o lado mais fraco e indefeso das pessoas que é a miséria para ganhar Sharing, se não fosse pelo tempo de antena do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, nem via aquele símbolo ridículo da TVI a frente, e pensar que já foi um canal movido por lobbys religiosos, uma pessoa pensa que não pode piorar e de facto piora.
Mudando de canal, damos um pulo há Sic, líder em violência, e programas de qualidade nula, salvando um pouco da informação, e um ou outro programa que sirva para o gasto, pois desde que esta estação televisiva se desmembrou em outros canais parece que o canal “Mãe” perdeu toda a qualidade e interesse, se é que alguma vez o teve, mas bem haja que conseguiram fazer um Sic Noticias que ainda tem algum valor, e a Sic Radical e a Sic Mulher onde se pode ver algum humor internacional e algum nacional, sendo que do nacional na Sic Radical felicito o Ricardo Araújo Pereira e o José Diogo Quintela, autores deste
blog, por alguns bons sketch’s que fazem no Prefeito Anormal, mas acho-lhes mais piada no blog do que na tv, porque senão aquele programa só servia para mostrar a inutilidade de quem julga ter graça e lá está só pelo tacho.
Quanto há RTP, é uma televisão de melhor qualidade mas parada no tempo, um pouco “old fashion”, mas que sem dúvida conquista a minha preferência a nível de informação, e por mim tem um dos mais prestáveis programas de humor que é o Contra Informação, sendo que mete na sola do sapato um Malucos do Riso, e um Levanta-te e Ri.
De facto o canal mais mal servido em comédia é a TVI, a Sic lá tem o Herman, que tinha muito mais graça uns anos atrás na RTP a fazer as suas personagens que tanto dominavam o mundo fictício e humorístico de um circulo enorme de fãs, fãs esses que hoje vão sendo poucos, e a idade de facto não perdoa, ou talvez seja o dinheiro e as doenças relacionadas com ele que não perdoam, tem o Levanta-te e Ri, com a participação do Fernando Rocha que já começa a perder piada, e de um ou outro humorista que se revela, e lembro-me agora do Aldo Lima por exemplo, e a RTP conta com a Contra Informação que bate todos os outros aos pontos.
Falta um canal, é a RTP2, canal mais cultural, canal mais ligado há arte e cultura, mas a quem nunca faltou algum espaço de humor, mas esses tempos áureos já lá vão, já lá vai o tempo de antena de sábado á noite dedicado aos Sitcoms britânicos, ou a altura de grandes comédias que serão eternamente imortalizadas como um BlackHader com a presença do Rowan Atkinson, o afamado Mr. Been, e um Allo’Allo, com Gorden Kaye, e Carmen Silvera.
Quem poderá alguma vez esquecer tais comédias, até mesmo podendo ser intituladas de “divinas comédias”, nas noites da Rtp2, o esperar para assistir a mais um Allo’Allo, ou a um BlackHader, ou mesmo assistir a uma boa série de Monty Python, com a soberba participação de Graham Champman.
Ao que o humor decaiu, ao que chegamos de humor na tv, malditos Malucos do Riso, que bem aproveitado era o espaço de antena com um Allo’Allo, ou um BlackHader.
Sem dúvida prefiro a comédia britânica e até brasileira, há má tentativa de tentar imitar dos portugueses, começando pelo Herman José a tentar imitar um David Letterman ou um Jay Leno, até a um Não Há Pai a tentar imitar o Sai de Baixo brasileiro.
Somos de uma originalidade barata, fomos pioneiros em tempos, mas só em tempos, também diga-se a verdade já pouco há para inventar, mas se for para imitar, mais vale reposições de obras de arte do humor.
A televisão já não tem humor, já não tem brilho, ou será que fui eu que cresci e pedi o brilho, ou troquei o brilho da televisão pelo brilho dos livros ou pelo brilho do mundo internauta.
Será que estou assim tão enganado ou a televisão em Portugal não presta mesmo?
De facto eu tenho a consciência que a qualidade nos últimos anos baixou e baixou imenso, mas de quem é a culpa?
A culpa é nossa que não exprime o que deseja, a culpa é das pessoas tal como eu que teem saudades de um Allo’Allo, não se manifestarem perante os responsáveis pela televisão para aumentarem a qualidade dos programas, a culpa mesmo é das mentalidades deste país que são muito mais difíceis de equilibrar do que o orçamento que já parece impossível, e enquanto a Tvi andar a por macacos a saltar tal como a Sic com as bananeiras e tudo, o povinho não há de querer outra coisa, mas se soubessem o que perdem e a oportunidade que desperdiçam, até mudavam de ideia, mas é preciso mostrar a alternativa para poder mudar.
Com uma breve passagem pelo resto da cultura em Portugal, termino este post, pois é triste ver alguns valores musicais como o Joel Xavier e novas bandas e projectos portugueses não receberem tanto apoio das estações televisivas como deviam, enquanto alguns projectos de mau gosto e baixo nível como Zé Cabra, andam a par e passo com a Tv, é motivo para dizer que a televisão é um veiculo de cultura, mas da cultura errada, hoje em dia a televisão e o mau gosto andam de mãos dadas, as soluções, ou desligo a tv, ou proponho a mudança, mas é preciso que se juntem as vozes e que alguém nos oiça, o que nos tempos que correm, é uma tarefa Herculiana.