Domingo, Junho 14, 2009

Você decide.

Sentados na relva lado a lado. Os suspiros voavam alto, acabados de sair de um casulo que se formou na antecipação daquele momento.
As mãos não se tocavam, mas estavam tão perto. Os olhares não se encontravam, mas cruzavam-se constantemente entre eles.
Era possível ouvir o palpitar do coração de cada um, uma cadência ritmada que acompanhava o pulsar de ambos.
Ele abanava o pé em sinal de nervosismo, ela encaracolava o cabelo, e nem uma palavra se trocava.
Era claro que ele esperava nitidamente que ela olhasse para ele e fosse capaz de dizer o que sentia, ela esperava o mesmo da parte dele, mas nenhum falou.
Nem sabia bem porquê mas ele sentia um certo medo em dizer o que pensava, o que sentia, podia não ser compreendido, podia ela achar que era um exagero, podia afasta-lo, já noutras alturas coisas semelhantes tinham acontecido.
Existia nele um temor de ser inconveniente, mas ele estava sedento pela atenção dela, pelos seus carinhos, por poder explodir e ser quem sentia que devia ser, mas não tinha a certeza do que fazer, nem sabia se havia a mínima possibilidade de ela gostar dele.
Ele sentia um aperto tão grande no peito, ele queria falar e não conseguia, ele queria explicar e não conseguia, e ela sempre serena como se estivesse alheia a tudo.
Decidiu falar, mas depois conteve-se, repensou no que ia a dizer, estava preparado para falar, mas travou. Ele sabe perfeitamente o que sente, mas sabe que não o deveria sentir, não faz sentido, que ligação podem eles ter? Voltou a olhar para o céu e a tentar convencer-se que não sentia nada por ela. Quando voltou a por os olhos nela, reparou que ela estava a olhar na direcção de alguém. Alguém que se aproximava. Era um amigo dela, que se sentou do outro lado e começou a conversar com ela. Parecia haver ali muita cumplicidade. Começou a reparar em todos os gestos, todos os toques e formas como eles os dois se tratavam. Sentia cada vez mais um aperto no peito, seriam ciumes? Impossível. Ele sabia que não podia sentir nada por ela, estava proibido de gostar dela, porque raio havia de sentir ciumes. Apertava a mão, estava confuso. Cada vez mais sentia que se calhar existia algo ali, demasiado forte para controlar, demasiado forte para agarrar e guardar dentro de si.
Por um lado tinha medo de dizer o que sentia por ela, com medo que ela fosse embora ou se afastasse, por outro lado tinha medo que se não lhe fosse contar e mostrar o que sentia, ela fosse arrebatada por outra pessoa.
O dilema dilacerava-lhe o espírito. Parecia uma bola de canhão que lhe rebentava com o coração, que lhe estilhaçava a alma.
Estava encurralado, e não sabia o que fazer.
Como é que acaba esta história?

1 bitaites:

mara disse...

Ele levanta-se, despede-se de forma breve e jovial a deixar passar uma despreocupaçao total com o que via... afasta-se em passo firme, e tambem ele decidido segue um outro caminho sem olhar para tras... um caminho que o vai levar a um outro alguem, a alguem que vai perceber que devem dar as maos muito antes dele hesitar em faze-lo!! Vai encontrar alguem real...