quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Literalmente é meter a mão ao bolso, e ficar quieto.

Hoje em dia custa-me entrar na Fnac. É penoso ver tanta coisa boa, tantos livros que era capaz de ler em poucos dias ou horas, discos musicais que era capaz de ouvir num looping perfeito, filmes que tanto prazer me daria poder visioná-los numa noite de insónias.

A parte penosa como é óbvio não é encontrar um mundo cheio de novos brinquedos, os brinquedos da minha idade. A Fnac está para a minha idade como o Toys'R'Us está para um miudo com menos de 10 anos. O que custa mesmo são os preços.

Esta terça-feira de Carnaval, dei um pulo à Fnac do Chiado com o Miguel e o Luís para dar uma olhadela nas novidades. Este ano ainda não tinha ido à Fnac. Mais de um mês sem ir à Fnac, quase parece absurdo, e de certo que serei alvo de chacota de muita gente.

Entrei, olhei para as novidades na parte dos livros, e não difere muito das novidades da Bertrand onde tinha estado na semana anterior um bom bocado à procura de uns clássicos de romancistas americanos, e onde acabei por ver um livro engraçado de Cocktails à volta do mundo, e nem era muito caro, mas mesmo assim não valia o meu dinheiro. Ia com um disco em mente, e um dvd musical também, além de me ter lembrado que tinha de actualizar a minha legislação de fiscal, pelo que comprei uma nova que ainda não está completamente actualizada. É a vida que havemos de fazer.

De repente comecei a reparar com o Luís nos preços de alguns filmes de cinema de autor. Pelo preço parece cinema Gourmet, por exemplo, Inland Empire do David Lynch, só que é uma edição especial de coleccionador porque temos de gramar com uma entrevista do Rui Pedro Tendinha.

O preço verde deste menino era por volta dos 23€. Como diria Al Pacino..."Boo-Ya".

Outro que gostei de ver o preço foi o Fanny and Alexander da autoria de Ingmar Bergman, com o preço a rondar 33€, mais 10€ que o anterior. O Fanny and Alexander em dvd na Fnac custa por volta de 33€. Mais uma vez..."Boo-Ya". Mais vale ir buscar o velhinho VHS.

Depois ainda fui dar uma olhadela nas séries televisivas, um abuso, um verdadeiro crime, não só pelo preço de muitas delas, mas por séries como Charmed estarem disponíveis para o público, que mau gosto, e um mau gosto caro, porque uma temporada dessa bela série custava 85€.

Ainda estou para entender porque é que os livros estão sujeitos a 5% de Iva e os dvds e discos estão sujeitos a 21%. Porque um livro sobre os signos é um símbolo cultural dos nossos tempos e um disco com música de Richard Wagner é tudo menos cultura? Um filme, mesmo que não seja cinema de autor, nem mesmo um documentário, um simples filme, não é um elemento cultural?
Então porque razão em Portugal os livros estão sujeitos a 5% de Iva, e os dvds e discos estão sujeitos a 21%? Na França e Espanha todos estes elementos estão sujeitos a uma taxa de Iva de 5%.

E nem é só por ai, é que o preço que a Fnac pratica por filmes e discos que tem em stock e não os consegue aviar, não é preço de amigo de certeza. Não estou a ver muita gente a comprar o Death Wish com o Charles Bronson ou o Out for Justice do Steven Seagal ao preço que lá praticam.


Resumindo, hoje em dia o entertenimento está caro, a cultura nem se fala.

4 comentários:

Anónimo disse...

Os meninos da FNAC, pelo menos em Portugal, (e então aqui na Madeira).... São:
- Uns Merdas
- Uns Ignorantes
- Ladrões
- Filhos da Puta
- Desclassificados
- Incompetentes
- Uns Irresponsáveis

...De cultura,...ética, responsabilidade,...nem ver… pois... um grande olho do Cu, a dar directamente para um abismo infinito de nada, e coisa nenhuma....
.... Como é possível....?

De onde se poderia esperar um gesto exemplo de inteligência, iniciativa, irreverência contra corrente, contra ignorância... Afinal, são afinal uns acéfalos de merda, uns snobes e uns ladrões...

Puta que os pariu....


Ganza dixit...

PS:
Ando farto destas merdas, e de tantas outras muito… muito piores, neste País................... De gente desqualificada, é o que é, é assim mesmo, acabou-se…
(Des) Construído a pulso por Ramalhos, Pintos Balsas, Srs. Silvas, dos Amarais, e outros Cara lhos, Feios e Maus, Autarcas de Sangue Laranja, mais os Imbecis, os Pantomineiros, os Idiotas, vindos da classe Média-Baixa instruída nas grandes escolas da burrice Europeia dos anos Oitenta, (íamos ser todos iguais uns aos outros – Ó-La-Ré) dos vermes parasitas do Cavaquismo, monstros gerados no ventre da grande Mãe da Ganância do Capitalismo, Provinciana e Espertalhona, e do Fantasma do Grande Pai nacionalista merdoso impotente e frustrado, e de todos os Boçais Racistas, e dos contentes que arranjaram um lugar no assento do egoísmo feroz, hordas de alienados absolutos, quinta essência da sem vergonha, despudorados comedores do esterco ideológico, que lhes dão com cerimónias de circo, gozo supremo de ser e ter consciência de ser pateta, e se não importarem já nada com isso…. E…
Nas minhas barbas, sim, nas minhas barbas, espezinhando o pouco que ainda resta da decência, do civismo, da compaixão… que faz de nós qualquer coisa a que já, algum dia, chamamos, de ser Humanos ….

É Zé, …o Estado da Nação…., ó Zé….

(esta merda está mal escrita, que foi escrita duma vez e, embora não parecendo, debaixo de um estado de espírito de total serenidade e sobriedade …. é como uma ameaça de paz, gozo de sangue e nervos e bem estar, paz absoluta, antes de entrar na arena, ou partir para a caça….)

Vosso Ganza

Luis disse...

Eu que o diga, por isso já desisti de procurar certas coisas na Fnac, embora reconheça que por lá me tenho aviado e bem. Mas, é um crime ver esse tipo de preços, por exemplo: o Seventh Seal do Ingmar Bergman esta a 20 e tal € na fnac, enquanto que na dvdgo em Espanha nos custa menos 10€ (com legendas em espanhol); e quem diz esse diz outros que só estão disponíveis em Packs de 30, 40 ou 50€, como o Knife in The Water do Polansky ou o After Hours do Scorcese. Mas nem só na Fnac se praticam exageros, o tal cinema Gourmet que falavas é uma excentricidade em Portugal: o Hard Boiled do John Woo e o Seven Samurai do Kurosawa rondam os 30€ nas lojas que os vendem (enquanto eu os compro a menos de 10€ no ebay). Os Livros até levam menos imposto, mas nem por isso são mais baratos (tirando as edições que acompanham os jornais e as de feira), ainda me lembro que paguei 18€ pelo To Kill A Mockingbird de Harper Lee e podia ter comprado a edição inglesa por menos de 10€. Visto isto até nem posso falar das lojas que andam nisto pelo negócio, o problema é das pessoas que preferem ler marias e TV Guias aos clássicos, que vêem e pagam 20 e tal € pelo mais recente filme do Harry Potter ou do Spiderman e se lixam para o cinema de qualidade. Cinema de autor em Portugal também leva na cabeça: temos o lobby francês em força e tudo o resto tem que já ter provas dadas, só para exemplificar, o Infernal Affairs só saiu cá depois do Departed ter tido o sucesso que teve e o Sommarlek ainda anda a reboque de um pack (provavelmente só depois do João Bernardo da Costa o ter referenciado no livro). E nem me façam falar na música...

Joana Baptista disse...

Eu desisti de comprar livros. Cd's então já nem me lembro do último! Posso gostar muito de ler e até de ver aquilo que tentei meter na cabeça numa prateleira bonita mas tenho mais amor ao meu dinheiro. o preço dos livros é simplesmente proibitivo!

Pedro disse...

Eu sempre que entro na Fnac ou na Bertrand, até mesmo na Worten, à procura de um livro, disco, ou dvd, tenho a sensação que os meus movimentos são acompanhados pela parte instrumental da música Big in Japan do Tom Waits. Isto devido à extrema confiança que vou ao encontro do que quero, chego lá encontro dou um sorriso, como se estivesse a dominar toda a situação e de repente saio de lá a ouvir a parte instrumental do Baby, I Love Your Way do Peter Frampton tal é a desilusão que é ver algo que gostávamos tanto de poder ter, ms devido aos preços abusivos praticados por aqueles que comercializam a cultura dentro de embalagens frias e metalizadas.
Por essas e por outras é que apetece arranjar um gira-discos e pegar nos discos de vinil dos nossos pais e avós. Ler os clássicos que têm nas estantes, em vez de andar a comprar livros editados pela centésima vez e que são um balurdio. Quero mais lojas com este tipo de artigo em segunda mão.