terça-feira, fevereiro 05, 2008

Boa, Boa, Boa é a Ivete Sangalo.

Quando era mais novo gostava da época carnavalesca, achava piada aos disfarces, achava engraçada a folia e a boa disposição. Hoje em dia não seria capaz de me mascarar, ou participar em qualquer coisa que envolva disfarces, apesar de achar que nada na vida deve ser limitado pela idade, acho que os disfarces de Carnaval funcionam um pouco como os do Hallowen nos países anglo-saxónicos, é coisa mais para a criançada se divertir.

Não tenho grande coisa contra os adultos que andam disfarçados na rua de gatinhos ou de pijama, homens vestidos de mulheres ou mesmo só de fraldas, e mulheres disfarçadas de galinhas ou apenas com um saco do lixo na cabeça. Realmente o que tenho contra isso é o facto de achar ridículo e não me apanharem a conviver socialmente com essas pessoas nessas situações, ou até mesmo ocasionalmente.

Gosto de ver a felicidade das pessoas, acho piada a uns desfiles ao estilo brasileiro, uma festa na rua com um sambinha ou música animada, muita festa e alegria, comida, bebida, sexo seguro com amor ou sem carinho. Como disse gosto, mas não vibro com esta época, porque acho que é uma coisa mais importante para a criançada.

Agora sinceramente discriminar uma pessoa honesta e integra como o Luís só porque não se quis disfarçar como um dos membros dos Village People? Achincalhar o rapaz e faze-lo pensar que era um ser humano com problemas de sociabilidade só porque não se quis disfarçar de gatinho ou de padre a usar fraldas, tenham vergonha seus bandalhos carnavalescos.

Eu sei o que o Luís sofre, eu venho de uma terra com um costume que nunca entendi, a existência de uma noite dos travestis. Nunca participei em tal costume, porque sinceramente não aprecio e acho relativamente estúpido e bastante violento. Acreditem. Eu já vi o meu irmão disfarçado de mulher e é algo que nos faz perder toda a fé em vir a ter sobrinhos que gostem de filmes do Tarantino, até porque a visão que tive do meu irmão naquele momento foi o Tootsie realizado pelo Tarantino sob o efeito de anfetaminas.

Acreditem que não é homofobia ou qualquer coisa do género, apenas aprecio o burlesco e o bizarro no mundo da arte, a partir do momento que o bizarro e o burlesco passa para a rua e para os bares onde descansado iria beber uma cerveja, deixo de achar piada. Homens vestidos de mulheres dá azo a que se arranjem desculpas para se apalparem e mostrarem afectos uns pelos outros, quiçá até se beijarem. Além de ser roto, é vergonhoso porque é feito sem sinceridade, sempre envolvido numa cápsula de desculpabilidade recheada pelo álcool e o facto de estarem vestidos de mulheres.

Seja como for as pessoas deveriam compreender que certas pessoas não são entusiasticamente admiradores do Carnaval, aliás até preferem nada ter com tal festa, e não é por isso que serão pessoas anti sociais ou com mania que são finos, adultos, ou diferentes.

Eu também gosto muito do Boxing Day celebrado no Reino Unido, principalmente porque existe futebol no dia 26 de Dezembro mesmo em cima do Natal, e ficar mais do que duas semanas sem poder ver um jogo de futebol é algo que me deixa com tremores. Apesar de ser grande adepto do Boxing Day não obrigo as pessoas a verem os jogos da Liga Inglesa comigo, nem os chamo de palonços se não se dignam a buscar uma cerveja e ver 20 minutos de futebol em plena quadra natalícia.

São gostos, feitios, preferências, e em nada uma questão de idades, atitudes ou classes sociais.
Não me ofereçam fatos do Noddy para vestir no Carnaval, porque o mais provável é que apenas o use para limpar os vómitos se voltar a ver algum membro masculino da família vestido de mulher. Atenção digo isto sem qualquer intenção homofóbica ou discriminatória, é apenas porque os homens da minha família são gente rude e que não dignificam em nada a beleza das mulheres na minha família, dai provocando o refluxo estomacal.

Capisce?

2 comentários:

Luis disse...

Partilho dessa opinião e digo: o Carnaval é um feriado para a festa e para a boa disposição, à custa de partidas, brincadeiras e das reacções das suas vítimas. Na minha infância brinquei assim e muito me diverti à conta de outros, não o faço agora porque reconheço que é injusto e pouco digno. Quanto aos que se vestem de travesti digo que não percebo, pois só encontro 2 motivos plausíveis para usar um disfarce tão (a)berrante: ou querem uma experiência diferente; ou querem fazer figura à frente dos amigos. A 2º mesmo assim é a que faz mais sentido, mas não me parece proporcional, o ridículo é parte da pessoa e do humor natural, basta mostrar naturalmente essa face e não atribuí-la a um disfarce ou a outra figura. No fundo parece-me uma festa de crianças que não entendem mais, a tradição veneziana tem muito mais classe.

José Tiago Piçarra disse...

Para mim, a parte mais carnavalesca do fim-de-semana foi ver muitas crianças vestidas como os seus heróis favoritos, bebés vestidos de peluche e muita ternura da parte dos seus pais, que os levaram a passear, a entrar por um dia no faz-de-conta e a mostrarem os seus fatos. De resto, também não me mascaro, a menos que tenha um motivo muito válido para o fazer. A patroa já me desafiou para encontrarmos um disfarce icónico para o ano que vem. Eu dei a ideia de sermos Wilma e Fred Flintstone. Até nem acho descabido...