segunda-feira, dezembro 03, 2007

O vazio da ansiedade.

Acho que sempre tive problemas de ansiedade. Pelo menos desde os 12 anos de idade, altura em que comecei a entender o que era a ansiedade, como funcionava, e que sentimento e sintomas eram aqueles.

Mais do que um sentimento, a ansiedade é um estado físico/psicológico, e muito raramente com algum contorno benéfico. Pelo menos tenho a ideia que toda a ansiedade é má, é dispensável, e no entanto constante nos dias de hoje, aliada ao stress, à necessidade de resultados e satisfações pessoais, assim como sociais.

Voltando aos 12 anos, e às primeiras vezes que senti o que era a ansiedade, lembro-me que por essa altura, o expoente máximo da ansiedade era quase sempre relacionada com a vinda dos meus irmãos a casa enquanto estudavam na faculdade. Depois de meses sem os ver, saber que chegavam naquele dia, a que horas, será que os ia buscar ao aeroporto? E quando haviam atrasos dos aviões ficava sempre chateado por estarem a adiar um momento que para mim era importante, principalmente na época natalícia.

Hoje em dia experimento o outro lado, fico ansioso por voltar a casa, poder estar com a minha família, e que saudades de viver o Natal com a casa cheia de gente.

Apesar de ser uma pessoa relativamente solitária, não no sentido em que se presume que tenha ocorrido um fracasso a nível social, sou uma pessoa que passa muito tempo sozinha apenas por feitio próprio, desde criança tenho os meus momentos de imaginação e criação numa constante necessidade de viver esses momentos, sou completamente dependente da minha família e amigos.

Este ano talvez mais que os anos passados, também por ter menos tempo com os amigos, sinto uma grande ansiedade de ir a casa e desfrutar do Natal em família, de encontrar um sítio onde esteja confortável, onde me sinta mais completo.

Tenho muitas saudades dos meus amigos, do convívio mais permanente e constante, eram eles que me faziam ganhar o dia. Hoje em dia andamos todos mais ocupados, mais distantes, talvez por isso esta vontade tão grande de voltar a casa para a família.

Gosto deste sentimento, de quem volta a viver o Natal como uma criança. A ansiedade aperta, desta vez não pelas prendas, mas pelos convívios na cozinha enquanto a mãe cozinha, pelas brincadeiras com os sobrinhos, pelas palhaçadas e risos que se trocam constantemente dentro daquela casa, pelo carinho e afecto que se sente a toda a hora. É saber que existe uma atenção constante entre as pessoas, uma preocupação latente com a felicidade e bem estar de todos.

O meu irmão põem música a tocar, o meu irmão mais velho e a minha irmã ajudam na cozinha, o meu pai trata de requintar a mesa e servir aperitivos a toda a gente, a minha avó e irmã mais nova olham pelos meus sobrinhos, é um pouco de tudo isso. Uma película cinematográfica repetida todos os anos, um ano com mais protagonistas, outro com menos, mas sempre aquela eterna magia, a magia daqueles sorrisos, dos pequenos gestos, a felicidade de nos completarmos todos uns aos outros.

A parte má de tudo isto é a ansiedade, é o tempo que passa devagar, é o tempo que me afasta de toda esta felicidade. É o facto de ficar triste com a espera, ser consumido pelo tempo e de logo cuspido para a realidade, para as tarefas rotineiras, para os dias sem sentido.

6 comentários:

Miki disse...

tu é que te cortas smp aos almoços :p! e se quiseres posso ir jantar a tua casa...desde que me faças um petisquinho!! já sabes que se quiseres combinar qq coisa é na boa...só n posso enquanto tou a trablhar como é óbvio, mas de resto...

Pedro disse...

Só me corto aos almoços quando não posso mesmo.
Quanto ao vires cá a casa jantar, é só avisar com antecedência para poder recriar a melhor cuisine para um gourmet javardolas (no bom sentido, no sentido que alarvas tudo o que se te meta num prato).
Por acaso Miguel, és dos amigos que menos tenho saudades, visto que estou contigo todas as semanas mais do que uma vez. Também é sdos únicos que se calhar tens paciência para aturar aqui o sacana mal formado.
E faço também excepção honrosa ao Luís, e às longas conversas pós expediente, plantados no metro.
De resto, por mea culpa, ou também por culpa de todos os outros, não tenho, com muita pena minha, tido muito contacto.
Ando a dever um almoço à Kate, que espero em breve concretizar, assim como um almoço já meio combinado com a Vera, e uma almoço-promessa do Zica.
Para não pensarem que me esqueci dos meninos, todos os fins de semana estou com o Nélio e com a Vanessa na pós-graduação.
Faltam muitos outros que é virtualmente impossível encontrar, e alguns que se encontram M.I.A.
Triste vida a minha, fico eu com a minha literatura.

Joana Baptista disse...

Alguns que se encontram na M.I.A.? Onde é isso? Também tens que me prometer que vens almoçar um dia comigo. Estou só a duas estações de metro!
E quanto ao Natal...espero ansiosamente que o tempo passe depressa para estares com os teus e que passe devagar enquanto lá estiveres!

Pedro disse...

Nada me honraria mais que poder almoçar com a Sra. Doutora Joana Baptista. Temos de combinar esse almoço, e só dizer onde e quando.
M.I.A significa missing in action, uma sigla usada pelos soldados norte-americanos para referirem-se aos solados desaparecidos em combate.
Fico a aguardar com agrado o nosso almoço. beijinhos

CresceNet disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Joana Baptista disse...

Ah! Muito agradecida pela explicação!
Quanto ao almoço é só dizeres quando te dá jeito saíres no metro do campo pequeno...eu tenho que almoçar todos os dias na mesma! ;)