Não sou mais velho nem mais lúcido que tu, e podia procurar uma dezena de maneiras para começar a tentar explicar-te o teu último post.
Podia falar do condicionalismo natural do ser humano, podia delinear teses atrás de teses sobre o estatuto lógico do ser pensante.
Como te disse na hora, não fiquei surpreendido, fiquei revoltado tal como muita gente, mas nada surpreendido, nem pela situação ou tão pouco pelas pessoas em causa.
Apesar de não ser algo que me choque no sentido de “não estar à espera”, choca-me o comportamento altamente reprovável entre dois membros de uma mesma espécie, embora de classes muito distintas.
Por esse motivo, não te posso dar uma resposta exacta, quanto muito partilho aqui contigo uma tese evolutiva do carácter humano e do seu modus operandi mais banalizado.
Tal como no reino animal, em que todos os seres desse reino são subdivididos em várias classes (subreinos), nos humanos também encontramos pessoas de classes diferentes.
É lógico que todos os objectos animados ou inanimados são diferentes neste mundo, podemos adoptar a ideia que nada neste mundo é igual, tudo tem a sua pequena cortina da diferença moldada pelo tempo e espaço, dai optar-mos pela ideia que existem coisas idênticas, tal como animais, plantas, e uma data de outras coisas, e depois temos o lado do mundo humano em que as coisas que ai se movem, logicamente os próprios seres humanos, serão então considerados semelhantes.
Exemplo académico, podes olhar para duas ovelhas, ou para duas pedras, ou para duas plantas, e num primeiro relance achar que é árduo proceder à distinção, porque são coisas idênticas. Agora se fores comparar seres humanos, podes mais facilmente apreender que existem algumas diferenças, mesmo sem apelar à existência da personalidade que é condição exclusiva do ser humano, mas através de uma identidade física, materialmente concreta, que nos torna todos diferentes.
Voltando de novo às classes no seio do ser humano, podemos tomar por certo que apesar de sermos todos diferentes, muitos de nós temos certas semelhanças, seja de comportamento, físicas, psicológicas, etc.
Podemos ter várias percepções de classes, mas a que me incumbe agora explanar é tomando como base o estado psicológico humano, através da análise do carácter e do comportamento dentro e fora do contexto socializante.
Então a moldes do carácter e do comportamento psicológico humano, temos vários tipos de classes. A quantidade de classes existentes é algo indeterminado quando levado a um extremo individualizador, logo simplesmente dividia o ser humano a este nível em quatro grandes classes do estado psicológico e carácter humano, o formado, o conformado, o inconformado e o tijolo.
Os seres que pertencem à classe dos formados, são seres que desde cedo lançaram fundações de modo a formar uma base sólida para o seu crescimento e amadurecimento enquanto humanos sociabilizáveis, e normalmente atingem o seu auge mais cedo que todos os outros, são pessoas decididas, esclarecidas, e com obra feita em pouco tempo de vida, sem nunca perder a ânsia por atingir picos mais altos. É de referir que é uma classe muito rara, mais comum em outros tempos, que nos dias de hoje.
Temos depois a classe dos conformados, são basicamente aqueles que conformam-se com o facto de serem quem são, e aceitam a vida como ela, não quer dizer que não tenham ambição, apenas vivem sem a preocupação de saberem a que tempo e em que espaço evoluem, fazem sempre pelo melhor, sem nunca perder a realidade da vida, e aos poucos vão atingindo grandes níveis de carácter e maturidade degrau a degrau ao longo da vida, apenas conformando-se que não querem ser os melhores, apenas querem fazer melhor de dia para dia.
Depois temos os inconformados, tentam sempre mais do que se lhes apresenta perante a vida, tornam a ambição numa faca de dois gumes, querem sempre mais, sem ser de modo razoável, tendem a imitar e a escalar perante a vida sem olhar onde se apoiam, sentem a ansiedade por ser sempre mais e melhor, sendo que por algumas vezes, embora raras, conseguem atingir um bom nível de sucesso, na maioria das vezes tendem a descobrir através de vários tombos a realidade da vida e as suas condicionantes predestinadas.
Por fim temos a classe do tijolo, todos conhecemos um membro desta classe ao longo da vida. Quando falo nos membros da classe tijolo faço menção a um tipo de ser humano que saltou por completo algumas fases da sua ontogenia ao nível psicológico.
Aos membros desta classe podemos adjectivar que são feios, porcos, e maus na sua formação do carácter, são a classe inferior, pessoas incapazes de conceber uma existência axiológica.
Nesta ultima classe podemos incluir os dois tijolos que tiveram o brilharete na aula de Processo Penal, duas pessoas para quem não existe um mínimo de respeito ético, pisando claramente toda a estética normal de um comportamento socialmente aceitável de cariz mínimo.
No fim de tudo, não és obrigado a ser adulto à força, podes aceitar a vida como ela é, tens sempre opções e decisões a tomar, e para isso não necessitas de ser adulto, o facto de seres adulto nada tem a ver com a tua capacidade para tomares decisões, escolheres os teus caminhos ao longo da vida, fazes tu desde que nasceste, é o sentido minimalista da existência.
Neste caso em que se tratam de dois tijolos, tens sempre várias opções, ou passas por eles e nem te importas, porque só faz sentido dar valor a um tijolo se quiseres construir algo dali, ou então vais emparedar dando-lhes valor de forma a construir uma existência mais significativa do que tem um simples tijolo.
Como é óbvio depois as opções não se ficam por ai, com a obra feita, ou deitas abaixo, ou deixas ficar, penduras-lhes coisas, etc.
Quanto a mim muito sinceramente, usava os dois tijolos numa balança de modo a pesar-lhes a consciência e o sentido ético mais simplista.
1 comentário:
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