terça-feira, janeiro 30, 2007

A minha opinião quanto à despenalização da interrupção voluntária da gravidez.

Eu tentei, e juro que ainda tento, não dar a minha opinião sobre a despenalização do aborto.
Primeiro porque neste país o que menos se faz é respeitar opiniões.
Quando me é colocada a pergunta se sou pelo Sim ou pelo Não, eu vejo-me forçado a perguntar, Sim ou Não o quê?
São usados vários argumentos e feitas várias perguntas incoerentes, se sou pelo Sim ou pelo Não da vida? Do aborto? Da interrupção voluntária da gravidez?
Afinal o que é que se pretende discutir?
Eu ouvi falar em despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas. Penso eu que é disso que se pretende falar.
Estava a visionar o debate na RTP1 onde certas opiniões causaram-me arrepios na espinha. Primeiro o que eu aqui escrevo não vai influenciar qualquer voto, até porque maioria das pessoas que lê o que escrevo não liga ao que digo, agora o que aquelas pessoas dizem na televisão para um grande número de pessoas, representando um grupo de opinião, devem ter cuidado nas opiniões que dão para não levar as pessoas ao erro.
Quando se diz que nesta questão não se debate uma questão de direito penal é dar um chuto no ceguinho e chamar as pessoas de parvas. É óbvio que neste assunto se trata de uma questão de direito, de leis, da sua alteração. A ética e a moral da alteração é outro assunto, é um assunto que pende de uma tomada de decisão, agora dizer que esta não é uma questão de direito, e antes sim uma questão de moral, é dar um murro no estômago da sociedade e chutar para canto a verdadeira questão.
Segunda observação a outra intervenção do Não, quando o Fernando Santos dá a cara por um movimento, sendo uma figura pública e dando o seu “endosso”a um dos movimentos, tem de, quando fala, ter muito cuidado com a opinião que dá.
Ninguém pode dizer que apoia um movimento e falar apenas em seu nome, e quando alguém num assunto sério diz que é contra a actual lei, achando que em caso de violação ou má formação do feto não deve ser permitido a IVG, dizendo que é um movimento pela vida, vem atropelar completamente tudo o que há de puro e carente de protecção na vida humana, a decência em vida humana.
Fazer da discussão de um assunto sério um concurso de bater palmas e entoar palavras de ordem como verdade, é fazer um escarcéu do assunto como diria o José Tiago.
Dizer do lado do Sim que votar sim nesta questão da forma como está colocada não é criar uma espécie nublada de desresponsabilização acaba por ser como areia atirada aos olhos. Porque falar em livre arbítrio não é sinónimo da melhor escolha para a pessoa, quantas vezes o livre arbítrio não nos leva a tomar decisões erradas, logo o votar Sim não pode simplesmente ser uma questão de liberdade de escolha, tem de ser antes votar na liberalização de uma opção que jamais deve ser algo que não subsidiária.
A IVG não pode ser vista como “a” opção, terminar uma vida em formação não pode ser a priori a solução imediata.
Se alguém perguntar-me qual a minha posição, direi que sou pelo Sim com reservas.
Sou pelo sim porque das duas soluções apresentadas acaba por ser a melhor em cima da mesa, mas não a melhor que poderia ser criada.
Antes de propor uma alteração da lei como esta que está em causa, deviam ser analisados e alterados muitos outros pontos.
Entre esses pontos poderíamos falar da desburocratização do processo de adopção, seria um bom passo para permitir que as crianças que não podem ter condições de vida aceitáveis pudessem de todo o modo vir a este mundo e ser acolhidas por quem pudesse-lhes providenciar as condições minimamente aceitáveis.
É preciso elaborar um plano com estimativas de intenções para a natalidade do país, porque Portugal está a envelhecer, e é preciso estimular a natalidade criando condições para tal, como medidas que estão a ser tomadas por toda a Europa, promovendo a natalidade dando condições para o nascimento de novas vidas, poderia minimizar os casos passíveis de aborto.
Se deve haver apoio do estado para que haja uma interrupção voluntária da gravidez feita em condições humanas, com segurança e cuidados devidos, também deveria haver apoio do estado para que se efectuem o nascimento e desenvolvimento das crianças de modo aceitável e condigno, infelizmente no mundo nem todos podemos ser iguais ou ter as mesmas oportunidades, mas devemos tentar obter que essas igualdades de oportunidade sejam criadas, mas a falta delas também não pode plenamente justificar ou motivar a que se faça um aborto.
Porque se em quase toda a Europa, e na maioria dos países desenvolvidos este tipo de lei já foi aprovada, não podemos ambicionar o desenvolvimento e querer acompanhar os outros a par e passo se não fizermos todas as alterações necessárias para tal, se criamos a pretensão de atingir níveis elevados de desenvolvimento social e económico, não podemos implementar e copiar apenas determinadas políticas e ideias, temos de tentar acompanhar uma ideia generalizada sobre o que faz mais sentido e o que acaba por ser considerado melhor para todos.
Ser pelo Sim ou pelo Não, nunca pode ser visto como uma questão de apoiar ou não a vida, em todo o caso quer de um lado ou de outro existe uma defesa pela vida, ou pelo lado da mãe que ao fazer um aborto sem condições arrisca a sua vida, ou pelo lado da vida que se vai criando que tem o seu direito a desenvolver e ter um lugar no mundo, nunca se deve usar o argumento que mais vale salvar uma vida do que perder duas, qualquer perda de vida é lamentável, e entre escolher a perda de uma vida ou de duas, prefiro escolher a perda de nenhuma criando-se opções para tal.
Temos de ver que nenhuma mulher vai efectuar um aborto sem motivação para tal, não é propriamente uma solução tomada de animo leve e sem risco, se a mulher que aborta o decide fazer é porque não lhe é apresentada de maneira concreta nenhuma outra solução, ou porque não as há, ou porque havendo não são apresentadas do modo que deveriam ser.
Resumindo, a lei actual está como está e está bem. Deve ser alterada? Sim deve ser alterada. De imediato? Não, acho que devem ser tomadas outras decisões e opções antes disso, devem ser criados outros caminhos, antes ou ao mesmo tempo que este.
A interrupção voluntária da gravidez não pode ser a opção primária, não é uma questão de liberdade de escolha, é uma questão de liberdade consciente de escolha, com pesos e medidas, e tem de ficar ciente que o aborto não deve ser levado como primeira opção, mas sim uma opção liberalizada como subsidiária, como último recurso em certos casos. Porque neste caso nem tudo pode ser demasiado generalizado e abrangente, existem casos específicos como hoje se pode prever na lei actual, e deve-se manter um pouco dessa especificidade de modo a não desresponsabilizar totalmente uma decisão que deve ser ponderada para além do sacrifício que é para uma mãe terminar os laços afectivos que se criam a uma vida desde cedo na sua gestação.
Devem ser bem pesados todos os argumentos contra e a favor, porque muitos deles são válidos em consonância, temos de respeitar que existem pontos de vista lógicos e racionais de ambos os lados da barricada, mas no fim temos de optar pela melhor solução das que se apresentam, a isso infelizmente nos obrigam.

22 comentários:

ana disse...

Eu sinceramente apetece dar chapadas a quem vem com conversas de salvar vidas... ate aos 3 meses um feto não é ninguém.
Ah mas a gente gosta de se afirmar defensores da vida e tal, mas somos estúpidos, não entendemos o que estamos aqui a fazer, ah mas queremos que se lute pela vida!
Cambada de atrasados mentais, sempre se fizeram abortos e sempre se irão fazer, quer queiram quer não seus estúpidos... a despenalização só evitaria casos de mulheres q ficam doentes, ou que morrem, ou que gastam 400euros para ir a espanha fazer um aborto decente.
Tanta anormalidade na cabeça destes gajos....
deviam ir os políticos todos à vida e meter artistas no governo.

Perverso disse...

Eu sou contra o referendo ao aborto, julgo que deveria ser votado pelos politicos pois é para isso que eles lá estão, Poderão dizer, ah e tal mas nesse caso o sim ganha, pois mas julgo que nessa questão os partidos não deveriam emitir uma opinião, e que os deputados faziam a eleição indepedentemente da cor politica...

Ah e já repararam a quantidade de dinheiro investido nesta campanha para o aborto? era dinheiro suficiente para pagar os abortos nos hospitais publicos durante alguns 100 anos!

Só mais uma coisa...

Se todos defendem que as pessoas devem ter uma segunda opurtunidade porque não pode ter uma segunda opurtunidade quem engravidou e errou???

José Tiago Piçarra disse...

"Até aos 3 meses um feto não é ninguém", pego nestas palavras da Ana e pergunto-lhe sobre elas apenas o seguinte: é igual para uma mulher ter ou não no seu ventre um feto? É alguma "coisa" de desprezível e dispensável na óptica de uma mulher?

A despenalização, ao contrário do que se disse, em última análise não ia evitar doenças, clínicas privadas e derradeiramente mortes, porque se tudo isto for adiante, não esqueçamos que estamos a falar do SNS. Filas de espera intermináveis? Pois. Listas de espera para abortos? Também. E depois das dez semanas? Fim do prazo. Em termos práticos podemos dizer que uma mulher, em caso de dúvida, demora no mínimo uma semana para saber se engravidou, no máximo demora quatro ou mesmo cinco ("deixa andar, descansa que é só um atraso"). E depois disso? Marcar consultas, esperar pelas ditas consultas, o médico pode, o outro médico não pode, tem que ir não-sei-onde fazer isso, mas olhe o prazo!...

Talvez um dia escreva aqui o que penso sobre toda esta questão.

ana disse...

Realmente muitas vezes que discuto este assunto com alguém chego á mesma conclusão, nao vale a pena..

perverso, os políticos tambem lá estão para muita coisa e isso não significa que façam alguma coisa de jeito. primeiro, acho que devíamos valorizar as nossas opiniões e não baixar os braços para que uns estupores possam fazer a merda á vontade...

josé tiago piçarra, se eu disse que não é ninguém, foi uma expressão para não ter que dizer que a alma encarna aos 3 meses, e pode sempre desistir a qualquer momento de descer já; não me agrada usar este tipo de linguagem com desconhecidos mas aí tens a resposta. é CLARO que não é igual ter ou nao ter na barriga uma semente, mas na realidade não estás a matar coisa nenhuma caso seja preferível para ti abortar, só estás a fazer o que tem de ser, por algum motivo que não nos compete agora compreender.
Se não conheces ninguém que já tenha morrido a fazer abortos clandestinos com comprimidos marados, ou perdido a oportunidade de voltar a ter um filho, sorte a tua.
As filas de espera são responsabilidade de quem está a frente desse assunto; porque é que em Espanha chegas e fazes um aborto no mesmo dia?
Mas sim, vamos entregar até a nossa alma aos políticos!
Porque nao?!?

Sophia disse...

Eu vou votar Sim no Referendo. Sei perfeitamente o que significa a escolha e o quão difícil é tomá-la.

Adoro a minha menina, mas ainda hoje me pergunto se realmente foi ou não a melhor opção. Se não fosse o apoio dos meus pais eu nunca teria tido condições para a ter, nunca mesmo.

Ter um bebé envolve gastos enormes em médicos, leite, medicamentos, fraldas, toalhistas e afins e o Estado não apoia as famílias. Só para dar um exemplo, dois jovens que estejam a estudar não têm direito a abono de família nem a qualquer subsídio de apoio à criança.

Quando o Estado criar soluções e apoios para as famílias com menos posses, talvez aí possam pensar na dignidade da vida humana, talvez quando os processos de adopção forem mais céleres, talvez aí se possa pensar nas taxas de natalidade. Até lá, o aborto tem que ser uma opção viável para inúmeras mulheres.

Pedro disse...

Umas chamadinhas de atenção.
Em primeiro lugar um feto não pode ser equiparado a coisa nenhuma, um feto é uma vida em formação, não é sim uma pessoa formada com personalidade jurídica, não é um bébé ou uma criança, senão falavamos de infanticidio em vez de aborto, mas alguma coisa é, e fazer um aborto não é tão simples como defecar, quer a nível físico e moral.
Segundo quanto ao senhor Tiago, não vale ridicularizar o SNS ou a maneira como uma mulher descobre que está grávida, como tudo essa questão será precavida, e podes fazer o aborto em privados com o apoio financeiro do estado, é isso que se pretende.
Se estás preocupado com as 10 semanas dá-lhe 12 na lei, agora converte as 10 semanas e ficas a saber que é mais de dois meses, e em metade do tempo no máximo sabe uma mulher que está grávida. Depois também não podes esperar que exista um "boom" de IVG, entre ficar quieto e não arranjar solução alguma, mais vale arranjar uma solução de remendo, embora fosse mais do meu agrado uma data de soluções concretas e bem definidas.

Ganza disse...

Baái estudar rapaz...pôrra carago...quaté se me esganou a febra na graganta e espirrou o binho ... a perder o tempo nestas babozeiradas e amestragar a noite cuestas merdas de padres e coisa do caneco ... que não tem estória ... ora bejamos:
1º. ...é um embrião, que óem antes nem se fala. não é nada pessoa ... e o´despois...
2º. ...é um feto que também não é um bébé ainda nem pouco mais ou menos ... e ó...
3º. ... um bébé´´´´ hun...um b´bé... hipsººº*... um bebéi...hum...só quando já está cá fora e'indassim carece de muita esplicação tropológia e filósófia e coiso ...
...depois falo mais nisso ó quê???
...e o Dr. jõao Paulo é o fl. de pt. mais burro,,, tavam, à espera de quê....?????? BURGUÊZES!!!!!! ..... REACSSIONÁRIOS!!!!!!!!

Ganza disse...

Hups...
Sorry ...
este é um belogue desss..cente...
Sorry,
Sorr,
Sor,
So,
S,
,

= =
* *
0

Pedro disse...

Lol... e ainda perguntam-me a quem é que saio...

Ganza disse...

já 'gora, em se tratando do sofrer ... (de fernando pessoa):

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas de lado a lado -
Jáz morto e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
"O menino da sua mãe".

Caía-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira alada
Ponta a roçar o solo
A brancura embainhada
De um lenço ...Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
"Que volte cedo e bem!"
(Malhas que o Império tece!)
Jáz morto e apodrece

O menino de sua mãe.

...pois agora é mesmo adeus, até manhã....

José Tiago Piçarra disse...

Agora eu.

Falei do SNS porque acho que a questão está a ser sobrevalorizada (ou seja, a ser encarada como tábua de salvação para os mais liberais) e, a meu ver, o voto no "Sim" vai colocar ainda mais no prelo o facto de o SNS não ser competente. Pelo analisar dos argumentos dos apoiantes do "Sim" parece que vai ser tudo simples, que vai ser fácil abortar do posto de vista logístico. Não vai. De modo algum. A barreira penal que se pode remover neste momento em nada vai adiantar em termos práticos. Talvez limpe algumas consciências mais fracas, mas nada mais do que isso a meu ver.

Pedro, tudo quanto disseste está certo, mas não parece que exista essa consciência colectiva. A solução é efectivamente de remendo, e falei do prazo de 10 semanas como podia ter falado de outro aspecto prático qualquer, está tudo mal explicado, vamos responder todos a uma pergunta sem saber como é que a história acaba. Os factos falarão por si, e isto talvez seja futurologia, mas a verdade é que entre a descoberta da gravidez, ponderação e decisão da mulher e consequente exclusão do direito de decisão do pai ou concordância do mesmo (outra coisa de que vejo pouca gente a falar), e andamento do processo no SNS podemos se calhar perceber que tudo isto vem complicar uma questão já extremamente delicada. Seja pelas 10 semanas, seja por um processo judicial interposto por um futuro pai contra a futura mãe que quer abortar. Não me vou espantar quando surgir uma providência cautelar nesse sentido, por exemplo. E este cenário é verosímil? Claro que sim, ninguém nos garante que não.

A verdade é esta: estamos todos a perder tempo com isto, mesmo nós que simplesmente comentamos. No fim talvez não tenha valido de nada.

Quanto a questões metafísicas, por acaso até já li que a alma entra no corpo no momento do nascimento (fonte incerta), podendo mudar de ideias até esse momento - o que explica os nados-mortos - mas não é discussão que aqui caiba.

E desculpem, mas um feto tanto pode ser ninguém como pode ser o projecto mais bonito de uma vida de um casal. Numa gravidez desejada a malformação do feto e consequente aborto espontâneo antes dos três meses tem um impacto bastante grande num casal. Não deixem de ter isso em conta, por favor, porque se formos por aí estamos a ser extremistas. E no campo do extremismo, "Sim porque sim" e "Não porque não", que é mais coisa menos coisa o que tem acontecido até aqui em todas as conversas de café deste Portugal.

Perverso disse...

Pois Ana, mas o facto de eles andarem para lá a coçar o tomate e a discutir que a cor do partido deles é mais bonita da que o adversário não lhes dá direito a não fazer rigorosamente nada! acho completamente descabido deixar andar e não impor-lhes algo para fazer! E se o actual governo tem decidido que em vez de fazer um referendo se faria uma votação parlamentar, o assunto ja estava realizado, não se tinha ganho tantas dores de cabeça, e os tonhos do não já tinham voltado para a sua vida de puritanos a que se querem enclausurar

Pedro disse...

José Tiago meu filho, ninguém disse que fazer um aborto é simples ou fácil, apenas é uma realidade pela qual passam muitas mulheres. O que está em causa é, deve uma mulher ser penalizada legalmente por fazer um aborto que na sua consciência era o mais acertado, a melhor opção, ou talvez a única? Já não basta a penalidade psicológica, física e moral que paga, já não chega a punição social de o ter de fazer ilegalmente? De ser diminuida e julgada pela sociedade por ter feito um aborto? Existe realmente alguma necessidade de penalizar esta mulher legalmente através do Código Penal?
É óbvio que é um projecto lindo de um casal, e se for uma mãe solteira sem forma de dar vida condigna à criança neste mundo.
Mudar vale sempre a pena, e não é perca de tempo em lado algum, a inércia é que queima tempo e nada se passa.
Chega de pensar que Portugal é um país de ignorantes, que não existe consciência colectiva ou bom senso, chega de julgar as mentalidades portuguesas pelas escolhas de uns mais infelizes que outros. O que eu disse é que preferia a cura completa ao simples penso ou ligadura, mas é preferivel essa solução do que deixar que a questão esvair-se em sangue.
A concordância do pai? O pai se tem algo que concordar é porque está junto da mãe e logo ai tende a resolver o assunto rápido. Se estás a falar de pai ausente que abandonou a mãe na sua gravidez, ai o pai não tem voto na matéria, infelizmente é assim que corre a vida e não podemos ser objectores de consciência.
O andamento do processo no SNS? Vamos falar a sério, o SNS pode não ser o melhor, mas é melhor que as soluções que existem hoje em dia em muito lado, é melhor que muitos sistemas de saúde por essa Europa fora, é preciso ter fé e fazer para que essa se concretize, os cepticos não fazem a mudança.
Concordo com a parte de se envolverem os políticos e apenas esses, todos estes movimentos pró e contra a interrupção voluntária da gravidez, apenas pretendem induzir as pessoas em erros e argumentos falaciosos, não me lembro de mais nenhum referendo com movimentos pró ou contra além dos partidos políticos, e ver as pessoas a cantar alegres que nem no festival da canção contra o aborto é nojento, é uma questão séria que não se prende apenas com fotografias de bébés, é uma questão de penalizar fortemente mulheres que não teem solução.

José Tiago Piçarra disse...

Pedro:

Falaste de não se cair no facilitismo, mas a tua conclusão vai precisamente nesse sentido: uma mulher grávida se pensar em IVG como a solução para a sua gravidez está a enveredar pelo facilitismo, e quanto a todas as mulheres que não têm solução, quem é que pode dizer se têm ou não? Levar a gravidez até ao fim e dar a criança para adopção, por exemplo, não é uma atitude possível? É uma solução, claro que exceptuando os casos em que a gravidez não pode decorrer de forma saudável para a mãe e para o bebé.

Ou implantar o embrião no útero de outra mulher que queira ser mãe? Também sabemos que é possível, existem "barrigas de aluguer" e existem fertilizações feitas em ventres que não o da dadora ovular. Também aqui há, claro, uma série de condicionantes.

É a tal coisa, há soluções.

O meu principal medo é que não se pense nelas na hora H. A IVG é mais rápida e porventura menos dispendiosa. E na maioria dos casos talvez seja mesmo a solução mais fácil.

Encerro a minha parte desta discussão com o meu único desejo, independentemente do que aconteça no futuro: espero que a IVG jamais seja encarada por uma contracepção a posteriori. E fundamento este meu medo com a ânsia que parece haver na remoção da barreira penal.

Pedro disse...

Bem das duas uma, ou não queres entender, ou não leste o post e só andas a ver os comentários.
Primeiro não falei em facilitismos, nem entendo qual a parte fácil em todo o processo do assunto.
Segundo o que eu digo é que para as mulheres que fazem um aborto, grande maioria das vezes aquela é a única solução. Eu no post escrevi que devia ser desburocratizado o processo de adopção como forma alternativa à IVG, porque adoptar em Portugal é algo de utópico.
Depois meu rapaz tens de pensar que fazer um aborto não é como comer gelados na praia, não tem nada de bom, é doloroso, é nefasto psicológicamente mesmo monetáriamente, nunca chega a ser lucrativo fazer um aborto.
Se te queixas do SNS, imagina o que é em cada caso fazer implantes de embriões, até porque nem sei se é possível implantar no útero de uma mulher um feto com 2 ou 3 semanas.
Se tiveres a falar da concepção in vitro só a fará quem quer ter filhos, não é possível uma grávida transferir o feto para outra barriga. Muito menos para uma barriga de aluguer, isso é solução para uma mãe que não pode sustentar o filho? Pagar uma barriga de aluguer? Esse exemplo não faz sentido como solução.
Pode de facto haver soluções não digo que não, agora que essas soluções não são apresentadas à maioria das mulheres que fazem um aborto não é de certeza.
Por isso não podemos andar com argumentos falaciosos, temos de olhar para a realidade, ninguem faz um aborto porque é porreiro ou catita, sai sempre a perder, é um processo que só tem custos.
O que eu defendo é que se criem melhores soluções do que o aborto, que as tornem disponiveis para a maioria das pessoas, e que as implementem como solução principal, deixando a IVG como solução subsidiária.
Agora é preciso haver uma solução segura e minimamente aceitável para a mulher.
Temos de fazer duas perguntas fundamentais, é preferivel um aborto seguro e com dignidade ou um aborto com maiores riscos?
Deve uma mulher ser penalizada legalmente por recorrer à "única" solução que lhe é concretamente apresentada quer pelo estado quer por outras entidades?

José Tiago Piçarra disse...

Última das últimas:

Falei da questão da barriga de aluguer para elucidar que, se é possível uma mulher levar a cabo uma gravidez de outrém, também é possível que uma mulher que não queira estar grávida passe a sua gravidez para outrém. Não se trata de fecundação. O processo é o mesmo, as intenções é que diferem, era preciso teres lido com atenção.

Não usei nenhum argumento falacioso, também. Chamar a soluções médicas alternativas à IVG falaciosas é o mesmo que chamar à desburocratização do processo de adopção uma falácia. É um trabalho complicado e moroso, mas deve ser feito. Deve ser facilitada a adopção, e também devem ser postos à disposição da mulher mecanismos céleres médicos que não tenham que ser o aborto. A bem da escolha! Afinal é disso que se trata.

Das perguntas fundamentais que fazes...

"... é preferivel um aborto seguro e com dignidade ou um aborto com maiores riscos?
Deve uma mulher ser penalizada legalmente por recorrer à "única" solução que lhe é concretamente apresentada quer pelo estado quer por outras entidades?"

...Respondo que é preferível um aborto seguro e com dignidade do que um aborto com maiores riscos, claro. Abrindo o leque de opções, diria que é preferível mesmo não haver aborto, mas respondi à tua pergunta.

...E respondo que essa solução nunca é apresentada por ninguém, ninguém obriga ninguém a abortar, é pura e simplesmente uma escolha, não é isso que dizem os argumentos pró-IVG?

No fim de contas estamos os dois no mesmo pé: a IVG nunca pode ser solução primária.

Chega disto. Adiante.

Pedro disse...

Ó meu bom e velho Zica, tou farto de te chamar de José Tiago, ouve lá eu até li com atenção e desta vez até pego nas palavras do menino: "se é possível uma mulher levar a cabo uma gravidez de outrém, também é possível que uma mulher que não queira estar grávida passe a sua gravidez para outrém"
Primeiro ponto, é verdade que é possível uma mulher leve a cabo uma gravidez para dar à luz um filho de outra pessoa em termos legais.(chamada barriga de aluguer)
Segundo ponto é impossível uma mulher transferir uma gravidez para outra mulher, cientificamente impossível, não podes transferir um feto ou um embrião em formação para o útero de outra mulher, o possível é fecundar um óvulo e transferi-lo para o utero de outra mulher, mas ainda não estás em processo de gravidez, estás na finalização da fecundação. Por isso uma mulher grávida não pode transferir a sua gravidez para outra mulher. Entendido? Uma coisa é gravidez real, outra é a intencional, ai sim uma mãe pode querer engravidar e transferir um seu óvulo juntamento com um espermatozoide do seu companheiro de forma a finalizar o processo de fecundação dentro do útero de outra mulher. Agora fique claro que "também é possível que uma mulher que não queira estar grávida passe a sua gravidez para outrém" não é possível em termos médicos e cientificos.
A única solução médica possível sem ser a IVG é observar ao nascimento do feto totalmente desenvolvido. Dizendo eu que as soluções médicas que apresentas, nomeadamente a transferência de um feto (porque é com a existência do desenvolvimento de um feto que se dá a gravidez)humano para outro útero é médicamente impossível.
Dai achar que podias estar a levar as pessoas em erro.
Depois, fui o primeiro a defender uma desburocratização do processo de adopção, lê o post, lê os comentários, nunca o ia apelidar de falacioso. E acho muito bem que havendo possibilidade de adoptar uma criança antes desta nascer, o seja feito em vez do aborto.
Quanto ao teu leque de opções mais aberto de nunca haver aborto, é mais uma impossibilidade e até digo mais que é estupido, porque em casos de violação ou de má formação do feto deve haver aborto se for essa a vontade da mãe. Defender que nunca deve haver aborto é regredir.
Ninguém é obrigado a abortar? Pois de facto é uma escolha, no caso de violação ou má formação do fecto é sempre uma escolha entre uma vida com menores condições e sem amor para a criança, ou abortar, realmente metendo as pessoas entre a espada e a parede, faz muito sentido o teu argumento.
Quanto aos argumentos eu falo dos meus argumentos, não dos outros.
Nos meus argumentos lógicos, uma mulher com uma gravidez indesejada a única solução que se lhe apresenta no momento é abortar, porque ter o filho e criar o dito filho deixou de ser opção a partir do momento que é indesejada.
O que eu digo é que fazer um aborto não é algo de positivo para a mulher que deseja abortar, tem custos, tem danos, logo ninguém no seu perfeito juízo acha que se aquela mulher tivesse soluções concretas e imediatas, que lhe fossem apresentadas na hora com certezas e garantias, ela iria escolher a solução de abortar em vez de outra.

Para finalizar: "No fim de contas estamos os dois no mesmo pé: a IVG nunca pode ser solução primária."

Não estamos, porque se para ti a IVG nunca pode ser solução primária, para mim a IVG não deveria ser a solução primária, não falo em nunca, nem em poder.
Para mim a IVG não deveria ser a solução primária, devia ser subsidiária no caso de existirem outras soluções concretas, garantidas, e apresentadas de forma imediata a uma mulher que pretenda engravidar.

Pedro disse...

Completando a informação e aproveitando para corrigir-me, a gravidez dá-se com o periodo da nidação, quando o embrião se implanta no útero, é embrião até às oito semanas, a partir dai passa a ser denominado de feto.
Ou seja temos a fecundação nas trompas de falópio onde se junta um ovário e um espermatozoide, depois de fecundado o ovário começa a evoluir para embrião chegando ao útero e entrando no processo de nidação vai implantar-se no útero, começando ai a gravidez e a denominação do embrião como vida, fazendo com que seja impossivel, cientificamente a passagem da gravidez para outra pessoa.
Foi apenas para ter certezas do que dizia, e tinha de dar uso aos livros de medicina da minha irmã porque os de direito já não chegam.
Lamento Zica mas não existe qualquer tipo de solução médica para uma mulher interromper a sua gravidez senão a interrupção voluntária da gravidez, só talvez a interrupção involuntária da gravidez.
Achei por bem esclarecer-te antes de te chamar de falacioso mais uma vez.

José Tiago Piçarra disse...

Bem, quanto ao que escreveste:

"Ninguém é obrigado a abortar? Pois de facto é uma escolha, no caso de violação ou má formação do fecto é sempre uma escolha entre uma vida com menores condições e sem amor para a criança, ou abortar, realmente metendo as pessoas entre a espada e a parede, faz muito sentido o teu argumento."

O meu argumento faz de facto sentido, foste misturar alhos com bugalhos sem o mínimo de rigor na tua análise, estamos a falar do levantamento da barreira penal da interrupção voluntária da gravidez. Por outro lado, os casos de violação e mal formação do feto estão bem explícitos no artigo 142.º/1 do CP, casos em que o aborto não é punível. Compreendes certamente que nessas situações há que haver uma especial tolerância, estamos a falar de OPÇÕES NÃO CONDICIONADAS pela conduta de terceiros ou por problemas de saúde advindos da gravidez em si mesma. O meu argumento continua a fazer todo o sentido e tinhas a obrigação de ter isto em conta.

Não posso rebater o teu argumento médico, pois acredito que esteja correcto.

Todavia, és uma pessoa informada e já ouviste com certeza falar em embriões humanos preservados no frio e implantação de embriões em úteros. Aliás, ainda há uns dias na comunicação social surgiu a notícia de um embrião (era mesmo um embrião, não se tratava de um óvulo imediatamente após ser fecundado) preservado numa clínica em Phuket que sobreviveu ao tsunami e após implantado no útero de uma mulher, desenvolveu-se e cresceu e é hoje uma criança saudável. Não parece então de todo que seja impossível haver fecundação/fertilização num ventre e gestação noutro. A tua explicação carece, pelo menos, da menção a essa prática. Não tenho livros de medicina em casa mas se pudesses esclarecer agradecia.

Finalmente, sobre o que disseste no caso de uma gravidez indesejada, realmente é verdade: o aborto prepara-se para se afigurar perante essa mulher como a solução mais imediata, com mais garantias. Mas não há obrigação. E mais, essa falsa obrigação de não haver outra saída é a face mais visível de uma perversão que vulgariza a gravidez, vulgariza o aborto, vulgariza a integridade física e psicológica da mulher.

Para mim a questão resume-se a isso. Vão continuar a ser feitos abortos, vão continuar a haver clínicas privadas e abortos no vão de escada.

E o Pedro vai continuar a responder-me como se eu fosse muito burro lol.

Pedro disse...

De facto vou, e parece ser a única maneira de fazer com que tenhas uma melhor análise da questão.
Obrigação como te disse nunca há, as pessoas são é postas entre uma escolha que a nível de escolha não tem muita, quando uma gravidez é indesejada não existe muito a fazer.
Pegaste na minha única ironia no texto e subverteste o seu sentido.
Lógico que não existe obrigação, lógico que ninguém é instigado a abortar, lógico que existe uma moldura penal para os casos de violação e má formação do feto, lógico que ninguém é coagido a abortar a não ser pelo pequeno factor daquela gravidez ser indesejada por alguma razão que se prenda a uma conjuntura futura de falta de condições de vida para aquela criança, quer financeiras quer afectuosas.
Tu não podes limitar as escolhas entre levar ou não levar a gravidez avante, tens de colocar as escolhas de levar a gravidez avante com as condições necessárias ou não a levar avante.
E é isso que eu digo que maioria das mulheres não teem, e dai a escolha do aborto não ser obrigatória num sentido coercivo, mas quase que é obrigatória num sentido em que não existe outra soluçã que se apresente de imediato e de forma concreta, eficaz, e com garantias.
Se eu não tive em conta a moldura penal? Porra vai ler o post, critico um gajo que disse que a discussão em referendo nada tem a ver com moldura penal, e agora não ia ter em conta a moldura penal.
Contínuo a achar que te tentas escapar por onde achas que podes, mas lê o post todo.
Embriões preservados no frio, criogenação, sim senhor ouvi falar, e podem-se implantar sim senhor, nunca disse que não, o qu eeu disse é que a gravidez só começa com a implantação do embrião no útero o que se chama de processo de nidação, só com a implantação é que começa a gravidez, logo é impossível transferir uma gravidez como seria o teu sonho e solução para uma mulher que estando grávida e não quisesse ter aquela gravidez transferia para outra mulher.
Isso cientificamente é impossível, já a transferência de embriões em formação é uma forma da concepção in vitreo em que deixam depois de fecundado o óvulo que comecem a nascer cerca de meia dúzia de células para o estado embrionário para depois colocar no útero da mulher, muitas vezes por por problemas nas trompas de falópio da dita mulher.
A todo o modo tens o esclarecimento que continua a ser o mesmo que te dei antes, gravidez só depois de implantado o embrião no útero, ou melhor só depois desse processo de implantação, antes disso não há gravidez nem conhecimento desta como é óbvio.

Infelizmente o aborto acaba por ser a solução primária quando não devia, agora a verdade é que ninguém apresenta alternativas sem ser tu que inventaste uma. (tou-me a rir e a brincar contigo, não me venhas ameaçar no MSN)

Vulgarização do aborto? Continuo a fazer fé que entendas que fazer um aborto não é programa de final da semana, não é bom, não é barato, causa dor, física e psicológica, e é condenado pela sociedade.
Acreditas mesmo que uma mulher que tenha possibilidade de minimizar todo o sofrimento vai continuar a fazer o aborto clandestinamente?
Tens tão pouca fé na inteligência do teu povo?
E continuas tu com a falsa obrigação homem... nem fui eu que comecei a falar de obrigações.
Dá-me soluções concretas, seguras, com garantia, imediatas, que de facto existam, sem ser dar à luz uma criança para viver em condições miseráveis e ser mal amado?
Exijo eu agora que toda essa tua arrogância de menino ofendido pelo Pedrocas que é um mauzão e que trata-te como um burrinho, arranje de maneira pragmática e com constatação impirica soluções ao aborto.

Não te quer dizer nada o facto da maioria dos países desenvolvidos já terem progredido nesta questão para a despenalização e nós não?

É bom que tenhas convicções quer as possas consubstanciar em dados materialmente válidos ou não. Tens pleno direito à tua opinião, e respeito isso, e até sei que sabes que respeito como sempre o fiz.
Agora quando dizes que eu misturo alhos e bugalhos quando estava eu a empregar a ironia, e vens tu meu menino todo pimpão com essa guelra toda dizer dois ou três disparates, é natural que eu fique triste e te mande para a cabeça, até porque tenho de ti inveja a nível de inteligência, mas tu continuas em teimar carregar em teclas das quais não tens razão, é o Piçarra com a pirraça. =p*

José Tiago Piçarra disse...

Não me dê na cabeça, paizinho!...

O mal é que a ironia não se percebe na escrita. Ou, pelo menos, é complicado que se perceba.

Não consigo em todo o caso deixar-me convencer pelos teus argumentos, aceitando-os em todo o caso. Os países desenvolvidos são isso mesmo, desenvolvidos, e esta questão se calhar ainda é prematura antes de se fazer uma data de coisas - remeto para o post que escreveste.

Finalmente, só falo em vulgarização porque se um "problema" tem uma única "solução" viável, é porque a mesma é vulgar ou se torna, assim, vulgar.

Anónimo disse...

A verdade pura e real é a seguinte:

Só é lobo quem lhe veste a pele.

Daí que abortar por abortar...tenham mas é juízo.

E, já agora, uma mulher que aborta hoje...amanhã torna a engravidar... porque 2º dizem os contraceptivos podem ser infalíveis... podem-me explicar como vai ser a próxima gravidez desta mulher...sim porque ela não vai ficar quietinha vai continuar a ter sexo sem garantias e abortar....

Mari DaCosta