Acordei relativamente cedo esta manhã, principalmente para quem está de férias e podia bem dormir até mais tarde.
Desci para a sala de jogo e liguei a televisão, começo a fazer o zapping pelos canais habituais, ao passar pela CNN ouvi as seguintes frases “justiça imparcial…numa espécie de vingança tribal”, falavam então do enforcamento do Saddam Hussein.
Quero referir antes de mais que não sou um anti-americano, apenas tenho uma opinião formada sobre eles que é corroborada pelo resto do mundo, podem não ser burros, mas definitivamente são estúpidos.
Só os americanos é que podiam juntar na mesma frase a justificar a pena da morte as palavras justiça e vingança, apenas os americanos enquanto país ocidentalizado é que concebe a pena de morte, a injustiça dentro da justiça.
Aprendi na faculdade, ou pelo menos fiquei com a ideia que o direito penal americano é como tudo poderia indicar, estúpido e mal feito à semelhança do criador, e só assim é que se entende como raio é que a morte pode ser uma pena, a ideia de pena é cumprir uma pena de forma a que a pessoa se possa arrepender do seu crime, tem uma função de prevenção geral positiva, e pode ter muitas outras funções a nível de restabelecimento do bem jurídico lesado se possível, etc., mas o fundamental é que a pena é a consequência socialmente delineada pelo direito para quem comete um crime, é um método de reprovação pública pelos actos contra as leis da sociedade de forma a levar o criminoso a arrepender-se dos actos cometidos e se possível reintegra-lo na sociedade de forma a que não volte a cometer mais nenhum crime.
Como é que será possível prosseguir a ideia de um arrependimento se matamos o indivíduo a quem queremos infligir uma reprovação de forma a provocar esse arrependimento, no fundo depois de morrer deixa de cumprir pena.
Resumindo a pena de morte além dos vários motivos morais, éticos, para quem quiser religiosos, não tem a mínima de lógica.
Sou contra a pena de morte em todo e qualquer caso, não porque fica bem, nem por motivos de crença religiosa, nem tão pouco por juízos éticos e morais, sou contra principalmente porque não é lógico, não é racional.
A CNN filmou a execução e transmitiu imagens, em vários canais passaram imagens do início da execução, iam estabelecendo contactos com os presentes na execução e a pergunta que mais faziam era “Saddam estava com medo?”…
E que tal perguntar se ele ficou chateadinho com a situação ou se o esticão foi bonito?
Além de ser contra a pena de morte, o que me incomoda totalmente é a maneira saloia como os americanos tratam todo o assunto, as perguntas, as imagens, a exibição dos momentos da execução, os risos e gargalhadinhas.
As disparidades é que no fundo incomodam-me, se uns acusados de crimes de guerra são condenados à morte, outros que também cometem crimes de guerra são acusados de má escolha política, apelidados de burros e não voltam muito provavelmente a ser eleitos, que disparidade de penas numa justiça que fico sem saber de quem é.
Quem condenou Saddam? O mundo? Os americanos? Os iraquianos não foram de certeza, não existe tal povo.
São ridículos os motivos invocados pelos EUA para invadir o Iraque, hoje em dia até os próprios o admitem, invadiram uma nação independente, escavacaram tudo com o seu poderio militar, levaram o petróleo, mataram o líder e agora muito provavelmente abandonam o local como um bêbado que abandona o pub depois de ter incitado à violência, porque o mais provável depois de tudo isto é que com a morte de Saddam venha a acontecer uma forte guerra civil.
Os EUA armados em educadores de infância, com uma concepção de justiça que vai da palmadinha na mão até à decapitação com as pás de uma ventoinha, a única coisa que conseguiram foi criar mais desordem, e mostrar de novo a incompetência exacerbada para tomar a frente seja do que for.
2 comentários:
Clap clap clap! Não podia estar mais de acordo! *
Parece que de repente voltei ao dia 11 de Setembro de 2001. Lembro-me da imagem de uma mulher de meia idade, de óculos e lenço na cabeça, sorrindo e com as duas mãos a fazer o sinal de "V", com o dedo indicador e do meio levantados. A mulher estava a fazer uma festa pela execução dos ataques terroristas aos E.U.A., a celebrar a morte de pessoas.
Neste momento, na TV portuguesa, passam imagens que celebram a execução de Saddam Hussein. O nojo que sinto é o mesmo. Para lá de motivos religiosos, morais e mesmo legais - Saddam é um ser humano, logo tem direito à vida - há algo de profundamente perverso em celebrar a morte de alguém, seja quem for.
É como o Pedro diz, se todos os argumentos éticos, religiosos, morais são subjectivos, esta morte, esta "pena", é no mínimo irracional e totalmente desprovida de sentido. E apanhou-me de surpresa, não sabia que ia ser já esta noite... Terão apressado a data?
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