A propósito da inquietação da minha alma procurei perceber o que era a "paz de espírito" que tantos, como eu, procuram...
Encontrei no livro «CORAGEM - a alegria de viver perigosamente» de Osho, um excerto que me fez pensar um pouco...
Gostaria de partilhá-lo convosco.
«O homem rico foi imediatamente, montado no seu belo cavalo, e levou um grande saco cheio de diamantes preciosos. Chegou lá, viu o tal homem - o tal homem era conhecido pelo nome de Mulla Nasruddin.
O homem rico perguntou ao Mulla: "Podes ajudar-me a encontrar a paz de espírito?"
O Mulla respondeu: "Ajudar-te? Posso dar-ta."
(...) O homem rico disse: "Podes dar-ma? Já consultei todo o tipo de sábios; todos eles me deram conselhos - faz isto, faz aquilo, disciplina-te a ti próprio, dá esmolas, ajuda os pobres, abre hospitais, mais isto e mais aquilo. Todos eles dizem coisas destas, e eu de facto fiz todas essas coisas, mas de nada serviu. Para falar verdade, cada vez se levantam mais dificuldades. E tu dizes-me que ma podes dar?"
O Mulla respondeu: "É muito simples. Desce desse cavalo." E o homem rico desceu do cavalo. Segurava no seu saco, e o Mulla perguntou: "Que trazes dentro desse saco que seguras tão perto do coração?"
Ele respondeu: "São diamantes preciossos. Se tu me deres a paz, eu dar-te-ei este saco." Mas, sem sequer ter tido tempo de perceber o que estava a acontecer, o Mulla pegou no saco e fugiu!
O homem rico, durante um momento, ficou em estado de choque; nem sequer sabia o que fazer. E depois teve de o seguir. Mas aquela era a terra do Mulla - ele conhecia todas as ruas e atalhos e ía a correr. O homem rico nunca tinha corrido tanto em toda a sua vida, e era muito gordo... Chorava e bufava de irritação e as lágrimas corriam-lhe pela cara abaixo. Lamentava-se: "Fui completamente enganado! Este homem levou-me o fruto do trabalho de toda aminha vida, todas as minhas poupanças; levou-me tudo."
E toda a multidão o seguia, e todos se riam. Ele disse: "Vocês são todos idiotas? Esta terra está cheia de idiotas? Fiquei completamente arruinado, e vocês, em vez de agarrarem o ladrão, estão todos a rir-se."
Responderam-lhe: "Ele não é um ladrão, é um homem muito sensato."
(...) E o Mulla voltou para debaixo da mesma árvore onde o cavalo continuava à espera. Sentou-se debaixo da árvore com o saco e o homem rico chegou a chorar e a soluçar. O Mulla disse-lhe: "Toma lá o saco." O homem rico pegou no saco e colocou-o perto do coração. O Mulla disse-lhe: "Como é que te sentes? Consegues sentir alguma paz de espírito?"
O homem rico respondeu: "Sim, sinto-me em paz. És um homem estranho e tens métodos estranhos."
O Mulla disse-lhe. "Não são métodos estranhos - é simples matemática. Tudo aquilo que possuis, começas a sentir que é um dado adquirido. Só precisas que te seja dada uma oportunidade de o perderes; então tornas-te imediatamente consciente daquilo que perdeste. Não adquiriste nada de novo; é o mesmo saco que tens transportado sem qualquer paz de espírito. Agora estás a segurar no mesmo saco mesmo junto ao teu coração e qualquer pessoa pode ver que estás sereno, um perfeito sábio! Vai para casa e não aborreças as pessoas."»
«Se um homem souber o que é a paz de espírito, ele não poderá escrever um livrio intitulado Peace of Mind, porque a mente é a causa de toda a falta de paz, de toda a agitação.
A paz é quando não há mente. Ora, paz de espírito - semelhante mercadoria é coisa que não existe.» Osho
1 comentário:
O problema é quando não voltas a receber o que perdeste.
Um abraço
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